Luciany Aparecida
| Luciany Aparecida | |
|---|---|
| Nome completo | Luciany Aparecida Alves Santos |
| Pseudônimo(s) | Ruth Ducaso, Margô Paraíso e Antônio Peixôtro |
| Nascimento | 1982 (44 anos) Vale do Jequiriçá, Bahia |
| Educação | Doutora em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) |
| Profissão | Escritora, Professora |
Luciany Aparecida Alves Santos (Vale do Jequiriçá, 1982) é uma escritora, pesquisadora e professora brasileira. Embora seja natural da região do Charco, no Vale do Jiquiriçá, no estado da Bahia, ela agora mora em São Paulo e é professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).[1] Com o livro Mata Doce, foi finalista do Prêmio Jabuti 2024,[2][3] e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura 2024, na categoria Melhor Romance do Ano de 2023.[4][5]
Biografia e Vida Pessoal
Luciany Aparecida nasceu em 1982 em Jaguaquara, no Vale do Jequiriçá, Bahia, e foi criada entre a comunidade do Charco, na zona rural de Irajuba, e o município de Santa Inês (Bahia).[6][7] Sua mãe, Luci Iara Vieira Alves, teve um parto difícil e foi falsamente declarada morta. Durante o alarme falso, a prima Nilza deu o nome Aparecida à criança sobrevivente, e a Luci acordou. Então, o nome Luciany Aparecida vem da combinação do nome da mãe com o da Nossa Senhora, a quem é atribuído o milagre da sua salvação. [8]
Até os cinco anos de idade, Aparecida foi criada na casa dos avôs, junta com a mãe, sete tias e seis tios. Por ser cercada de adultos, idosos, e vários formas de mídia, Luciany ouvia muitas histórias e ideias da família e das pessoas ao seu redor. Porém, aos cinco anos, a avô, Maria Ruth Vieira, a levava a Santa Inês, onde viviam sozinhas para a Luciany ir à escola e receber uma educação de melhor qualidade do que se oferecia no Charco. [8]
“Minha palavra tem uma geografia e ela sempre vai ser o que ficcionalizamos como Nordeste, sempre terá mulheres, mulheres mais idosas e tensões raciais e com o patriarcado [...] Fui criada por uma idosa, então eu escutava histórias bem antigas, dos avós de minha avó, das minhas bisavós e tataravós, do século XIX [...] Quando as amigas da minha avó começaram a morrer, percebi que tinha convivido com uma geração diferente da experiência das minhas amigas. Não convivi com a geração da minha mãe, mas com mulheres de 60, 70 anos.” [8]
Até seus 19 anos, elas somente visitavam Charco quando estavam de férias, mas a Aparecida estava aprendendo habilidades que serviam para o escrito dela, e publicou os primeiros 200 exemplares de um dos primeiros romances, Ezequiel, em maneira artesenal, costurando cada um a mão. [8]
No dia 27 de novembro de 2025, se noivou com escritora e tradutora Natalia Borges Polesso.[9]
Educação e Carreira
Aparecida recebeu sua Licenciatura em Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) em 2007, seu Mestrado em 2011 em Letras e seu Doutorado em 2015 em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB).[10] No âmbito da crítica literária, os estudos da autora versam sobre a teoria literária, a literatura contemporânea, na interface entre história, memória, ancestralidade, afro-diáspora, imigração, nação e performances. Sua tese de doutorado recebeu parecer “aprovada com distinção”, devido ao estudo do Poemário Modelosvivos (2010), de Ricardo Aleixo.[11] Atualmente, trabalha no Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP) como Professora Doutora no Programa de Pós-Graduação em Literatura e Crítica Literária.[12]
Além de ser professora, Luciany Aparecida é uma autora prolífica, escrevendo sob vários pseudônimos sobre assuntos que geralmente incomodam, como violência colonial, patriarcado e questões de gênero. Porém, é assim mesmo que ela pretende: "a escritora espera, deliberadamente, nos desassossegar de nossos possíveis lugares de naturalização do machismo e do racismo, tecnologias de poder que operam na manutenção de uma lógica colonial não aniquilada no país." [8] As obras da Aparecida servem como mensagens ativistas pelas comunidades afro-brasileiras, LGBTQ+ e feministas.
Luciany também participa em vários foruns, entrevistas, podcasts e outras aparências da mídia para promover tanta a literatura quanto o ativismo e especialmente a combinação dos dois. Assim, ela se tira dos limites de um plataforma só e se coloca em frente de vários alunos sociais e literários. [13][14]
Assinaturas Estéticas
Luciany Aparecida, além do seu próprio nome, tem três pseudónimos principais, ou, como ela prefere chamá-los, assinaturas estéticas: Ruth Ducaso, Margô Paraíso e Antônio Peixôtro.
Ao inventar nomes, heterônimos, não elaboro um trabalho de criatividade literária apenas. Pois, não é permitido a mim, nesse contexto rançoso das violências coloniais (patriarcalismo, machismo, racismo e LGBTQIAP+fobia), ser apenas criativa. Sempre tenho que ser criativa e algo mais. Assim digo que realizo, com as assinaturas, uma criação teatral contracolonial. E não um heterônimo marcador de tradição pessoana. [8]
Ela é conhecida pelo seu trabalho em poesia, teatro e ficção, sob cada pseudónimo. Aparecida prefere chamar os seus pseudónimos de assinaturas estéticas ou poéticas, pois usa cada um deles de acordo com o estilo geral de escrita que planeia usar ou o efeito que deseja causar nos seus leitores.[8]
Ruth Ducaso é usada para prosa[6], cujos textos eram frequentemente melancólicos, depressivos ou tratavam de suicídio.[8] O nome Ruth Ducaso foi inspirado por duas fontes. A primeira foi a sua avó, Maria Ruth Vieira, uma professora de alfabetização, que incentivou Aparecida a escrever e também lhe ensinou sobre os problemas do racismo e outras questões sociais. A segunda foi o desejo de homenagear todas as mulheres latino-americanas que vieram antes dela, usando o nome Ducaso (ao caso = o caso) para fazer referência às mulheres durante o período colonial da escravatura que tiveram de mudar os seus nomes de origem africana para nomes europeus a fim de sobreviver.[8]
Margô Paraíso é usada para poesia e é frequentemente violenta.[8][6] Margô é a abreviação de Margarida. Durante a infância de Aparecida, a sua avó costumava recolher garrafas de vidro para trocar por margaridas, um sinal da sua situação financeira precária. Paraíso é usado para se referir a questões relacionadas com o cristianismo. Aparecida disse que este nome foi fortemente inspirado por cenas grandiosas e terríveis da Bíblia.[8]
Antônio Peixôtro é ilustrador.[8][6] O nome foi escolhido em homenagem ao seu avô, um agricultor tranquilo com quem Aparecida passava o tempo observando as nuvens e ouvindo poesia no rádio.[8]
Luciany Aparecida decidiu começar a escrever sob o seu próprio nome durante a pandemia da COVID-19. Ela decidiu que precisava de uma nova narrativa para usar[8] e que queria criar mais representatividade para grupos minoritários, muitos dos quais ela própria faz parte, como mulher negra e lésbica.[6] Assim, decidiu apresentar-se de forma mais aberta ao mundo.
Obras
Todas as obras a seguir pertencem a Luciany Aparecida, independente do nome na publicação. Ela também pretende publicar o seu próximo livro, Tinta da Bahia, em 2026, sob o nome de Luciany Aparecida.[15]
| Título da obra | Gênero | Nome da autoria | Editor | Ano de publicação | Edição | Número de páginas |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Contos Ordinários de Melancolia[15][16] | Romance/novela/conto | Ruth Ducaso | Salvador: Paralelo13S | 2019 | 2 | 82 |
| Florim[15][16] | Romance/novela/conto | Ruth Ducaso | Salvador: Boto cor-de-rosa livros, arte e café/paralelo13S | 2020 | 1 | 67 |
| Mata Doce[15][16] | Romance/novela/conto | Luciany Aparecida | Rio de Janeiro: Alfaguara | 2023 | 1 | 305 |
| Ezequiel[15][16] | Poesia | Margô Paraíso | Salvador: Pantim | 2018 | 1 | 80 |
| Macala[15][16] | Poesia | Luciany Aparecida | São Paulo: Círculo de Poemas | 2022 | 1 | 24 |
| Joanna Mina[15][16] | Dramaturgia | Luciany Aparecida | Salvador: selo editorial paralelo13S | 2022 | 1 | 134 |
| Dramaturgias em processo: 2021 JOANNA MINA[15][16] | Dramaturgia | Luciany Aparecida | São Paulo: Teatro da Universidade de São Paulo | 2021 | 1 | 480 |
| 40 em quarentena. Festejos de Liberdade. In: Jorge Marques[16] | Antologias | Luciany Aparecida | Rio de Janeiro: Oficina Raquel | 2020 | 1 | 1851 |
| Memória de Passarinho. In: Tiburi, Marcia. (Org.). Ato Poético.[16] | Antologias | Rio de Janeiro: Oficina Raquel | 2020 | 1 | 1 | |
| Descuidosa de sua beleza. In: Nívia Maria Vasconcellos. (Org.)[16] | Antologias | Itabuna: Mondrongo | 2020 | 1 | 135-144 | |
| Correio literário. De Luciany Aparecida para Gloria Anzaldúa[16] | Antologias | Luciany Aparecida | Rio de Janeiro: Bazar do Tempo | 2024 | -- | -- |
| Auto-retrato[15][16] | Não-ficção | Ruth Ducaso e Antônio Peixoto como ilustrador | Salvador: Pantim | 2018 | 1 | 40 |
| Cadernos Araxá[16] | Não-ficção | Salvador: Pantim | 2018 | 1 | 307 | |
| Estudos de literatura brasileira contemporânea. Vaga carne: a visão da voz[16] | Não-ficção | -- | 2023 | 1 | 1-3 | |
| AFROASIA, Poesia e sociedade na literatura brasileira contemporânea[16] | Não-ficção | -- | 2022 | 65 | 839-844 | |
| A Journal of Brazilian Literature. Fernanda Bastos. Selfie-purpurina[16] | Não-ficção | Brasil/Brazil | 2022 | 35 | 186-188 | |
| Revista Brasileira de Literatura Comparada. Não quero mais negar minha alma[16] | Não-ficção | -- | 2021 | 23 | 140-145 | |
| Cerrados. Metamorfose das Feridas: Formação diaspórica na literatura contemporânea[16] | Não-ficção | -- | 2021 | 30 | 1 | |
| Modelos vivos em uso: Poesia e performance de Ricardo Aleixo (em) um exercício crítico de literatura contemporânea[16] | Não-ficção | Luciany Aparecida | Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa | 2015 | 1 | 254 |
Referências
- ↑ «Luciany Aparecida». Luciany Aparecida. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ Pinotti, Fernanda. «Conheça os 5 romances finalistas do Prêmio Jabuti 2024». CNN Brasil. Consultado em 12 de novembro de 2024
- ↑ «Conheça a escritora baiana Luciany Aparecida, autora do livro 'Mata Doce' - Estadão Expresso». 28 de março de 2024. Consultado em 12 de novembro de 2024
- ↑ «Luciany Aparecida e Eliane Marques vencem Prêmio São Paulo de Literatura». O Globo. 11 de novembro de 2024. Consultado em 12 de novembro de 2024
- ↑ «Eliane Marques e Luciany Aparecida são as vencedoras do Prêmio São Paulo de Literatura 2024». www.folhape.com.br. Consultado em 12 de novembro de 2024
- ↑ a b c d e «Finalista do Prêmio Jabuti com 'Mata Doce', Luciany Aparecida defende narrativas sobre mulheres fortes: 'Histórias de liberdade' | Novembro Negro». G1. 20 de novembro de 2024. Consultado em 20 de novembro de 2024
- ↑ Lopes, Anna Flávia (17 de novembro de 2024). «Conheça "Mata Doce" vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura». Portal GeekPop News. Consultado em 20 de novembro de 2024
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n Divulgação, Edma de Góis | Imagens: Larissa Queiroz /. «Todos os nomes de Luciany Aparecida». www.pernambucorevista.com.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Instagram». www.instagram.com. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «ORCID». orcid.org. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «Luciany Aparecida - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 12 de novembro de 2024
- ↑ «ORCID». orcid.org. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Writing Against the Map | HKW Haus der Kulturen der Welt». HKW (em inglês). Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ TV Brasil (17 de janeiro de 2024), Autora baiana Luciany Aparecida é a convidada do Trilha de Letras, consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i Pasko, Priscila (20 de maio de 2025). «Luciany Aparecida: "As pessoas esperam que nosso texto recaia só no que elas apontam como panfletário"». Nonada Jornalismo. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p q r s «Luciany Aparecida - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 9 de dezembro de 2025