Luiz Americano
| Luiz Americano | |
|---|---|
| Nome completo | Luiz Americano Rego |
| Nascimento | 27 de fevereiro de 1900 |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Gênero(s) | Choro, Valsa, Maxixe |
| Ocupação | Instrumentista, Compositor, Maestro |
| Instrumento(s) | Saxofone, Clarinete |
| Período em atividade | 1913–1960 |
| Gravadora(s) | Odeon, RCA Victor |
| Afiliação(ões) | Pixinguinha, Carmen Miranda, Bonfiglio de Oliveira, Oito Batutas |
Luiz Americano Rego, conhecido artisticamente como Luiz Americano (Aracaju, 27 de fevereiro de 1900 – Rio de Janeiro, 29 de março de 1960), foi um importante instrumentista (saxofonista e clarinetista), intérprete, copista e compositor brasileiro, considerado um dos grandes nomes do choro de todos os tempos.[1]
Foi integrante fundamental de grupos históricos como o Oito Batutas e acompanhou nomes célebres da Era de Ouro do rádio, como Carmen Miranda. Sua técnica no clarinete e no saxofone influenciou gerações de músicos instrumentais no Brasil.[2]
Biografia
Nascido em Sergipe, era filho do compositor e mestre de banda Jorge Americano Rêgo. Luiz iniciou seus estudos musicais aos 13 anos de idade sob a tutela do pai, aprendendo inicialmente o clarinete. A relação musical entre os dois foi marcada pela homenagem do pai, que compôs uma peça do gênero dobrado (passo dobrado) intitulada "Luiz Americano" dedicada ao filho, cuja partitura é preservada em acervos musicológicos.[3][1]
Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1921, onde rapidamente se inseriu no cenário musical da então capital federal. Integrou a orquestra do Cine Teatro Rialto e, posteriormente, foi convidado para fazer parte do conjunto Oito Batutas, liderado por Pixinguinha. Trabalhou por mais de vinte anos ao lado de Pixinguinha, sendo um de seus instrumentistas favoritos.[4]
Em 1927 gravou seu primeiro disco na Odeon interpretando, ao saxofone, a valsa “Leda”, de sua autoria.[5] Em 1930, no Rio de Janeiro, formou o American Jazz, um grupo de dança que se apresentou até 1932.
Sua carreira internacional inclui passagens pela Argentina (1928), onde gravou tangos e choros, e pelos Estados Unidos (1939), participando da Feira Mundial de Nova Iorque, onde sua performance foi elogiada pela crítica norte-americana.[1]
Há uma divergência entre fontes musicológicas quanto à sua data exata de nascimento. Enquanto o Dicionário Cravo Albin e o Instituto Moreira Salles registram 27 de fevereiro, o Acervo Casa do Choro indica o dia 2 de fevereiro.[nota 1][6]
Obra e estilo
Luiz Americano era conhecido pela limpeza de seu som e pela agilidade técnica. Deixou uma vasta discografia, principalmente pela gravadora Odeon, onde atuou também como diretor musical.
Composições selecionadas
Abaixo, algumas das principais obras do compositor:
| Título | Gênero | Instrumentação | Notas |
|---|---|---|---|
| "Sorriso de Cristal" | Valsa | Saxofone | Um de seus maiores sucessos. |
| "Numa Seresta" | Choro | Clarinete | Clássico do repertório de choro. |
| "Tocando pra Você" | Choro | Saxofone | — |
| "Lágrimas de Virgem" | Valsa | — | Gravada em 1929. |
| "Sentimento Oculto" | Valsa | — | — |
| "É do que há" | Choro | Clarinete | — |
| "Intrigas no Boteco do Padilha" | Choro | — | Título humorístico característico. |
Discografia
A discografia de Luiz Americano é extensa, cobrindo a transição da gravação mecânica para a elétrica e a era de ouro do rádio. Abaixo, uma seleção de seus principais lançamentos.[7]
Álbuns de estúdio (LPs)
| Ano | Título | Gravadora | Notas |
|---|---|---|---|
| 1955 | Chora, Saxofone | RCA Victor | Primeiro LP solo. |
| 1958 | Chora Saxofone | RCA Victor | Reedição/Coletânea. |
| 1959 | Luis Americano e Seu Conjunto | RCA Victor | Com acompanhamento de regional. |
Gravações selecionadas (78 RPM)
Abaixo, uma seleção de gravações originais em 78 rotações, conforme catalogado pelo Instituto Moreira Salles.[8]
| Ano | Título | Gênero | Compositor(es) | Atuação |
|---|---|---|---|---|
| 1929 | "Lisses" | Choro | Luiz Americano | Solista (Clarinete) |
| 1929 | "Dindinha" | Valsa | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1930 | "Sentimento Oculto" | Valsa | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1930 | "Lágrimas de Virgem" | Valsa | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1930 | "É do que há" | Choro | Luiz Americano | Solista (Clarinete) |
| 1934 | "Vou Vivendo" | Choro | Pixinguinha e Benedito Lacerda | Intérprete (Saxofone) |
| 1935 | "Tigre da Lapa" | Choro | Luiz Americano | Solista (Clarinete) |
| 1937 | "Alma do Norte" | Choro | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1939 | "Numa Seresta" | Choro | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1940 | "Intrigas no Boteco do Padilha" | Choro | Luiz Americano | Solista (Clarinete) |
| 1942 | "Dancing Brasil" | Choro | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1944 | "Relembrando" | Valsa | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1945 | "Craviolando" | Choro | Luiz Americano | Solista (Clarinete) |
| 1946 | "Vê se Gostas" | Choro | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
| 1951 | "Saudade de Vila Mariana" | Valsa | Luiz Americano | Solista (Saxofone) |
Ver também
Notas
- ↑ Existe divergência nas fontes sobre o dia do nascimento. O Dicionário Cravo Albin e o portal Pixinguinha.com.br citam 27 de fevereiro. O Acervo Casa do Choro cita 2 de fevereiro.
Referências
- ↑ a b c «Luiz Americano - Biografia». Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Consultado em 21 de novembro de 2025
- ↑ «Perfil: Luiz Americano». Pixinguinha.com.br. Consultado em 21 de novembro de 2025
- ↑ «Jorge Americano Rêgo - Luiz Americano (Partitura)». Musica Brasilis. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Luiz Americano – Pixinguinha». Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Casa do Choro». acervo.casadochoro.com.br. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Luiz Americano - Dados». Acervo Casa do Choro. Consultado em 21 de novembro de 2025
- ↑ «Discografia de Luiz Americano». Instituto Memória Musical Brasileira (IMMuB). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Luiz Americano - Discografia Brasileira». Instituto Moreira Salles. Consultado em 22 de novembro de 2025
Ligações externas
- «Luiz Americano no Instituto Moreira Salles» (contém áudios originais, incluindo "Ao Luar")