Lusitânia Expresso (serviço ferroviário)

 Nota: Este artigo é sobre o serviço ferroviário entre Portugal e Espanha. Para o ferry-boat, veja Lusitânia Expresso.
Lusitânia Expresso
Estação de Lisboa - Santa Apolónia
Estação de Lisboa - Santa Apolónia
Estação de Lisboa - Santa Apolónia
Legenda
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Lisboa-Santa Apolónia
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PortugalEspanha
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Val. de Alcántara(mud. de loco.)
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Cáceres
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Madrid-Chamartín

O Lusitânia Expresso, conhecido como Lusitania Express em Espanhol, foi um serviço ferroviário que ligou, entre 1943[1] e 1995, as localidades de Lisboa, em Portugal, e Madrid, em Espanha.

Descrição

Este serviço unia as cidades de Madrid e Lisboa, em comboios feitos durante a noite.[2] Era considerado um comboio de luxo, sendo composto por carruagens metálicas de primeira e segunda classes, e carruagens camas.[3] Fazia-se normalmente cruzamento em Cáceres, e em Valência de Alcântara era feita a troca de locomotivas, sendo em 1993 as motoras utilizadas no percurso espanhol da Série 333 ou 319.3 da Red Nacional de Ferrocarriles Españoles.[2] Entre o material motor utilizado em Portugal, encontraram-se as locomotivas da Série 1300.[4]

História

Estação de Madrid - Chamartín, em 1991

Antecedentes e inauguração

Em 1937, realizou-se uma conferência entre as operadoras CP e Renfe, e a Compagnie Internationale des Wagons-Lits, com o objectivo de criar um serviço combinado entre os dois países, para facilitar o transporte de passageiros e mercadorias.[5] Este comboio foi inaugurado em 23 de Julho de 1943, tendo sido criado especificamente por influência do então embaixador de Portugal em Madrid, Pedro Teotónio Pereira, junto da CP e da Renfe, como forma de assegurar o correio diplomático entre o Portugal de Salazar e a Espanha de Franco.[3][6]

Operação

Em 1969, foram realizadas viagens a Madrid e Lisboa para jornalistas, no Lusitânia Expresso e no TER Lisboa Expresso, no âmbito das iniciativas de promoção turística "Primavera en España" e "Primavera em Portugal", organizadas em conjunto pela Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses e pela operadora Red Nacional de Ferrocarriles Españoles.[7] A finalidade destas campanhas era anunciar os serviços de refeições a bordo, sem acréscimo nos preços dos bilhetes, de forma a captar mais clientes.[8] Em 16 de Março de 1972, dá-se uma reunião em Salamanca entre as operadoras Caminhos de Ferro Portugueses e Red Nacional de Ferrocarriles Españoles, para alterar os horários do serviço[9]

Em 1986, com a introdução de carruagens climatizadas, este serviço mudou de nome para Estrella Lusitânia, permanecendo, no entanto, com o mesmo percurso e natureza nocturna.[2] No ano seguinte, foi iniciada a modalidade auto-expresso neste serviço.[10]

Extinção

Em 1995, foi substituído, junto com o Talgo Luís de Camões, pelo Lusitânia Comboio Hotel.[11]

Ver também

Referências

  1. REIS et al, 2006:62
  2. a b c GUTIÉRREZ, Jorge Arturo Venegas (1995). «Caceres: estación y nudo ferroviario». Maquetren (em espanhol). Ano 4 (37). Madrid: Resistor, S. A. p. 52 
  3. a b «Cronologia». Comboios de Portugal. Consultado em 30 de Novembro de 2014 
  4. REIS et al, 2006:118
  5. «Caminhos de Ferro Espanhois» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 49 (1180). Lisboa. 16 de Fevereiro de 1937. p. 104. Consultado em 23 de Dezembro de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  6. José Pedro Castanheira (13 de fevereiro de 2015). «Rosa Casaco, ao Expresso «Voltaria a ser da PIDE»». Expresso. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  7. «Primavera en España y Portugal». Via Libre (em espanhol). Ano 6 (65). Madrid: RENFE. 1 de Maio de 1969. p. 20-21 
  8. REIS et al, 2006:137
  9. MARTINS et al, 1996:274
  10. «Noticias». Carril (em espanhol) (20). Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril. 1987. p. 51 
  11. REIS et al, 2006:150

Bibliografia

  • MARTINS, João; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel; et al. (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. Lisboa: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas 
  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X