Malandros na umbanda

Zé Pretinho, um representante da falange dos Malandros.
Malandro da Lapa.

Malandros, também conhecidos em determinados contextos regionais como Pernambucanos, constituem uma linha de trabalho espiritual da Umbanda, caracterizada por entidades que incorporam traços simbólicos associados à figura do malandro da cultura popular brasileira. Essas entidades são geralmente representadas como homens urbanos, astutos e de linguagem coloquial, cuja atuação espiritual enfatiza a mediação de conflitos cotidianos, a orientação prática e a superação de adversidades por meio da inteligência e da desenvoltura social. O principal e mais difundido representante dessa linha é Zé Pelintra.[1]

Do ponto de vista histórico e religioso, a linha dos Malandros apresenta vínculos com tradições do Catimbó e da religiosidade popular nordestina, especialmente do estado de Pernambuco, sendo frequentemente associada à região do Sertão do Araripe e à cidade de Exu. Essas entidades foram progressivamente incorporadas ao panteão umbandista ao longo do século XX, em processos de sincretização e ressignificação ritual. Em determinados contextos regionais, sobretudo no Sudeste do Brasil, os Malandros também são associados a outras linhas espirituais da Umbanda, como os Baianos e, em menor medida, os Exus de Umbanda, embora mantenham características simbólicas próprias.[2][3]

No campo das ciências sociais, a figura do malandro foi amplamente analisada como um tipo social característico da sociedade brasileira, marcado por uma posição ambígua entre a transgressão e a adaptação às normas sociais. Estudos clássicos de Roberto DaMatta destacam o malandro como elemento central para a compreensão das tensões entre ordem, hierarquia e individualismo no Brasil. No contexto religioso da Umbanda, essa figura é ressignificada como entidade espiritual, articulando elementos da cultura urbana, da religiosidade popular e das dinâmicas sociais brasileiras.[4]

Definição e lugar na Umbanda

Na Umbanda, os Malandros constituem uma linha de trabalho espiritual composta por entidades que expressam, em termos simbólicos e rituais, a figura social do malandro urbano brasileiro. Diferentemente de categorias estritamente associadas a arquétipos da natureza ou da ancestralidade africana, os Malandros são compreendidos como entidades que operam a partir de referências históricas, culturais e sociais, frequentemente vinculadas à vida cotidiana, às relações de trabalho informal, às tensões morais e às estratégias de sobrevivência em contextos urbanos.[1]

Do ponto de vista doutrinário, a noção de linha de trabalho na Umbanda refere-se a conjuntos de entidades organizadas segundo afinidades simbólicas, éticas e rituais, não constituindo categorias rígidas ou universalmente padronizadas. Nesse sentido, a posição dos Malandros no interior do campo umbandista pode variar conforme a tradição do terreiro, a região e a linhagem ritual, sendo comum sua associação tanto à chamada direita quanto, em contextos específicos, a zonas liminares entre a direita e a esquerda simbólicas da religião.[2]

Os Malandros distinguem-se de outras linhas espirituais da Umbanda, como os Exus de Umbanda e os Baianos, embora compartilhem com elas determinados elementos performáticos e narrativos. Enquanto os Exus de Umbanda são geralmente associados à mediação entre mundos e às encruzilhadas simbólicas, e os Baianos à memória da migração nordestina e ao trabalho rural ou urbano precarizado, os Malandros se caracterizam pela centralidade da astúcia, da oralidade e da negociação social como formas legítimas de ação espiritual.[3]

No plano ritual, as entidades dessa linha manifestam-se por meio da incorporação mediúnica, utilizando linguagem coloquial, gestualidade marcada e referências simbólicas da cultura urbana, como a boemia, o samba e o espaço das ruas. Essas características não devem ser interpretadas como mera reprodução folclórica, mas como parte de um processo religioso de ressignificação simbólica, no qual elementos da vida social são integrados ao universo sagrado da Umbanda.[5]

Origens históricas e culturais

As origens da linha dos Malandros na Umbanda estão associadas a processos históricos e culturais complexos, vinculados à religiosidade popular nordestina, às práticas mágico-religiosas do Catimbó e às transformações sociais ocorridas no Brasil entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Diferentemente de outras linhas espirituais cuja construção simbólica remete a ancestralidades africanas ou indígenas mais claramente definidas, os Malandros emergem como entidades fortemente relacionadas a contextos urbanos, à marginalidade social e às experiências históricas de sobrevivência em ambientes marcados pela desigualdade.[1]

Relações com o Catimbó e a religiosidade nordestina

Diversos estudos indicam que figuras posteriormente identificadas como Malandros na Umbanda possuem raízes no universo religioso do Catimbó, prática amplamente difundida no Nordeste brasileiro, especialmente em Pernambuco e na Paraíba. Nesse contexto, entidades associadas à astúcia, à proteção individual e à circulação entre espaços sociais distintos já desempenhavam papel relevante em rituais de cura, feitiçaria e aconselhamento espiritual. A cidade de Exu, no Sertão do Araripe, é frequentemente mencionada na tradição oral como um dos polos simbólicos associados à formação dessas entidades, embora tal vinculação deva ser compreendida mais como construção mítica do que como dado histórico documental.[1][6]

Incorporação ao campo umbandista no século XX

A incorporação dos Malandros ao panteão da Umbanda ocorreu de forma gradual ao longo do século XX, acompanhando o processo de expansão e diversificação do campo umbandista, especialmente nos grandes centros urbanos do Sudeste, como Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse período, a Umbanda passou a integrar, reinterpretar e reorganizar diferentes entidades oriundas de tradições religiosas populares, atribuindo-lhes novos enquadramentos doutrinários e rituais. Os Malandros foram então ressignificados como entidades espirituais ligadas à mediação de conflitos cotidianos, à orientação moral prática e à negociação simbólica das tensões sociais urbanas.[2][5]

Em determinados contextos regionais, sobretudo no estado de São Paulo, observa-se uma aproximação simbólica e ritual entre os Malandros e outras linhas espirituais, como os Baianos, fenômeno interpretado por parte da literatura como resultado de processos de adaptação regional e de reorganização das linhas de trabalho conforme as demandas sociais e religiosas locais. Essas aproximações, contudo, não implicam homogeneização plena, sendo mantidas distinções narrativas, performáticas e simbólicas entre as diferentes linhas.[3]

Cultura urbana, marginalidade e sacralização

A consolidação dos Malandros como linha espiritual da Umbanda está diretamente relacionada à sacralização de experiências sociais vinculadas à vida urbana, à informalidade do trabalho, à boemia e à marginalidade. Nesse sentido, a figura do malandro, amplamente presente na música popular, na literatura e no imaginário social brasileiro, é reinterpretada religiosamente como entidade capaz de transitar entre normas e transgressões, operando como mediadora simbólica entre o indivíduo e as estruturas sociais que o circundam. Esse processo de sacralização do humano constitui um dos traços distintivos da Umbanda enquanto religião brasileira marcada pela incorporação criativa de elementos da cultura popular.[4][5]

Relações com outras linhas espirituais

No interior da Umbanda, a linha dos Malandros mantém relações simbólicas e rituais complexas com outras linhas espirituais, especialmente os Exus de Umbanda e os Baianos. Essas relações não configuram equivalência plena entre as linhas, mas antes zonas de aproximação, distinção e, em alguns contextos regionais, sobreposição parcial, resultantes da dinâmica histórica e da diversidade interna do campo umbandista.[2]

Relação com os Exus de Umbanda

A associação entre Malandros e Exus de Umbanda ocorre principalmente em razão de características compartilhadas, como a linguagem coloquial, a atuação em questões práticas da vida cotidiana e a presença em rituais voltados à resolução de conflitos. No entanto, a literatura especializada destaca que os Exus de Umbanda ocupam posição simbólica específica, relacionada à mediação entre mundos, às encruzilhadas e à circulação entre planos espirituais, enquanto os Malandros são definidos prioritariamente por sua inserção na experiência social urbana e por sua capacidade de negociação simbólica das normas sociais.[3][5]

Apesar dessas distinções, não é incomum que, em determinadas casas religiosas, entidades identificadas como Malandros participem de giras tradicionalmente associadas aos Exus, fenômeno interpretado como resultado de arranjos rituais locais e não como indicativo de identidade ontológica entre as linhas. A bibliografia ressalta que tais práticas devem ser compreendidas à luz da flexibilidade organizacional da Umbanda, evitando interpretações hierarquizantes ou essencialistas.[2]

Relação com os Baianos

A relação entre Malandros e Baianos apresenta maior variação regional, sendo particularmente significativa no estado de São Paulo. Em diversos terreiros paulistas, os Malandros são incorporados à chamada direita, aparecendo associados ou mesmo integrados à linha dos Baianos, com giras específicas e enquadramentos rituais próprios. Essa aproximação é frequentemente interpretada como resultado da adaptação da Umbanda às experiências históricas da migração nordestina e à reorganização simbólica das linhas espirituais em contextos urbanos do Sudeste.[1][3]

Ainda assim, a literatura acadêmica enfatiza que Malandros e Baianos preservam distinções narrativas e performáticas relevantes. Enquanto os Baianos tendem a remeter à memória do trabalho rural, da migração e da identidade regional nordestina, os Malandros são mais fortemente associados à boemia urbana, à informalidade e à astúcia como forma de mediação social. Essas diferenças reforçam a compreensão das linhas como categorias simbólicas flexíveis, organizadas segundo contextos históricos, regionais e rituais específicos.[5]

Flexibilidade ritual e diversidade regional

As relações entre Malandros e outras linhas espirituais evidenciam a natureza plural e não centralizada da Umbanda. A ausência de uma autoridade doutrinária única favorece a coexistência de interpretações diversas sobre o lugar dos Malandros no panteão religioso, permitindo que cada terreiro estabeleça suas próprias classificações e práticas rituais. Esse caráter flexível constitui um dos elementos centrais da Umbanda enquanto religião marcada pela incorporação contínua de experiências sociais e culturais ao seu universo simbólico.[2][5]

A figura do malandro na cultura brasileira

A figura do malandro ocupa lugar central no imaginário social brasileiro, sendo recorrente em manifestações culturais como a literatura, a música popular, o teatro e o cinema. Historicamente associada aos espaços urbanos, à boemia e às formas informais de sobrevivência, essa figura expressa tensões estruturais da sociedade brasileira, especialmente aquelas relacionadas à desigualdade social, à precariedade do trabalho e à ambiguidade moral diante das normas institucionais.[4]

No campo das ciências sociais, o malandro foi interpretado como um tipo social emblemático, situado entre a ordem e a transgressão. Em análise clássica, Roberto DaMatta compreende o malandro como personagem que desafia hierarquias formais por meio da astúcia, da negociação e da performance social, operando em zonas intermediárias entre a legalidade e a informalidade. Essa ambiguidade confere à figura do malandro tanto conotações negativas, associadas à vadiagem e à marginalidade, quanto positivas, relacionadas à inteligência prática e à capacidade de adaptação em contextos adversos.[4]

No Rio de Janeiro das primeiras décadas republicanas, a modernização urbana e o discurso de civilização também incidiram sobre normas de conduta e de aparência, produzindo iniciativas de controle do vestir em espaços públicos centrais. Estudos sobre moralidades urbanas e associativismo na Primeira República registram debates e medidas que visavam restringir a circulação de pessoas descalças e sem paletó, com episódios de multa e fiscalização já no século XX inicial, interpretados como parte de um programa de disciplinarização dos costumes.[7] Em registros de memória urbana e história cultural do período, a própria Avenida Central é citada como espaço em que se tentou instituir exigência de paletó, sapatos e chapéu para pedestres, ainda que tal determinação nem sempre se efetivasse na prática.[8] Nesse contexto, a imagem do malandro — frequentemente representado como sujeito bem-apessoado (paletó/terno, chapéu) — pode ser lida como uma performance ambivalente: ao mesmo tempo em que dialoga com códigos de respeitabilidade exigidos no espaço reformado, subverte-os pela astúcia e pela circulação em zonas liminares da vida urbana.[4]

A presença do malandro na música popular brasileira, particularmente no samba urbano do início do século XX, contribuiu para a difusão e a consolidação dessa imagem no imaginário nacional. Letras, personagens e narrativas musicais passaram a retratar o malandro como símbolo da vida nas ruas, da boemia e das estratégias de resistência cotidiana frente às imposições do trabalho disciplinado e das normas morais burguesas. Esse repertório cultural exerceu influência significativa na posterior ressignificação religiosa da figura no contexto da Umbanda.[5]

No âmbito religioso, a incorporação da figura do malandro como entidade espiritual representa um processo de sacralização de experiências sociais urbanas. Ao ser integrada ao panteão umbandista, a imagem do malandro deixa de ser apenas um tipo social ou cultural e passa a operar como mediadora simbólica entre o mundo social e o universo sagrado. Esse movimento é interpretado pela literatura como expressão da capacidade da Umbanda de integrar elementos da cultura popular brasileira à sua cosmologia, conferindo-lhes novos sentidos religiosos e éticos.[1][2]

Interpretações acadêmicas

A linha dos Malandros na Umbanda tem sido objeto de interpretação por diferentes campos das ciências humanas, especialmente a antropologia, a sociologia da religião e os estudos culturais. Nessas abordagens, os Malandros são analisados não apenas como entidades religiosas, mas como construções simbólicas que articulam experiências históricas, relações sociais e formas específicas de moralidade presentes na sociedade brasileira.[2][5]

Malandragem, moralidade e ambiguidade social

Um dos eixos centrais da interpretação acadêmica da figura do malandro é sua ambiguidade moral. Conforme apontado por Roberto DaMatta, o malandro ocupa uma posição intermediária entre a ordem e a transgressão, sendo capaz de circular entre normas formais e práticas informais sem se identificar plenamente com nenhuma delas. Essa posição liminar permite compreender o malandro como mediador simbólico de tensões estruturais da sociedade brasileira, especialmente aquelas relacionadas à hierarquia social, à desigualdade e à flexibilidade das regras no cotidiano.[4]

No contexto religioso da Umbanda, essa ambiguidade é ressignificada positivamente, convertendo-se em atributo espiritual. Os Malandros passam a ser interpretados como entidades capazes de orientar os fiéis em situações práticas e moralmente complexas, nas quais a aplicação rígida de normas se mostra insuficiente. A astúcia, nesse sentido, não é entendida como desvio, mas como forma legítima de sabedoria prática.[1]

Corpo, performance e incorporação

Outra vertente analítica enfatiza o papel do corpo e da performance na constituição simbólica dos Malandros. Estudos sobre possessão e incorporação na Umbanda destacam que a identidade dessas entidades é construída por meio de gestos, linguagem, vestimenta e modos de ocupar o espaço ritual. A performance do malandro incorpora referências da cultura urbana — como a boemia, a oralidade e a teatralidade — que reforçam sua identificação social e espiritual.[9][10]

Essa ênfase performática permite compreender a incorporação dos Malandros como processo comunicativo, no qual o corpo do médium se torna meio de expressão de valores sociais e religiosos. A análise da performance evita interpretações reducionistas que tratariam essas entidades como meras projeções individuais, situando-as como produções coletivas e culturalmente compartilhadas.[11]

Gênero, sexualidade e transgressão simbólica

Alguns estudos abordam a figura do malandro a partir das relações entre gênero, sexualidade e transgressão. A literatura aponta que a performance dos Malandros frequentemente mobiliza masculinidades não normativas, marcadas pela ironia, pela sedução e pela recusa parcial de modelos tradicionais de trabalho e família. Essas características permitem leituras que relacionam a figura do malandro a debates mais amplos sobre corpo, desejo e moralidade no contexto das religiões afro-brasileiras.[12][13]

No entanto, os autores ressaltam que essas interpretações não implicam leitura homogênea ou essencializada das entidades. A diversidade de performances e narrativas associadas aos Malandros reflete a pluralidade interna da Umbanda e a capacidade da religião de incorporar diferentes experiências sociais sem fixá-las em categorias rígidas.[2]

Sacralização do humano e religião brasileira

De modo mais amplo, a presença dos Malandros no panteão umbandista tem sido interpretada como expressão do processo de sacralização do humano, característico da Umbanda enquanto religião brasileira. Ao integrar figuras oriundas da vida social urbana ao universo sagrado, a Umbanda transforma experiências cotidianas em categorias religiosas legítimas, ampliando as possibilidades de identificação simbólica entre fiéis e entidades espirituais. Essa dinâmica é apontada pela literatura como um dos elementos centrais da originalidade e da vitalidade histórica da Umbanda.[5][1]

Controvérsias e debates

A presença dos Malandros no panteão da Umbanda tem suscitado debates no interior do campo religioso e na produção acadêmica, especialmente no que se refere à sua classificação ritual, ao estatuto moral atribuído às entidades e às tensões entre projetos distintos de legitimação da religião. Essas controvérsias não configuram dissenso doutrinário unificado, mas refletem a diversidade interna da Umbanda e seus diferentes processos históricos de institucionalização.[2][5]

Classificação ritual e fronteiras simbólicas

Um dos principais pontos de debate diz respeito à classificação dos Malandros em relação a outras linhas espirituais, sobretudo os Exus de Umbanda e os Baianos. Em determinados contextos, a proximidade performática e funcional entre essas linhas levou a interpretações que as aproximam ou sobrepõem parcialmente. A literatura especializada, contudo, enfatiza que tais aproximações resultam de arranjos rituais locais e não implicam identidade ontológica entre as entidades, devendo ser compreendidas como expressões da flexibilidade organizacional da Umbanda.[3][2]

Moralidade, disciplina religiosa e respeitabilidade

Outro eixo de controvérsia envolve a dimensão moral associada à figura do malandro. Setores do campo umbandista historicamente comprometidos com projetos de respeitabilidade religiosa — especialmente aqueles influenciados por processos de racionalização e aproximação com valores cristãos — expressaram reservas quanto à incorporação de entidades identificadas com a boemia, a informalidade e a transgressão simbólica. Esses debates são interpretados pela literatura como parte das tensões entre diferentes modelos de legitimação social da Umbanda, que oscilam entre a valorização da ordem moral e a incorporação de experiências populares marginalizadas.[5][2]

Tradição oral, historicidade e verificação

A reconstrução histórica das origens dos Malandros também constitui objeto de debate, especialmente no que se refere ao uso da tradição oral e de narrativas míticas como fontes de interpretação. Menções recorrentes a locais específicos, como a cidade de Exu, e a personagens históricos ou semihistóricos são amplamente reconhecidas como elementos simbólicos relevantes, mas carecem de documentação direta. A produção acadêmica ressalta a necessidade de distinguir entre historicidade verificável e construção mítica, sem desqualificar o valor religioso e cultural dessas narrativas no contexto ritual.[1]

Regionalização e diversidade de práticas

Por fim, observa-se debate em torno das variações regionais na forma de culto aos Malandros. Em estados como São Paulo, por exemplo, a associação dos Malandros à direita e sua proximidade com a linha dos Baianos contrasta com práticas observadas em outras regiões, onde essas entidades podem ocupar posições rituais distintas. Essas diferenças são interpretadas como resultado da adaptação da Umbanda a contextos sociais específicos, reforçando a compreensão da religião como sistema plural e não centralizado.[3][2]

Ver também

Referências

  1. a b c d e f g h i . "Malandros e Baianos: a sacralização do humano no panteão umbandista do século XX" .
  2. a b c d e f g h i j k l m Negrão, Lísias Nogueira (1996). Entre a cruz e a encruzilhada: formação do campo umbandista em São Paulo. São Paulo: EDUSP 
  3. a b c d e f g Magnani, José Guilherme Cantor (1986). Umbanda. São Paulo: Ática. ISBN 9788508034345 
  4. a b c d e f DaMatta, Roberto (1997). Carnavais, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro 6 ed. Rio de Janeiro: Rocco 
  5. a b c d e f g h i j k Ortiz, Renato (1991). A morte branca do feiticeiro negro: Umbanda e sociedade brasileira 2 ed. São Paulo: Brasiliense 
  6. Augras, Monique (1983). O duplo e a metamorfose: a identidade mítica em comunidades nagô. Petrópolis: Vozes 
  7. Pereira, Juliana da Conceição (2017). Clubes dançantes e moralidades no Rio de Janeiro da Primeira República (PDF) (Dissertação (Mestrado em História)). Niterói: Universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto de História. Consultado em 29 de dezembro de 2025 
  8. «O Rio, polo de moda». MultiRio. Consultado em 29 de dezembro de 2025 
  9. Birman, Patrícia (1985). O que é Umbanda 3 ed. São Paulo: Brasiliense 
  10. Birman, Patrícia (1995). Fazer estilo criando gênero: possessão e diferenças de gênero em terreiros de Umbanda e Candomblé no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Relume-Dumará; UERJ. ISBN 9788573160406 
  11. Montero, Paula (1985). Da doença à desordem: a magia na Umbanda. Rio de Janeiro: Graal. ISBN 9788570380128 
  12. Parker, Richard G. (1991). Corpos, prazeres e paixões: a cultura sexual no Brasil contemporâneo 2 ed. São Paulo: Best Seller. ISBN 9788571230316 
  13. Mott, Luiz (1988). Escravidão, homossexualidade e demonologia. São Paulo: Ícone 

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Ligações externas