Félix Bermudes
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| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Félix Redondo Adães Bermudes | |
| Data de nascimento | 4 de julho de 1874 | |
| Local de nascimento | Santo Ildefonso, Porto, | |
| Nacionalidade | ||
| Altura | 1,76 m | |
| Pé | Direito | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | Médio | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1906–1915 | 6 (1) | |
Félix Redondo Adães Bermudes OSE (Santo Ildefonso, Porto, 4 de Julho de 1874[1] – São Sebastião da Pedreira, Lisboa, 5 de Janeiro de 1960) foi um escritor e dramaturgo português. Foi ainda o 10.º presidente do Sport Lisboa e Benfica em 1916 e de 1945 a 1946[2], clube que também representara enquanto atleta.
Carreira
Nasceu a 4 de julho de 1874, na Rua de Santo Ildefonso, n.º 71, 1.º andar, no Porto, mas apenas foi batizado a 21 de junho de 1880, já após a morte do pai, o comerciante galego natural de Pontevedra, Félix Redondo Adães. A mãe, Cesina Ramona Bermudes, era também galega e natural da Corunha. Foi padrinho de batismo o 2.º Conde de Samodães, Francisco de Azeredo Teixeira de Aguilar.[3][1] Era irmão do arquiteto Arnaldo Adães Bermudes. Foi para Lisboa, onde tirou o Curso Superior de Comércio.[4]
Impôs-se desde muito cedo, ao lado de Cosme Damião, primeiro como atleta e, mais tarde, como dirigente. Praticou futebol, atletismo, ténis, ciclismo, tiro desportivo, esgrima, hipismo e natação.
A 23 de abril de 1899, casou primeira vez, na igreja paroquial de Santa Isabel, em Lisboa, com Maria Clara de Sá Sarmento Pimentel de Barros e Vasconcelos (Santa Isabel, Lisboa, 31 de outubro de 1879 – Santo Ildefonso, Porto, 12 de março de 1903), filha de Marciano Augusto de Barros e Vasconcelos e de Maria da Assunção Teixeira de Sá Sarmento.[5][6]
A 24 de julho de 1907, casou segunda vez, na igreja paroquial de São Julião, em Lisboa, com Cândida Emília dos Reis Borges (Santos-o-Velho, Lisboa, c. 1878), filha de José Borges, natural de Braga (freguesia de Adaúfe), e de Maria da Conceição de Lacerda Reis Borges, natural de Torres Vedras (freguesia de Turcifal). Foi padrinho de casamento o arquiteto Arnaldo Adães Bermudes, irmão de Félix.[6] Deste casamento nasceram a futura médica obstreta Cesina Bermudes, Clara Bermudes e Fernando Bermudes.[4]
Particularmente marcante terá sido a sua acção em 1906, quando, com Cosme Damião, evitou o desmoronamento do SL Benfica, contribuindo com dinheiro próprio para o efeito.
No seu primeiro mandato, o Benfica inicia uma série de três vitórias consecutivas no Campeonato de Lisboa (1915/1916, 1916/1917 e 1917/1918). Praticante de tiro, participou nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, em 1920, e de Paris, em 1924.[4]
A 28 de Julho de 1925 foi feito Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[7]
A 27 de Outubro de 1934 foi feito 53.º Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense.[8]
No último ano, em 1944/1945, sagrou-se campeão nacional e resolveu o intrincado problema da sede da Rua Gomes Pereira, através da compra do edifício por 700.000$00 escudos, a liquidar em 15 anos.
Quando da sua segunda passagem pelo clube, em 1945/1946 (em 1930, não aceitou tomar a posse), o jornal "Os Sports", onde publicou muitos poemas, deu ênfase ao facto de Félix Bermudes pertencer a uma equipa de dirigentes que honram um clube e de significar para os mais novos a exemplar conduta para um irmão mais velho.
Cultura
Bermudes foi igualmente um homem de cultura, tendo deixado o seu nome ligado a um sem-número de peças teatrais, comédias, revistas (p. ex. a revista ilustrada Cine[9] de 1934), e guiões de cinema, sendo da sua autoria, em parceria com Ernesto Rodrigues e João Bastos, o guião da peça O Leão da Estrela, adaptada posteriormente para o cinema por Arthur Duarte.
Era membro da Sociedade Teosófica Portuguesa, tendo participado em 1926 no Congresso Estrela do Oriente, em Ommen, Países Baixos.[4]
Foi um dos membros fundadores da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, primeira designação da Sociedade Portuguesa de Autores e foi seu presidente de 1928 até 1960, sucedendo no cargo a Júlio Dantas.[10] Colaborou na adaptação da legislação portuguesa sobre propriedade intelectual ao texto da Convenção sobre Propriedade Intelectual. Foi vice-presidente da Federação Internacional da Sociedade de Homens de Letras.[4]
Em 1933, escreveu o texto da opereta "O Timpanas", com música de Frederico de Freitas.
Foi o criador do hino do Benfica, "Avante, Avante p'lo Benfica". O Sport Lisboa e Benfica foi obrigado pela Ditadura a deixar de usar esse hino, pela conotação Comunista da palavra "Avante", especialmente combinada com a cor encarnada.[carece de fontes]
Também colaborou na revista O Palco[11] (1912). É ainda famosa a sua tradução do poema If, de Rudyard Kipling.
Morreu a 5 de janeiro de 1960, aos 85 anos, numa clínica situada na Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 15, R/C, freguesia de São Sebastião da Pedreira, em Lisboa, vítima de leucemia aguda. Foi sepultado em campa rasa, no Cemitério do Alto de São João.[12][4]
Referências
- ↑ a b Igrejas Caeiro, Francisco (8 de julho de 2016) [1958]. «Félix Bermudes em entrevista - 1958». Rádio Clube Português. Master Groove. Consultado em 19 de julho de 2020
- ↑ «Presidentes: os nomes que marcam a história». www.slbenfica.pt. Consultado em 19 de julho de 2020
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Santo Ildefonso - Porto (1880)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital do Porto. p. 150, assento 295
- ↑ a b c d e f «Morreu aos 85 anos o autor teatral Felix Bermudes». Casa Comum
- ↑ «Livro de registo de casamentos da paróquia de Santa Isabel - Lisboa (1898-1901)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 14, assento 78 (de 1899)
- ↑ a b «Livro de registo de casamentos da paróquia de São Julião - Lisboa (1907)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 4 e 4v, assento 5
- ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Felix Bermudes". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 10 de dezembro de 2018
- ↑ «Relação de Sócios Honorários» (PDF). Ginasiofigueirense.com
- ↑ Jorge Mangorrinha (25 de Fevereiro de 2014). «Ficha histórica: Cine (1934).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 30 de Dezembro de 2014
- ↑ «Sociedade Portuguesa de Autores». Infopédia
- ↑ Helena Roldão (28 de agosto de 2013). «Ficha histórica: O palco: revista teatral (1912)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 9 de janeiro de 2013
- ↑ «Livro de registo de óbitos da 3.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1959-12-21 - 1960-02-26)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 17v, assento 34
