Marcos Pinto Soares Vaz Preto

Marcos Pinto Soares Vaz Preto
Nascimento30 de dezembro de 1782
Sesimbra
Morte6 de dezembro de 1851 (68 anos)
Lisboa
CidadaniaReino de Portugal
Alma mater
Ocupaçãopadre, político, arcebispo
ReligiãoIgreja Católica

Marcos Pinto Soares Vaz Preto (Sesimbra, 20 de novembro de 1782Lisboa, 6 de dezembro de 1851) foi um presbítero, freire conventual da Ordem Militar de Santiago da Espada, e político. Foi confessor e dilecto amigo de D. Pedro IV de Portugal, arcebispo eleito de Lacedemónia e deputado cartista entre 1842 e 1851.[1][2][3] Na política ficou conhecido por padre Marcos.[4]

Biografia

Nasceu em Sesimbra, filho de Marcos Pinto e de sua esposa Maria Soares. Professou como freire conventual da Ordem Militar de Santiago da Espada, estudou filosofia na Universidade de Évora e foi ordenado presbítero. Foi prior de Alhos Vedros (1816-1821) e da freguesia da Pena, em Lisboa (1822-1823), de onde foi desterrado em 1823, após a Vilafrancada, para Mesão Frio, (Trás-os-Montes), e proibido de pregar.[3]

Era desde muito cedo partidário das ideias liberais, pois já em 1808 se suspeitava que era autor de publicações clandestinas liberais que apareceram em Sesimbra. Mesmo após o desterro para Trás-os-Montes, continuou a apoiar a causa liberal o que o obrigou ao exílio após a chegada de D. Miguel ao poder.

Em 1828 embarcou clandestinamente para França, seguindo para o exílio em Inglaterra, onde permaneceu de 1829 a 1831. Em Londres dirigiu os periódicos liberais, Português Emigrado (1828-1829) e o Paquete de Portugal (1829-1831).[3]

Em 1831 partiu para a ilha Terceira, acompanhando as tropas liberais que ali se concentraram. Na viagem para os Açores conheceu D. Pedro IV, com quem forjou uma forte amizade. Acompanhou o ex-imperador nos Açores, no desembarque no Mindelo e durante toda a Guerra Civil Portuguesa, assumindo as funções de seu confessor, pregador e confidente.

Com o fim da guerra civil, instalou-se em Lisboa, onde foi confessor e esmoler-mor da rainha D. Maria II. Foi nomeado em 1834 provedor e vigário geral do Patriarcado de Lisboa, e em 1835 eleito arcebispo de Lacedemónia, título que era tradicionalmente conferido ao bispo auxiliar do Patriarcado de Lisboa. A falta de reconhecimento do novo regime liberal por parte da Santa Sé, a que acrescia ser maçon, levou a que o arcebispo eleito nunca chegasse a ser confirmado pela Santa Sé. Assumiu um conjunto de outros cargos eclesiásticos de relevo, incluindo o de prior da Colegiada de Guimarães, para o qual foi escolhido em 1848.[3]

Foi deputado às Cortes nas legislaturas de 1842-1846 e 1848-1851. Vintista, foi acusado de alta-traição em novembro de 1836, na sequência da Belenzada. Destacado maçon, foi de 1843 a 1851 grão-mestre da Loja Provincial do Oriente Irlandês.

Foi autor de várias orações e sermões e de numerosos artigos publicados em órgãos da imprensa escrita.

Notas

  1. Inocêncio VI, 132.
  2. Politipédia: Marcos Pinto Soares Vaz Preto, Padre (m. 1851).
  3. a b c d Francisco Carromeu: Arcebispo e maçon.
  4. Carlos H. G. Loureiro, “O Padre Marcos e o liberalismo”, Sesimbra, 1939.

Referências

  • Francisco Carromeu, Arcebispo e Maçon – O Padre Marcos na reforma liberal do estado e da Igreja (1820-51). Colibri, Lisboa, 2013.

Ligações externas