Maomé ibne Ibraim ibne Taxufine
Abu Abedalá Maomé ibne Ibraim ibne Taxufine (em árabe: أبو عبد الله محمد بن إبراهيم بن تاشفين; romaniz.: Abū ʿAbd Allāh Muḥammad ibn Ibrāhīm ibn Tāshfīn) foi um nobre e oficial do Império Almorávida, ativo no reinado do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106).
Vida
Maomé era filho de Ibraim ibne Taxufine e sobrinho do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106).[1] Foi mencionado pela primeira vez no rescaldo do fracassado cerco de Aledo de 1088. O exército muçulmano almorávido-andalusino não conseguiu tomar a fortaleza dos reinos cristãos em decorrência de desentendimentos entre os reis das taifas locais. Em decorrência da derrota frente aos cristãos, o emir Iúçufe percebeu a iminente ameaça aos domínios muçulmanos na região de Valência e enviou seu sobrinho Maomé com um exército para conduzir operações no Levante do Alandalus.[2] Em agosto ou setembro de 1094, após a conquista de Valência por O Cid, Maomé atravessou o estreito de Gibraltar rumo ao Alandalus com tropas para reforçar os almorávidas no Levante.[3]
O exército de Maomé, composto de mais de quatro mil ginetes, sem contar os numerosos peões e cavaleiros andalusinos que a ele se incorporaram, foi acampar em Cuarte, planície situada a pouca distância, a oeste, de Valência. Terminado o Ramadã, em 14 de outubro, iniciaram-se os ataques a Valência. Maomé confiava na vitória e não levava em conta que em alguns setores de seu exército existia certa desmoralização, devida em parte às notícias difundidas de que O Cid solicitara o auxílio do rei Afonso VI. Aproveitando-se disso e das deserções ocorridas, O Cid realizou uma emboscada que causou a dispersão do exército almorávida.[4]
Após o episódio de Cuarte, Maomé passou a Dênia e desta a Xátiva, de onde foram apresentadas escusas a Iúçufe. Iúçufe ordenou que Maomé permanecesse em Xátiva, vigilante e cauteloso, para prevenir qualquer incursão do inimigo por aquela parte e que tentasse hostilizar o castelhano com algum golpe de mão sobre Valência. O emir auxiliou-o com dinheiro e tropas. As tropas de Maomé, dominadas pela indisciplina e pelo cansaço, foram incapazes de cumprir a missão que lhes fora confiada. Atribuindo isso à ineptidão e às escassas dotes de comando de seu sobrinho, Iúçufe destituiu seu sobrinho do cargo, fazendo-o regressar ao Magrebe. Para substituí-lo na direção dos exércitos do Levante foi nomeado Alboácem Ali ibne Alhaje.[5]
Referências
- ↑ Lagardère 1978, p. 61.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 140-141.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 156.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 157.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 158.
Bibliografia
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516