Manuel Maria da Terra Brum, 3.º Barão de Alagoa
| Manuel Maria da Terra Brum | |
|---|---|
| Barão de Alagoa | |
| Barão de Alagoa | |
| Reinado | 28 de agosto de 1901 — 11 de julho de 1905 |
| Antecessor(a) | José Francisco da Terra Brum, 2.º Barão de Alagoa |
| Sucessor(a) | Tìtulo extinto |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 3 de fevereiro de 1885 |
| Morte | 11 de agosto de 1905 (20 anos) |
| Pai | José Francisco da Terra Brum |
| Mãe | Joaquina Clara de Noronha |
| Brasão | ![]() |
Manuel Maria da Terra Brum, 3.º Barão de Alagoa (Horta, 3 de fevereiro de 1825[1] — Horta, 11 de julho de 1905), foi um comerciante, viticultor que se distinguiu na política local da ilha do Faial, Açores e era o nono filho do 1.º Barão de Alagoa.[1][2][3][4]
Terra Brum foi descendente de Josse van Aertrycke, fidalgo flamengo, um dos primeiros colonizadores do Faial no século XV.[5]
D. Carlos I concedeu a Terra Brum o título de Barão de Alagoa aquando da sua visita aos Açores em 1901.[1]
Infância
Manuel Maria da Terra Brum nasceu no dia 2 de fevereiro de 1825 como membro de várias das famílias mais antigas e ilustres do Faial, incluindo os Brum, Terra, e Silveira.[6][7] Os pais eram morgado José Francisco da Terra Brum, 1.º Barão de Alagoa e último Capitão-mor do Faial, e Francisca Paula Brum e Silveira.[6][7] Foi irmão do capitão e comerciante Florêncio José Terra Brum[carece de fontes] e tio do político e escritor Florêncio Terra[carece de fontes]. Era irmão do 2.º Barão de Alagoa.[1]
Negócios
Como o seu pai antes dele, Manuel foi um dos maiores viticultores da Ilha do Pico, produzindo 1000 pipas de vinho Verdelho anualmente.[6] Um comerciante culto e prático, Brum dedicou sua vida ao desenvolvimento da indústria, agricultura, vinhas e nobre exploração de todas as fontes de riqueza no Faial e Pico.[6] Depois da sua primeira viagem ao estrangeiro, criou a Quinta da Silveira em Santo Amaro, que passou a ser "uma das propriedades mais ricas e bonitas dos Açores, rivalizando os jardins de São Miguel.[6]
De fato, Brum "foi para as ilhas do Faial e Pico o que foram para a ilha do Arcanjo [São Miguel] os Cantos e os Jácome Correia, seus amigos e correspondentes."[6] Oídio e filoxera chegaram aos Açores em 1852 e 1873, respectivamente, destruindo vinhas e arruinando o sustento de habitantes pobres do Pico como o dos proprietários ricos da Horta.[7]
Batalhando contra essas pragas, Manuel Maria introduziu novos tipos de uva ao Pico, incluindo variedades americanas[6][7] e as denominadas uvas "Isabel", a que o vulgo ficou chamando de "uva de cheiro".[1] A sua iniciativa provocou uma renascença de vinhos do Pico, porque outros viticultores adotaram as novas variedades, resultando em novos vinhos.[6] Durante esta conversão de variedades, Manuel Maria gastou uma grande parte da sua fortuna, até vendou os seus terrenos em Alagoa, mas conseguiu recuperar o seu investimento e recomprar os terrenos.[6]
Em 1859, foi fundada em sua casa a Sociedade Amor da Pátria, inicialmente uma loja maçónica, tendo encabeçado a lista dos primeiros sócios e sido presidente por dilatados anos.[5]
Honras
Reconhecendo as contribuições de Brum ao povo do Faial e Pico, Rei D. Carlos I de Portugal em sua visita aos Açores em 1901 conferiu a Brum o título de 3.º Barão de Alagoa, título extinto depois da morte do seu irmão José Francisco da Terra Brum, 2.º Barão de Alagoa,[1] em 1844.[6][7]
Morte e sucessão
Brum deixou seu nome atrás em vários prédios e obras filantrópicas.[carece de fontes] Em 28 de novembro de 1859 foi um dos fundadores da sociedade fraterna Amor da Pátria, servindo como presidente por alguns anos.[6] Também serviu como presidente da Caixa Económica Faialense, e responsabilizou-se pela construção duma estrada em Vista Alegre, Faial.[6]
Não casou e nem teve descendentes diretos,[1] deixando a sua casa na Areia Larga, os seus terrenos na Alagoa, e várias vinhas, mobiliário, louçaria, e barcos a António da Cunha de Menezes Brum e José Bettencourt V. Correia é Ávila, os seus empregados José Pereira e José Francisco de Medeiros, e as suas empregadas Ricarda Luísa e Constança Margarida, com o resto da fortuna dividida igualmente pelos sobrinhos.[6]
O seu funeral aconteceu na tarde de 12 de julho de 1905. O corpo foi acompanhado ao enterro pelos diretores do Amor da Pátria, Luz e Caridade, e do Asilo da Infância Desvalida, como Brum tinha sido protetor e presidente do último.[6]
Referências
- ↑ a b c d e f g Zoquete, Afonso Eduardo (1960). Nobreza de Portugal. 2. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Lda. p. 212
- ↑ Ribeiro, Fernando Faria (2007). Em Dias Passados: Figuras, Instituições e Acontecimentos da História Faialense. Horta, Açores: Nucleu Cultural da Horta
- ↑ Mónica, Maria Filomena; Silveira e Sousa, Paulo, eds. (2009). Os Dabney: Uma Familia Americana nos Acores. Lisboa: Tinta da China Edições. ISBN 978-989-671-006-4
- ↑ Enciclopédia Açoriana: «Brum, Manuel Maria da Terra».
- ↑ a b DRC. «Direção Regional da Cultura». Cultura Açores. Consultado em 7 de junho de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Ribeiro (2007): p. 163
- ↑ a b c d e Mónica e Silveira e Sousa (2009): p. 146
