Guerras de Moba

Guerras de Moba
Data13 de novembro de 1984 - 1987
LocalMoba, Zaire
DesfechoVitória zairiana
Dissolução do Estado de Maquis de Fizi
Beligerantes
 Zaire

Apoio:

 França
Maquis de Fizi
Comandantes
Mobutu Sese Seko
Léon Kengo
Eluki Monga Aundu
Laurent-Désiré Kabila
Adrien Kanambe
Calixte Majaliwa  Rendição (militar)
Forças
Zaire duas brigadas desconhecido
Baixas
desconhecido  
100 a 1000 mortes no total

As Guerras de Moba (em francês: Guerres de Moba), também conhecidas como Moba I e Moba II, foram conflitos ocorridos na região de Moba, no então Zaire. Dois ataques foram perpetrados em 1984 e 1985 pelo Partido Revolucionário Popular (PRP) de Laurent-Désiré Kabila, em 13 de novembro de 1984 e em junho de 1985. Foram seguidos por severa repressão pelas Forças Armadas Zairenses (FAZ), terminando somente após dissensões internas do PRP em 1987.

Situação

Após o fracasso da Rebelião Simba lumumbista, Laurent-Désiré Kabila partiu em outubro de 1967 para fundar um movimento de resistência (maquis) nas margens do lago Tanganica. Ele criou um estado marxista, denominado Maquis de Fizi — centrado na zona de Baraka-Fizi, conhecida como "zona vermelha".[1] Kabila era o seu presidente e o Partido Revolucionário Popular (PRP) era o partido único.[2] A partir da década de 1970, o território do PRP foi gradativamente reduzido, principalmente com a saída de muitos quadros locais.

As atividades do PRP são por vezes favorecidas pelas boas relações dos rebeldes com certos oficiais das FAZ, que lhes vendem armas ou mesmo fornecem os detalhes das operações que serão realizadas pelos soldados zairenses. Os oficiais das FAZ, enriquecidos pelas operações militares, não buscavam, portanto, eliminar Maquis de Fizi, sua principal fonte de renda.[3] No entanto, após uma tentativa de alargar sua área de influência, os militares do PRP ocuparam o território sob controle dos mobutistas, a «zone blanche» (“zona branca”).[4] Os ataques visavam perturbar a administração mobutista e aumentar a zona de influência.[5]

Moba I

O primeiro ataque foi realizado sob a supervisão de Adrien Kanambe em 13 de novembro de 1984.[6] A guarnição local se uniu aos rebeldes.[7]

Em 15 de novembro, foi decidido lançar os paraquedistas do 311.º batalhão da 31.ª brigada de paraquedas zairiana, baseada em Camina. A brigada é comandada por instrutores franceses, que não participam dos combates ainda que gerenciem as operações. Dois Hercules C-130 foram fornecidos para transportá-los, bem como uma aeronave leve Cessna 310 para controlar as operações e duas aeronaves de ataque Aermacchi MB-326. Duas colunas motorizadas de Camina e Lubumbashi viriam ao seu encontro. Comandados pelo Major Ebamba, os paraquedistas retomaram o aeroporto no dia 16, custando um morto e dez feridos. Os combates na cidade continuariam até o dia 17,[7] a maioria dos rebeldes se dispersou.[8] As colunas motorizadas só chegarão no final do mês por causa da estação das chuvas.[7]. Para conduzir as operações de contra-insurgência, o 311.º Batalhão se junta ao 312.º Batalhão - o outro batalhão da brigada, baseado em Quinxassa - e à 13.ª Brigada Naval[9] de Kalemie.[10] Em uma semana de combates, menos de 150 pessoas foram mortas.[11] A operação destaca a baixa qualidade e a corrupção das unidades locais das FAZ, mas o desempenho da 31.ª brigada é considerado muito bom.[12]

O governo mobutista implica a Tanzânia e o Burundi, acusando-os de hospedar campos de rebeldes. A Tanzânia reconhece a existência de um campo de refugiados quinxassa-congolês, mas indica que eles não participaram do ataque.[8] As operações realizadas pelos zairianos nos meses que se seguiram mostraram-se ineficazes.[9] As FAZ distinguem-se sobretudo pela violência da repressão contra a população, acusada de ter apoiado os rebeldes. As FAZ realizam prisões arbitrárias, atos de tortura e execuções sem julgamento.[13] O conhecimento internacional dos acontecimentos ocorre por intermédio de um professor que testemunharia à Anistia Internacional sobre os abusos sofridos desde sua prisão em maio de 1985 até sua fuga, dois meses depois.[14]

Moba II

No dia 29 de junho, véspera da celebração dos 25 anos da independência do Zaire, o PRP volta a atacar Moba.[15] Os cerca de cinquenta atacantes[16] foram rapidamente repelidos.[17]

Em agosto de 1985, Calixte Majaliwa, Chefe do Estado-Maior Político do PRP, em desacordo com Kabila,[18] mudou de lado e juntou-se às fileiras zairenses; sendo inclusive nomeado gerente de operações das FAZ.[4] A 31.ª brigada de paraquedas zairiana deixou a região e o service d'actions et de renseignements militaires foi rapidamente enviado para apoiar a 13.ª Brigada.[9]

No entanto, Maquis de Fizi continuaria sendo uma fonte de sustento para a revolução do PRP, que financiava sua operações contra Mobutu com a exploração dos recursos naturais da região,[19] porém em 1987 os guerrilheiros somavam cerca algumas centenas de homens encurralados entre as FAZ e o lago Tanganica.[4] O número de vítimas durante a guerra situa-se bem abaixo de 1.000 mortos.[11]

Referências

  1. Willame 1999, p. 23.
  2. Willame 1999, p. 25.
  3. Cosma 1997, p. 109.
  4. a b c Willame 1999, p. 28.
  5. Kisangani & Bobb 2010, p. 269.
  6. Cosma 1997, p. 75.
  7. a b c Jackie Neau (2004). «Zaïre : opération aéroportée Moba I». fncv.com 
  8. a b Kisangani & Bobb 2010, p. 363.
  9. a b c Cooper 2013, p. 19.
  10. Cooper 2013, p. 16.
  11. a b Kisangani & Bobb 2010, p. 83.
  12. Zaire : Prospects for the Mobutu Regime (PDF) (em inglês). [S.l.]: Central Intelligence Agency. 1986. p. 14-15 
  13. Schatzberg 1988, p. 58.
  14. Schatzberg 1988, p. 1-2.
  15. Kisangani & Bobb 2010, p. xxxix.
  16. Kisangani & Bobb 2010, p. 350.
  17. Kisangani & Bobb 2010, p. 420.
  18. Cosma 1997, p. 97.
  19. Cosma 1997, p. 110.

Bibliografia

  • Tom Cooper (setembro de 2013). Great Lakes Holocaust : First Congo War, 1996-1997. Col: Africa@War, 13 (em inglês). [S.l.]: Helion & Company. 72 páginas. ISBN 978-1-909384-65-1 .
  • Wilungula B. Cosma (1997). Fizi 1967-1986 : Le Maquis Kabila (PDF). Col: Cahiers africains, 26. [S.l.]: Institut Africain CEDAF, L’Harmattan. 136 páginas. ISBN 978-2-7384-5961-9 .
  • Kisangani, Emizet François; Bobb, F. Scott (2010). Historical Dictionary of the Democratic Republic of the Congo. Col: Historical Dictionaries of Africa, 112 (em inglês). Lanham (Md.): The Scarecrow Press. 624 páginas. ISBN 978-0-8108-5761-2 .
  • Michael G. Schatzberg (1988). The Dialectics of Oppression in Zaire (em inglês). [S.l.]: Indiana University Press. 193 páginas. ISBN 978-0-253-20694-7 .
  • Jean-Claude Willame (1999). «Les origines d'une anabase». L'odyssée Kabila. Trajectoire pour un Congo nouveau. Col: Les Afriques. Paris: Editions Karthala .


  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em francês cujo título é «Guerres de Moba».