Maquis de Fizi



Jamhuri ya Maquis ya Fizi
República dos Maquis de Fizi

República Socialista


1967 – 1986

Bandeira de Maquis de Fizi

Bandeira
Localização de Maquis de Fizi
Localização de Maquis de Fizi
Mapa aproximado do território controlado pelo Maquis de Fizi
Continente África
Região África Central
País República Democrática do Congo
Capital Hewa Bora
Língua oficial Suaíli
Governo Estado socialista unipartidário
Presidente
 • 1967–1986 Laurent-Désiré Kabila
Período histórico Guerra Fria
 • 24 de outubro de 1967 Declaração de independência e formação
 • 1 de julho de 1986 Dissolução
Laurent-Desiré Kabila, presidente de Maquis de Fizi, posteriormente Presidente da República Democrática do Congo.

O Maquis de Fizi foi um governo socialista dissidente, organizado como um maquis de orientação maoista, formado em oposição ao governo de Mobutu Sese Seko na República Democrática do Congo (posteriormente renomeada como Zaire). Existiu de 1967 a 1986, sob a liderança de Laurent-Désiré Kabila. Além do atual Território de Fizi, que localiza-se na atual província do Quivu do Sul, República Democrática do Congo, em seu auge também se estendeu até Kabambare no oeste e Mwenga no norte.[1][2]

História e estrutura

A entidade foi declarada independente e organizada como república em 24 de outubro de 1967.[1] Surgida dos escombros da rebelião Simba no leste congolês, a organização política de Maquis de Fizi se baseava na doutrina de guerrilha dos maquis, funcionando como um reduto revolucionário liderado por Laurent-Désiré Kabila, que aglutinou um relevante contingente militar de alguns milhares de homens,[3][4] e possuía o objetivo de tornar o Congo em uma república socialista por meio de guerrilha e guerra política.[1] Os maquis guerrilheiros de orientação lumumbista, que serviram de inspiração e modelo para o governo de Fizi, se organizaram com sucesso, entre 1964 e 1967, na região habitada pela etnia bembe, que tinha como território tradicional a zona próxima ao lago Tanganica.[2]

Embora praticamente desconhecido internacionalmente, Maquis de Fizi adotava políticas alinhadas à doutrina maoista, e recebia ajuda e assistência da China e, principalmente, da Tanzânia.[2] A despeito de orientar-se oficialmente sob a ideologia dos maquis (antifascista, descentralizada e revolucionária), a organização em Fizi era centralizada, governada sob o Partido Revolucionário Popular (PRP), que atuava em princípios guerrilheiros.[1] Ainda assim, a entidade foi a mais bem-organizada e duradoura estrutura de oposição, resistência e enfrentamento ao governo de Mobutu no Zaire.[2]

O governo de Maquis de Fizi adotou a língua suaíli como oficial e criou sua própria bandeira, hino e slogans.[1] A economia do território sustentava-se basicamente na agricultura e extrativismo.[1] O trabalho era realizado coletivamente, com a propriedade e a produção sendo coletivizadas com bastante sucesso.[1] Apesar de seu pequeno tamanho e isolamento, Maquis de Fizi obteve sucessos em sua eficiência econômica e organização política na década de 1970, graças à aplicação disciplinada da teoria marxista-leninista.[1] O território produziu e exportou em escala semi-industrial excedentes consideráveis de café, dendê e algodão, escoando pelo porto de Baraka, no lago Tanganica, via Tanzânia, Zâmbia e Burundi.[1] A partir de 1979, porém, passa a crescer a insatisfação da população local com o governo de Kabila, que sofria acusações de nepotismo.[1]

Queda e legado

Com as tropas zairenses infiltradas provocando disrupções e instabilidade na região a partir da década de 1980, o Estado de Fizi perdeu força ao longo das guerras de Moba.[1] As ações de sabotagem e as incursões militares zairenses levaram ao colapso econômico e de recursos, deixando o território em situação de penúria, e o apoio da China sob orientação denguista também diminuiu após pressão dos Estados Unidos.[1] Por fim, o Maquis foi dissolvido em 1 de julho de 1986, quando seus suprimentos de armas se esgotaram, com o território sendo conquistando militarmente pelo Zaire.[1]

Mesmo após a dissolução oficial da estrutura do Maquis de Fizi em 1986, as tropas do PRP sob comando de Kabila somente abandonaram a região em 1987, em direção à Tanzânia, após longo cerco das Forças Armadas Zairenses à península de Fizi, a última área sob comando do PRP.[5]

Dez anos depois, Kabila liderou uma coalizão que, com o apoio de diversos países africanos, derrubou o regime de Mobutu na Primeira Guerra do Congo, vindo a presidir o país até seu assassinato em 2001.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Wilungula B. Cosma; Jean-Luc Vellut (1997). Fizi, 1967-1986: le maquis Kabila. Col: Cahiers africains. Bruxelas/Paris: Institut Africain-CEDAF / Afrika Instituut-ASDOC / Éd. l'Harmattan. ISBN 978-2-7384-5961-9 
  2. a b c d Xavier Mikedo Hatari (2020). «Histoire du mouvement de resistance Maïmaï en RDC» (PDF). Mouvements et Enjeux Sociaux - Revue Internationale des Dynamiques Sociales (em francês). 2 (115): 69. Consultado em 15 de junho de 2024 
  3. a b Erik Kennes (1 de outubro de 2003). Essai biographique sur Laurent Désiré Kabila: Cahiers 57-58-59. [S.l.]: Editions L'Harmattan. p. 13. ISBN 978-2-296-31958-5. Consultado em 24 de junho de 2021. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2023 
  4. Nyunda ya Rubango (1999). «De Lumumba, à Mulele, à Mobutu, à Kabila». Canadian Journal of African Studies / Revue Canadienne des Études Africaines. 33 (2/3): 691–695. ISSN 0008-3968 
  5. Jean-Claude Willame (1999). «Les origines d'une anabase». L'odyssée Kabila. Trajectoire pour un Congo nouveau. Col: Les Afriques. Paris: Editions Karthala