Maria Luísa do Haiti
| Maria Luísa | |||||
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![]() Busto feminino localizado no Palácio de Sans-Souci. tradicionalmente identificado como representando Maria Luísa[1][2] | |||||
| Rainha Consorte do Haiti | |||||
| Reinado | 28 de março de 1811 a 8 de outubro de 1820 | ||||
| Coroação | 2 de junho de 1811 | ||||
| Predecessora | Maria Clara Bonheur (como Imperatriz) | ||||
| Sucessora | Marie-Madeleine Lachenais (como Primeira-Dama da Républica do Haiti (1820–1849) | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 8 de maio de 1778 Ouanaminthe, São Domingos | ||||
| Morte | 14 de março de 1851 (72 anos) Pisa, Grão-Ducado da Toscana | ||||
| Sepultado em | Igreja de San Donnino, Itália | ||||
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| Marido | Henrique I do Haiti | ||||
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| Pai | M. Melgrin | ||||
| Mãe | Célestina Coidavid | ||||
| Religião | Catolicismo | ||||
Maria Luísa do Haiti (Ouanaminthe, 8 de maio de 1778 — Pisa, 14 de março de 1851[3]), nascida Maria Luísa Coidavid (em francês: Marie-Louise Coidavid) foi a esposa do rei Henrique I e Rainha Consorte do Haiti de 1811 até 1820.[4]
Primeiros anos
Maria Luísa nasceu em uma família negra livre; seu pai era proprietário do Hotel de la Couronne, em Cap-Henri.[5] Henrique Cristovão foi um escravizado comprado por seu pai. Supostamente, ele ganhou dinheiro suficiente em gorjetas pelos serviços prestados no hotel, o que lhe permitiu comprar sua liberdade antes da Revolução Haitiana.[6] Eles se casaram em Cap-Henri, em 1793, tendo mantido um relacionamento desde o ano anterior. Tiveram quatro filhos: Francisco Fernando Cristovão (1794–1805), Francisca Ametista (fal. 1831), Ana Atenas (fal. 1839) e Jaime Vítor Henrique (1804–1820).
Com a nova posição de seu marido, em 1798, ela mudou-se para o Palácio de Sans-Souci. Durante a invasão francesa, ela e seus filhos viveram em refúgio até 1803.
Rainha

Em 1811, Maria Luísa recebeu o título de rainha com a criação do Reino do Haiti. Seu novo estatuto lhe conferiu funções cerimoniais, damas de companhia, uma secretária e sua própria corte. Ela levava sua posição a sério e afirmou que o título "conferido a ela pela nação" também lhe atribuía responsabilidades e deveres a cumprir. Atuou como anfitriã da vida cerimonial da corte real em Sans-Souci. Não se envolvia nos assuntos de Estado. Foi-lhe concedido o cargo de Regente, caso seu filho sucedesse ao pai ainda menor de idade.[7] Contudo, como seu filho atingiu a maioridade antes da morte do pai, tal previsão não se concretizou.[7]
Após a morte do rei, em 1820, ela permaneceu com as filhas Francisca Ametista e Ana Atenas no palácio, até serem escoltadas por seguidores do rei, junto com seu corpo; após sua partida, o palácio foi atacado e saqueado. Maria Luísa e suas filhas receberam a propriedade Lambert, nos arredores de Cap-Henri.[carece de fontes] Foi visitada pelo presidente Jean-Pierre Boyer, que lhe ofereceu proteção; ele recusou as esporas de ouro que ela lhe entregou, afirmando ser líder de um povo pobre.[carece de fontes] Foi-lhes permitido estabelecer residência em Porto Príncipe. Maria Luísa foi descrita como calma e resignada, mas suas filhas, especialmente Ana Atenas, foram descritas como vingativas.[8]
Exílio

A rainha viveu no exílio por 30 anos.[3] Em agosto de 1821, Maria Luísa deixou o Haiti com suas filhas sob proteção da Marinha Real Britânica, viajando para Londres. Circularam rumores de que ela procurava os três milhões[carece de fontes] supostamente depositados por seu marido na Europa.[carece de fontes] Seja como for, ela viveu o restante de sua vida sem dificuldades financeiras.
Na Inglaterra, moraram em Blackheath, onde foram recebidas por importantes abolicionistas, e depois mudaram-se para o número 49 da Weymouth Street, em Londres, onde residiram entre 1821 e 1824.[9] Em outubro de 1822, ela se estabeleceu em Hastings, East Sussex, na atual casa nº 5 da Exmouth Place, com suas filhas, que, como muitos aristocratas e abastados londrinos, buscavam fugir da poluição e do ritmo intenso do centro da cidade. Em 2022, placas azuis foram instaladas em homenagem à passagem da rainha pela Inglaterra.[9][10]
O clima inglês e a poluição durante a Revolução Industrial foram prejudiciais à saúde de Francisca Ametista, e eventualmente decidiram partir.[3]

Em 1824, Maria Luísa e suas filhas mudaram-se para Pisa, no Grão-Ducado da Toscana (atualmente Itália), onde viveram pelo resto de suas vidas. Francisca Ametista faleceu pouco após a chegada, e Ana Atenas em 1839.[3] Viveram discretamente na maior parte do tempo, embora ocasionalmente fossem assediadas por caçadores de fortunas e pretendentes ao trono interessados em seus bens.[carece de fontes]
Pouco antes de sua morte, Maria Luísa escreveu ao Haiti pedindo permissão para retornar. Contudo, ela faleceu antes que isso ocorresse, em 11 de março de 1851, na Itália. Está sepultada na Igreja de San Donnino. Uma placa memorial foi instalada em frente à igreja em 23 de abril de 2023, em homenagem à rainha, suas filhas e sua irmã.[3][11]
Veja também
Referências
- ↑ Marie-Louise Coidavid: The Tumultuous Story of Haiti’s First and Only Queen
- ↑ Büste Marie-Louise Coidavid, Palais Sans-Souci, Milot, Haiti
- ↑ a b c d e LeGrace, Benson (1 de outubro de 2014). «A Queen in Diaspora: The Sorrowful Exile of Queen Marie-Louise Christophe (1778, Ouanaminth, Haiti-March 11, 1851, Pisa, Italy)». Journal of Haitian Studies (em inglês). 20 (2). pp. 90–101. ISSN 1090-3488. JSTOR 24340368
- ↑ Louis Marceau, María Luisa de Haití, 1778-1851, Buenos Aires: Editorial Raigal, 1953..
- ↑ Willis, Stuart. «Queen Marie-Louise (pages 153, 161)». The Kingdom of this World. Michigan State University. Consultado em 9 de março de 2022. Cópia arquivada em 3 de março de 2016
- ↑ Waterman, Charles (1935). «Marie-Louise Christophe». Carib Queens. [S.l.]: Bruce Humphries, Inc. pp. 101–106. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2009
- ↑ a b Louis Marceau, María Luisa de Haití, 1778-1851, Buenos Aires: Editorial Raigal, 1953, pp. 2–18.
- ↑ Quoted in Louis, Marie-Louise d’Haïti, 43; see also Hénock Trouillot, "La République d’Haïti entre la francophonie et l’américanisme (19e siècle et du début du 20e)", Revista de historia de América, no. 80 (July–Dec. 1975): 87–145.
- ↑ a b Motune, Vic (7 de fevereiro de 2022). «Caribbean Queen gets London blue plaque». Voice Online (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2024
- ↑ hstlsoc_admin. «Unveiling of a blue plaque to Marie-Louise Christophe, Haiti's first and only queen.». Hastings & St Leonards Society (em inglês). Consultado em 3 de abril de 2024
- ↑ «'I Rise from My Ashes' Memorial Day for Marie-Louise Christophe, Queen of Haiti, Pisa, 23 April 2023». Les amis de la Reine | Je renais de mes cendres (em inglês). Consultado em 1 de agosto de 2023
Ligações externas
- Le Fabuleux Destin de la Reine Marie-Louise d'Haïti (em francês). Consultado em 19 de outubro de 2025.
- Miriam Franchina, "Marie-Louise of Haiti in Pisa". Age of Revolutions (em inglês). Consultado em 7 de agosto de 2023.
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