Manuel de Castro Alcoforado

Manuel de Castro Alcoforado
Senhor de Aguieira e Mourisca
A Torre dos Alcoforados, cabeça do morgadio do Bustelo, de que Manuel de Castro Alcoforado foi 7.º titular
Dados pessoais
Nascimentoc. 1478
Mortec. 1535 (57 anos)
CônjugeD. Beatriz Pinheiro, filha de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal
PaiGonçalo Vaz Alcoforado, senhor da Torre dos Alcoforados
MãeD. Ana de Castro, filha do Alcaide-mor de Melgaço
OcupaçãoFidalgo, Militar
Filho(s)Lourenço de Castro Alcoforado

D. Martim Pinheiro, Prior e comendador de São Simão da Junqueira

Frei Diogo de Santo André, Provincial de São Francisco
Brasão

Manuel de Castro Alcoforado (c. 1478 - c. 1535), senhor da vila de Aguieira e de metade de Mourisca, foi um fidalgo e militar português dos séculos XV e XVI, que teve papel determinante na descoberta do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em 1511.

Biografia

Nasceu cerca do ano de 1478, filho primogénito do primeiro casamento (ocorrido no ano de 1477) de Gonçalo Vaz Alcoforado, senhor da Torre de Alcoforado, com D. Ana de Castro, filha de Fernão de Castro, alcaide-mor de Melgaço e Castro Laboreiro, e de D. Joana de Azevedo, da casa dos senhores de São João de Rei.[1][2]

Foi herdeiro da casa paterna, sendo assim 7.º senhor do morgado de Bustelo, que incluía a Torre de Alcoforado, e também senhor das vilas de Aguieira e (metade de) Mourisca.

Logo a 15 de fevereiro de 1498, quando tinha cerca de 20 anos de idade, seu pai, Gonçalo Vaz Alcoforado, fidalgo da Casa Real, e morador na Torre de Farazão, no julgado de Refoios, fez-lhe uma procuração para receber de qualquer almoxarife ou recebedor 8 mil réis que tinha de tença, em cada ano.[3]

Essa tença paterna foi-lhe várias várias vezes confirmada por documentos régios, nomeadamente nos anos de 1517, 1522 e 1529.[4][5][6]

Porém, seu pai casaria pela segunda vez, provavelmente pouco depois do ano de 1500, com D. Margarida de Sousa de Meneses (Ponte da Barca, 1482 - depois de 2 de junho de 1540), da casa dos senhores de Francemil. Sendo que parte dos bens do seu morgadio, nomeadamente a Torre de Alcoforado, acabaria por ser transmitida a esta sua segunda mulher e depois a um dos filhos deste casamento (meio irmão, assim, de Manuel de Castro Alcoforado), chamado António de Sousa Alcoforado, em cujos descendentes seguiria a posse da Torre.[7]

Manuel de Castro Alcoforado fez carreira militar, tendo prestado serviço no Estado da Índia, onde foi capitão de uma das naus da Armada da Índia comandada por D. Garcia de Noronha, no ano de 1511.[8][9]

Durante a viagem, teve papel determinante na descoberta acidental do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, em virtude de a caravela "São Pedro", sob o seu comando, navegando em mar aberto, em noite fechada, ter ficado encalhada, no dia 20 de abril de 1511, sobre um dos rochedos desse arquipélago. A tripulação foi resgatada por outra caravela da mesma esquadra, a "São Paulo", do capitão Jorge de Brito, tendo o episódio dado o nome aos rochedos.[10][11][12][13]

Fez a torna viagem de regresso a Portugal em 1512.[9]

E, em 11 de março de 1515, tornou-se cavaleiro professo da Ordem de Cristo.[14][15]

Em recompensa dos seus serviços, obteve uma tença da coroa no montante de 20 mil reais, que lhe seria confirmada várias vezes, juntamente com seu hábito na Ordem de Cristo, nomeadamente nos anos de 1528, 1529 e 1532, por provisões do rei D. João III, feitas ou diretamente pelo monarca, ou pelo seu vedor da Fazenda, o conde de Penela.[16][17][18]

O último documento régio conhecido que se lhe refere data do ano de 1534, sendo provável que tenha falecido pouco depois dessa data.[19]

Casamento e descendência

Do seu casamento com D. Beatriz (ou Brites), Pinheiro, filha natural de D. Diogo Pinheiro, 1.º bispo do Funchal e Primaz das Índias, teve geração, três filhos, sendo que dois deles (D. Martim Pinheiro, Prior e comendador do Mosteiro de São Simão da Junqueira, e Frei Diogo de Santo André, Provincial de São Francisco) seguiram a carreira eclesiástica, tendo a sua casa sido herdada pelo primogénito:

  • Lourenço de Castro Alcoforado, senhor de toda a casa paterna, nomeadamente das vilas de Aguieira e Mourisca, e da quinta e casa do Faial, em Abade de Neiva, com a muita antiga comenda de Cabo Monte, originariamente da Ordem dos Templários e depois da Ordem de Cristo, a essa quinta associada.[20] Casou com D. Maria Soares, filha de Felipe Carneiro com D. Filipa Soares (que era irmã de D. João Soares, 3.º conde de Arganil e bispo de Coimbra).[21] Do casamento foi filho primogénito:
    • Manuel de Castro Alcoforado (ou Castro Pinheiro). Casou com D. Maria Toscano, filha de Pantaleão dos Santos, Fidalgo da Casa Real (que, depois de viúvo, se fez clérigo e nessa qualidade foi provisor da cidade do Porto), e de sua mulher D. Francisca de Magalhães, bisneta de Diogo Cão e sobrinha - bisneta de Fernão de Magalhães, instituidora de morgadio no ano de 1574, etc. Deste casamento nasceu uma única filha:

Referências

  1. a b «Nobiliário de famílias de Portugal, [Braga], 1938-194. Tomo II. Título "Alcoforados" - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. pp. 24–25. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  2. Manuel Abranches de Soveral. «Gonçalo Vasques Alcoforado». roglo.eu. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  3. «Digitarq. Procuração que Gonçalo Vaz Alcoforado, fidalgo da Casa do rei, morador na Torre de Farazão, julgado de Refoios, fez a seu filho Manuel de Castro para receber de qualquer almoxarife ou recebedor 8 mil réis que tem de tença em cada ano.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  4. «Digitarq. A Manuel de Castro Alcoforado, fidalgo da casa real, mercê da tença anual de 8.000 reais, a partir de Janeiro de 1517, paga onde ele desejar. A tença foi-lhe trespassada de seu pai, que faleceu.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 4 de outubro de 2025. Chancelaria de D. Manuel I, liv. 25, f. 166 Data Produção: 1517-01-02 
  5. «Digitarq. Provisão para se pagar a Manuel de Castro Alcoforado 8.000 réis de tença.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 4 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç.101, nº 118 Cota original CC-II-101-118 Data de Produção: 1522-06-11 
  6. «Digitarq. Provisão do rei D. João III para o almoxarife de Ponte de Lima dar a Manuel de Castro Alcoforado, 8.000 réis de sua tença.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 4 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç. 156, nº 11 Data de Produção: 1529-06-03 
  7. «Margarida de Souza de Menezes (1482-1540)». roglo.eu. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  8. «MANUEL DE CASTRO ALCOFORADO». Carreira da Índia. 29 de janeiro de 2007. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  9. a b Lacerda, Teresa (2006). «Os Capitães das Armadas da Índia no reinado de D. Manuel I – uma análise social». Universidade Nova de Lisboa. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Departamento de História. Dissertação de Mestrado: 63, 121, 172, 181. Consultado em 19 de outubro de 2025. [p. 63] Manuel de Castro Alcoforado e D. Aires da Gama terão feito a torna-viagem, em 1512, pois Pêro de Mascarenhas ficou como capitão de Cochim (1512 -1515) 
  10. Ilhas do Brasil: Uma terra incógnita e cobiçada. O Globo, 13 de outubro de 2008, p. 24.
  11. «Arquipélago de São Pedro e São Paulo foi descoberto por acaso depois de um naufrágio». Extra Online. 12 de outubro de 2008. Consultado em 5 de outubro de 2025. ... em 1511, quando a caravela São Pedro, comandada por Manuel de Castro Alcoforado, desgarrou-se da armada de Garcia de Noronha e se chocou contra os penedos. Manuel de Castro Alcoforado não teve culpa. Até hoje, desembarcar no local é uma operação perigosa, já que não há praia e os navios não conseguem se aproximar 
  12. Petta, Reinaldo (1 de janeiro de 2006). «Saint Peter and Saint Paul's Archipelago Tectonic uplift of infra-crustal rocks in the Atlantic Ocean» (em inglês): 2. Consultado em 7 de outubro de 2025. Portuguese historical records suggest that the archipelago was discovered accidentally in 1511, when the Portuguese navigator Manuel de Castro Alcoforado, captain of the São Pedro vessel, was separated from the group commanded by D. Garcia de Noronha and ran aground upon the St. Paul’s rocks. He was rescued by another vessel of the same group called São Paulo, hence the name St. Paul’s rocks. 
  13. «SIGEP - Arquipélago de São Pedro e São Paulo Soerguimento tectônico de rochas infracrustais no Oceano Atlântico» (PDF). Consultado em 6 de outubro de 2025. Registros históricos portugueses dizem que o ASPSP foi descoberto por acidente, em 1511, pelo navegador português Manuel de Castro Alcoforado, capitão da caravela SÃO PEDRO, que se desgarrou da esquadra comandada por D. Garcia de Noronha e se chocou com os rochedos, sendo salva por outra caravela da mesma esquadra, chamada SÃO PAULO, daí o nome do arquipélago 
  14. Manuel Abranches de Soveral. «Manuel de Castro Alcoforado». roglo.eu. Consultado em 4 de outubro de 2025 
  15. «Manuel de Castro Alcoforado | Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa». eve.fcsh.unl.pt. Consultado em 5 de outubro de 2025 
  16. «Digitarq. Provisão para o Almoxarife de Ponte de Lima dar a Manuel de Castro Alcoforado 20 mil réis de sua tença. Assinada pelo conde de Penela, vedor da Fazenda.». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 5 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç. 150, n.º 14 Datas de Produção: 1528-07-11 
  17. «Digitarq. Provisão do rei D. João III para o almoxarife de Ponte de Lima dar a Manuel de Castro Alcoforado, 20.000 réis de sua tença». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 5 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç. 156, nº 10 Datas de Produção: 1529-06-03 
  18. «Digitarq. Provisão de D. João III para o almoxarife da Alfândega de Vila do Conde pagar a Manuel de Castro Alcanforado, 20.000 réis de tença que tinha com o hábito de Cristo». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 5 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç. 177, n.º 33 Datas de Produção: 1532-07-15 
  19. «Digitarq. Provisão de D. João III para Manuel Velho, tesoureiro da Casa Real, pagar a Manuel Alcoforado 5.000 réis de sua moradia». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 4 de outubro de 2025. Corpo Cronológico, Parte II, mç. 188, n.º 67 Datas de Produção: 1534-03-18 
  20. Cardoso, Luiz (1747). Diccionario geografico, ou Noticia historica de todas as cidades, villas, lugares e aldeas ... dos reynos de Portugal e Algarve, ... Lisboa: na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real. pp. 3–4. Consultado em 5 de outubro de 2025. Santa Maria de Abade ... huma [ermida ou capella] de S. Lourenço na antiga Casa do Fayal , Commenda , que ha annos se juntou com a Commenda de Cabo - Monte: foy aforada a Lourenço de Castro Alcoforado , e hoje a possue seu descendente Dom Antonio de Azevedo e Ataide , Senhor de Honra de Barbosa 
  21. Braamcamp Freire, Anselmo (1921). Brasões da Sala de Sintra. Livro Terceiro. Robarts - University of Toronto. Coimbra: Imprensa da Universidade. pp. 409–410. Consultado em 5 de outubro de 2025. 3.º Conde de Arganil - 1545, entre 16 de Fevereiro e 14 de Julho. D. João Soares, bispo de Coimbra 
  22. «D. Francisco de Azevedo e Ataíde: Subsídios para a sua biografia». www.academia.edu. p. 110. Consultado em 5 de outubro de 2025. [O Morgadio e vínculo] instituído por D. Francisca de Magalhães em 1574