Luísa Ulrica da Prússia

Luísa Ulrica
Retrato por Lorens Pasch, o Jovem, 1775
Rainha Consorte da Suécia
Reinado25 de março de 1751
a 12 de fevereiro de 1771
Coroação26 de novembro de 1751
PredecessoraUlrica Leonor da Suécia
SucessoraSofia Madalena da Dinamarca
Dados pessoais
Nascimento24 de julho de 1720
Berlim, Prússia
Morte16 de julho de 1782 (61 anos)
Palácio de Svartsjö, Färingsö, Suécia
Sepultado emIgreja de Riddarholmen, Estocolmo, Suécia
MaridoAdolfo Frederico da Suécia
Descendência
Gustavo III da Suécia
Carlos XIII da Suécia & II da Noruega
Frederico Adolfo, Duque da Gotalândia Oriental
Sofia Albertina da Suécia
CasaHohenzollern (por nascimento)
Holsácia-Gottorp (por casamento)
PaiFrederico Guilherme I da Prússia
MãeSofia Doroteia de Hanôver
ReligiãoLuteranismo
AssinaturaAssinatura de Luísa Ulrica
Brasão

Luísa Ulrica (em alemão: Luise Ulrike; sueco: Lovisa Ulrika; Berlim, 24 de julho de 1720Färingsö, 16 de julho de 1782) foi a esposa do Rei Adolfo Frederico e Rainha Consorte da Suécia de 1751 até 1771. Nascida uma princesa prussiana, era filha do rei Frederico Guilherme I e de Sofia Doroteia de Hanôver.

Como rainha, Luísa Ulrica foi uma figura politicamente ativa e controversa, empenhada em restaurar a monarquia absoluta na Suécia e em reduzir o poder do Parlamento da Suécia, recorrendo a alianças partidárias, intrigas cortesãs e sucessivas tentativas de golpe de Estado, especialmente em 1748, 1751 e 1756. Embora não tenha conseguido impor seu projeto autoritário durante o reinado do marido, exerceu influência relevante na política externa, com destaque para sua atuação nas negociações de paz com a Prússia durante a Guerra dos Sete Anos, e teve papel marcante como mecenas da cultura e da ciência, apoiando artistas, intelectuais e instituições acadêmicas. Seu ideal político concretizou-se indiretamente em 1772, quando seu filho, Gustavo III, reinstaurou a monarquia absoluta. Ela morreu em 1782, aos 61 anos.

Início de vida

Luísa Ulrica nasceu em Berlim, filha do rei Frederico Guilherme I da Prússia e de sua esposa Sofia Doroteia de Hanôver e, portanto, irmã mais nova de Frederico, o Grande. Recebeu o nome sueco Ulrica em homenagem à rainha Ulrica Leonor da Suécia, que foi sua madrinha.[2] Ela mantinha correspondência com a rainha, e, embora Ulrica Leonor não tivesse filhos, havia especulações sobre a possibilidade de Luísa Ulrica se casar com algum herdeiro sueco no futuro.[3]

Luísa Ulrica foi descrita como bela, inteligente, de temperamento forte e vontade determinada.[2] Recebeu uma educação avançada, baseada nos princípios do Iluminismo francês, sob a orientação da governanta Marthe de Roucoulle e do preceptor Maturin Veyssière la Croze, ambos huguenotes franceses. Seus interesses intelectuais não eram restringidos por seu pai, que, embora desaprovasse a busca pelo conhecimento por parte de seus filhos homens, apoiava a educação de Luísa Ulrica, considerada, segundo registros, sua filha favorita.[2] Ela mantinha um relacionamento relativamente bom com seu irmão mais velho, o futuro Frederico, o Grande, compartilhando com ele o interesse pela ciência e pela cultura. Entre seus irmãos, tinha especial apreço pelo irmão mais novo, o príncipe Augusto Guilherme, e pela irmã, a princesa Sofia Doroteia.[2]

Casamento

Negociações

Luísa Ulrica, por Antoine Pesne, 1738.

A partir de 1732, diversos casamentos dinásticos foram considerados para Luísa Ulrica, incluindo Frederico, Príncipe de Gales, Carlos III da Espanha e Luís de Hesse-Darmstadt,[4] mas nenhum deles se concretizou.

Em 1743, foi realizada uma eleição para designar um herdeiro ao trono sueco, uma vez que Frederico I da Suécia, viúvo da falecida rainha Ulrica Leonor, não tinha filhos. O Cardeal Fleury, regente de facto da França, sugeriu um casamento entre Luísa Ulrica e o candidato francês Cristiano IV, Conde Palatino de Zweibrücken.[4] Esses planos foram interrompidos quando Cristiano perdeu a eleição para o candidato russo, Adolfo Frederico de Holsácia-Gottorp. Posteriormente, ao negociarem um casamento para o recém-eleito príncipe herdeiro, Adolfo Frederico, a primeira candidata considerada foi a princesa Luísa da Dinamarca. Esses planos, entretanto, foram revogados em função da decisão de estabelecer uma tríplice aliança entre Suécia, Rússia e Prússia por meio de casamentos dinásticos.[5]

Segundo esse acordo, o herdeiro do trono sueco deveria casar-se com um membro da casa real prussiana, enquanto o herdeiro do trono russo se casaria com Sofia de Anhalt-Zerbst, a futura imperatriz Catarina II da Rússia, escolhida pela Prússia.[6] Nesse contexto, Luísa Ulrica ou sua irmã, a princesa Ana Amália, seriam as candidatas ao casamento com o herdeiro sueco. O enviado sueco em Berlim, Carl Rudenschöld, inspecionou ambas e recomendou que a proposta fosse feita a Luísa Ulrica.[7] O próprio Frederico, o Grande, contudo, preferia Ana Amália para o casamento sueco, descrevendo-a aos representantes suecos como bondosa e mais adequada para a Suécia. Já Luísa Ulrica seria, segundo ele, arrogante, temperamental e uma intrigante conspiradora.[8] Supõe-se que o julgamento de Frederico tenha se baseado no fato de que Ana Amália seria mais fácil de controlar como agente prussiana na Suécia, enquanto Luísa Ulrica, determinada e dominante, representaria um desafio maior à influência prussiana.[9]

Casamento e chegada à Suécia

Luísa Ulrica, por Antoine Pesne, c. 1744.

Em 17 de julho de 1744, Luísa Ulrica e Adolfo Frederico casaram-se por procuração em Berlim, tendo como representante do noivo ausente o irmão predileto da noiva, Augusto Guilherme. Luísa Ulrica foi escoltada de Berlim até a Pomerânia Sueca pelo enviado sueco, conde Carl Gustaf Tessin, por sua esposa, Ulla Tessin, e pela sobrinha desta, Charlotta Sparre, que foi nomeada sua dama de honra. Na Pomerânia Sueca, a comitiva foi recebida pelo Governador-Geral sueco da província e pela corte da falecida rainha, sob a liderança de sua Camareira-Mor, a condessa Hedvig Elisabet Strömfelt. Nessa ocasião, Luísa Ulrica manteve apenas sua dama de companhia, Wilhelmine von der Knesebeck, e alguns criados de sua comitiva prussiana.

A comitiva partiu da ilha de Rügen e chegou à Suécia pela cidade de Karlskrona, onde Luísa Ulrica foi oficialmente recebida por seu esposo, o príncipe herdeiro Adolfo Frederico da Suécia. Em 18 de agosto de 1744, o casal foi recebido pelo rei Frederico I no Palácio de Drottningholm, local em que, no mesmo dia, realizou-se a segunda cerimônia de casamento, seguida de um baile, uma recepção na corte e da consumação da união. Relata-se que Luísa Ulrica e Adolfo Frederico causaram uma impressão mutuamente favorável em seu primeiro encontro, sendo sua relação pessoal descrita como harmoniosa e feliz.[10] Adolfo Frederico é caracterizado como introvertido, gentil e submisso. Segundo os relatos, Luísa Ulrica ficou satisfeita com o esposo por ter imediatamente percebido que ocupava uma posição de superioridade em relação a ele.[10] Já no primeiro dia de convivência, ela o informou de que seu irmão, Frederico, o Grande, tinha planos para uma aliança entre Suécia, Rússia e Prússia, solicitando-lhe que abordasse o tema com o enviado prussiano, ao que ele prontamente concordou.[10]

Princesa Herdeira da Suécia

Atividade política

Luísa Ulrica, quando princesa herdeira, por Antoine Pesne, c. 1744.

Desde o momento de sua chegada à Suécia, Luísa Ulrica passou a envolver-se ativamente em assuntos políticos. Seu ideal político era a monarquia absoluta, e ela demonstrou aversão à monarquia constitucional sueca assim que lhe foi apresentada.[2] Também manifestava descontentamento com o sistema de justiça vigente. Em determinada ocasião, ao sentir-se ameaçada por uma suposta conspiração, escreveu: As leis são tão estranhas, e não se ousa prender alguém por mera suspeita sem provas, o que beneficia mais o indivíduo do que o Reino. Essa visão revela sua concepção autoritária do exercício do poder.[11] Luísa Ulrica respeitava a habilidade política de Carl Gustaf Tessin e o identificava como um aliado fundamental em seu objetivo de fortalecer a autoridade real. No Natal de 1744, ela o visitou e presenteou-o com uma lanterna em forma da deusa romana Diana, com a inscrição: Concebida unicamente para esclarecer o sistema político vigente, gesto carregado de simbolismo político.[12]

Em seu círculo cortesão, Luísa Ulrica cercou-se majoritariamente de simpatizantes do Partido dos Chapéus (em sueco: Hattpartiet). Sua favorita, Henrika Juliana von Liewen, era uma destacada partidária desse grupo, assim como Claes Ekeblad, Hans Henrik von Liewen, Anders Johan von Höpken e outros membros de seu círculo íntimo. Por meio dessas conexões na corte, estabeleceu uma aliança estratégica com os Chapéus.[2] Sua principal estratégia consistia em influenciar as votações do Parlamento da Suécia por meio de subornos.[2] Após o nascimento de seu filho mais velho, um menino natimorto, em 1745, acompanhou o Príncipe Herdeiro em uma viagem oficial pelo país, durante a qual recrutou agentes entre os membros do Partido dos Chapéus mediante incentivos financeiros.[2] Em uma visita do parlamentar Kalsenius, também pertencente aos Chapéus, Luísa Ulrica teria afirmado: O maior vilão do mundo, mas não sairei daqui até suborná-lo. Esse é o único meio pelo qual se pode alcançar o objetivo desejado.[13] Registra-se que Kalsenius passou a votar de acordo com os interesses de Luísa Ulrica nas deliberações do parlamento. Seu objetivo final era derrubar a constituição vigente e restaurar na Suécia uma monarquia absoluta esclarecida. Tais intenções tornaram-se conhecidas internacionalmente com a criação da Ordem da Harmonia, cujo lema enfatizava a unidade.[2] Os planos de Luísa Ulrica encontraram oposição da Rússia e da Grã-Bretanha, que, em 1746, aliadas ao Partido dos Chapéus, tentaram promover um golpe de Estado por meio de seus agentes na Suécia, direcionado contra a casa real.[2]

Em fevereiro de 1748, a própria Luísa Ulrica preparou seu primeiro golpe de Estado com o objetivo de depor o regime parlamentar e instaurar a monarquia absoluta. Naquele contexto, o rei encontrava-se doente e a Rússia estava envolvida na Guerra da Sucessão Austríaca. Com o apoio de Tessin e de seu irmão, Frederico, o Grande, Luísa Ulrica e os Chapéus concordaram em alterar a constituição em favor de um fortalecimento do poder real, caso o rei falecesse enquanto a Rússia estivesse impossibilitada de reagir devido ao conflito.[2] Segundo o plano, o parlamento manteria autoridade sobre a legislação, enquanto o monarca assumiria o controle do exército, do tesouro e da política externa.[2] No entanto, o golpe foi abortado com o fim da guerra e a recuperação do rei Frederico I.[2] No campo da política externa, Luísa Ulrica manteve-se leal à Prússia. Seu irmão, Frederico, o Grande, encarregou-a de romper a aliança entre a Suécia e a Rússia em favor de uma aproximação com a Prússia. Para tanto, ela aliou-se a Tessin, ao embaixador prussiano e ao Partido dos Chapéus, persuadiu Adolfo Frederico a declarar apoio à política prussiana e, embora tenha fracassado na votação de 1745, obteve êxito em 1747, quando o parlamento aprovou uma aliança entre a Suécia, a Prússia e a França.[14]

Atividade cultural

Luísa Ulrica retratada como a deusa romana Aurora, por François Adrien Grasognon Latinville, 1747.

Luísa Ulrica foi recebida com grande entusiasmo na Suécia, sendo vista como a esperança para a superação da crise sucessória que afetava a monarquia. Com o nascimento de seu primeiro filho sobrevivente, Gustavo, em 1746, fato notável, uma vez que não havia ocorrido o nascimento de uma criança na Casa Real sueca havia mais de cinquenta anos. Ela conquistou significativa popularidade inicial, atribuída à sua beleza, inteligência e vivo interesse pelas ciências e pela cultura. Carl Gustaf Tessin descreveu-a como possuidora da "sabedoria de um deus na imagem de um anjo".[2] Embora o francês fosse sua língua materna, Luísa Ulrica dedicou-se ao aprendizado do sueco, tendo aulas com Carl Jesper Benzelius, e dominou o idioma em apenas dois anos. Estudou literatura sueca, reuniu uma biblioteca composta por obras nesse idioma, manteve correspondência com a Real Academia Sueca de Ciências e formou uma expressiva coleção de livros voltados às ciências naturais.[2] Todavia, seu comportamento frequentemente considerado arrogante e altivo contribuiu, com o tempo, para a diminuição de sua popularidade fora do círculo da corte.

Após sua chegada à Suécia, recebeu o Palácio de Drottningholm como residência de verão. Nesse local estabeleceu-se a chamada "Jovem Corte", que se dedicava a atividades recreativas como piqueniques, bailes de máscaras e apresentações de teatro amador em língua francesa.[2] A corte do Príncipe Herdeiro era amplamente influenciada por Carl Gustaf Tessin, que havia escoltado Luísa Ulrica até a Suécia e permaneceu como um de seus favoritos durante os anos em que ela foi Princesa Herdeira.[2] Adolfo Frederico nunca demonstrou grande apreço por Tessin,[2] mas Luísa Ulrica nomeou-o marechal da corte e, posteriormente, governador real de seu filho, o príncipe Gustavo. Tessin esteve envolvido na organização de muitas das diversões promovidas no círculo da Princesa Herdeira e era conhecido por sua constante disposição em agradá-la.[2] Circularam rumores não confirmados de que Tessin teria sido amante de Luísa Ulrica durante esse período. Anos mais tarde, seu filho, Gustavo III, abordou tais especulações, afirmando que, embora o conde estivesse apaixonado por sua mãe, seus sentimentos não foram correspondidos, uma vez que um relacionamento amoroso com um nobre contrariaria o "desprezo natural" que Luísa Ulrica, enquanto membro da realeza, nutria por todos os seus súditos, fossem eles nobres ou não.[15]

Rainha da Suécia

Partido da Corte Real

Retrato de Luísa Ulrica (à esquerda), em traje de coroação, por Niklas Lafrensen, o Velho; à direita, o traje exposto na sala de audiências da rainha, no Palácio Real de Estocolmo.

Em 1751, na noite que antecedeu a morte do rei Frederico I, Luísa Ulrica preparou um golpe de Estado em conjunto com o príncipe herdeiro Adolfo Frederico e Hans Henrik von Liewen.[16] O plano consistia em que, em vez de ser confirmado como monarca pelo Parlamento dos Estados após prestar o juramento real de respeito à constituição, Adolfo Frederico tomasse a iniciativa e, imediatamente após a morte do rei, assumisse o controle do Conselho Real, proclamando-se monarca por direito hereditário, e não eleito pelo parlamento.[17]

Com o objetivo de investigar os preparativos do Conselho Real, Luísa Ulrica entrou pessoalmente em contato com seu favorito, o conselheiro Carl Gustaf Tessin, em seus aposentos naquela noite.[18] Contudo, Tessin recusou-se a informá-la sobre os planos do conselho e, além disso, negou-se a apoiar seus projetos golpistas.[18] No momento da morte do rei, em 25 de março, Tessin apresentou a Adolfo Frederico uma declaração de juramento real para ser assinada antes de seu reconhecimento como rei. Em 26 de março de 1751, Adolfo Frederico prestou juramento ao Parlamento dos Estados, comprometendo-se a respeitar a constituição, antes de ser oficialmente reconhecido como rei, na presença de Luísa Ulrica. Antes da coroação, Luísa Ulrica, em colaboração com seu irmão Frederico II da Prússia, tentou demonstrar que a constituição concedia ao monarca mais poder do que aquele reconhecido pelo parlamento e deixou claro que considerava a possibilidade de impedir que Adolfo Frederico assinasse o juramento.[18] Contudo, na véspera da coroação, foi forçada a permitir que ele o assinasse.[19]

Carruagem utilizada na coroação de Luísa Ulrica e Adolfo Frederico, em 1751.

Adolfo Frederico e Luísa Ulrica foram coroados Rei e Rainha da Suécia na Catedral de Estocolmo, em 26 de novembro de 1751. Como rainha, Luísa Ulrica desempenhou um papel relevante como mecenas da cultura e da ciência. Em 1753, fundou a Real Academia Sueca de Letras, História e Antiguidades e foi patrona de Carl von Linné, a quem confiou a coleção de ciências naturais do Palácio de Drottningholm. Sua chamada "adoção" de Gustav Badin teve, na realidade, o propósito de um experimento de caráter científico. Ela também foi mecenas de artistas como Hedvig Charlotta Nordenflycht, Olof von Dalin, Jean Erik Rehn e Johan Pasch. Além disso, ordenou a construção do Teatro do Palácio de Drottningholm e do Teatro Confidencen. No entanto, por sua forte francofilia, característica comum à época, acabou por interromper o desenvolvimento do teatro sueco, ao expulsar o recém-fundado teatro de língua sueca do Bollhuset e substituí-lo por uma companhia francesa, a Du Londel Troupe, que beneficiava apenas o público francófono.[20]

Efígie da rainha Luísa Ulrica em moeda comemorativa de 1751.

Imediatamente após a coroação, Luísa Ulrica passou a preparar um novo golpe em favor da monarquia absoluta.[21] A rainha exercia forte influência sobre o marido e sobre a corte e, caso a Suécia fosse uma monarquia absoluta, provavelmente teria sido a verdadeira governante durante o reinado de Adolfo Frederico. No entanto, naquele contexto constitucional, o rei desempenhava um papel essencialmente simbólico, o que desagradava profundamente a rainha, nascida e criada em um regime absolutista. Luísa Ulrica não compreendia nem tolerava o sistema parlamentar sueco, representado pelo parlamento. Para ela, era inadmissível que membros da realeza fossem obrigados a receber camponeses nos salões reais, como ocorria com os representantes camponeses do parlamento. Sua indignação aumentou quando o parlamento forçou o rei a renunciar às suas pretensões ao trono de Holsácia-Gottorp. Em demonstração de desprezo, ela passou a humilhar os representantes do parlamento por meio do rígido protocolo da corte: mandava deter suas carruagens nos portões do palácio, obrigava-os a esperar por horas enquanto recebia pessoas que chegavam depois e os fazia sentar-se em cadeiras menores, como forma de desconsideração. Nos teatros da corte, a companhia teatral francesa e a companhia de ópera italiana encenavam peças que incentivavam o rei a assumir o controle efetivo de seu reino.[20]

Nesse período, Tessin deixou de ser seu aliado político. Em seu diário, escreveu que Luísa Ulrica já não discutia política com ele e afirmava "não participar da política".[2] A rainha também rompeu sua antiga aliança com o Partido dos Chapéus, que se opunha aos seus projetos de instauração de uma monarquia absoluta. Em seu lugar, formou um novo grupo político entre a oposição no parlamento, prometendo recompensas a seus seguidores em caso de êxito de um golpe em favor do poder real. Esse grupo passou a ser conhecido como Partido da Corte Real (sueco: Hovpartiet), tendo como principais membros Carl Gustaf Löwenhielm, Adam Horn, Nils Adam Bielke, Erik Brahe, Eric Wrangel e Gustaf Jacob Horn.[22] Em 1753, Luísa Ulrica planejou um golpe contra o Conselho Real para derrubar a constituição, em colaboração com Anders Johan von Höpken, Carl Fredrik Scheffer e Claes Ekeblad. O plano, contudo, foi abortado quando Ekeblad se recusou a participar.[21] A rainha também tentou, sem sucesso, convencer a França a retirar seu apoio aos Chapéus, com o objetivo de enfraquecê-los em um conflito constitucional que ela e o Partido da Corte Real previam. Alegava não desejar modificar a constituição, mas apenas demonstrar que ela concedia ao monarca mais poder do que o parlamento estava disposto a admitir.[2]

O ano de 1754 marcou o afastamento definitivo de Tessin, cujo prestígio junto à rainha vinha se deteriorando desde 17501751. Inicialmente, isso ocorreu quando ele utilizou o parlamento para obrigá-la a aceitar o noivado do príncipe herdeiro Gustavo com Sofia Madalena da Dinamarca, enquanto ela desejava casá-lo com sua sobrinha, a marquesa Filipina de Brandemburgo-Schwedt.[23] Posteriormente, o afastamento se aprofundou quando Tessin traiu seus planos de golpe por ocasião da ascensão de Adolfo Frederico ao trono.[23] A relação entre Luísa Ulrica e Tessin nunca foi bem vista pelo rei. Testemunhas contemporâneas afirmavam que Tessin "era apaixonado por Luísa Ulrica e que nem sempre conseguia esconder seus sentimentos pela princesa herdeira".[22] Não se sabe se houve algum relacionamento físico entre ambos, mas a própria rainha menciona em suas memórias que se sentiu ofendida de alguma forma nesse aspecto.[24] Segundo o que o príncipe herdeiro Gustavo escreveu em 1769, Tessin teria feito a Luísa Ulrica "sugestões muito aquém da reverência devida a um soberano".[25] Sentindo seu orgulho ferido, a rainha informou o rei, que surpreendeu Tessin ajoelhado diante dela, episódio que resultou na animosidade de Adolfo Frederico em relação a Tessin e no consequente exílio do conde e da condessa Tessin da corte.[26] A única observação feita por Luísa Ulrica foi que sentia falta da condessa Tessin.

Golpe de 1756

Luísa Ulrica, por Carl Fredrich Brander.

A questão da substituição de Tessin como tutor do príncipe herdeiro colocou a rainha em conflito direto com o parlamento. Tessin foi destituído do cargo e substituído por Carl Fredrik Scheffer, candidato indicado pelo próprio parlamento, nomeação que foi imposta mesmo após a recusa explícita da rainha.[2] Em 1755, o parlamento apresentou sua decisão de corrigir as lacunas existentes na constituição, as quais Luísa Ulrica vinha utilizando para sustentar que o rei detinha maior poder constitucional do que aquele que o parlamento lhe reconhecia.[2] Declarou-se que tais brechas, que permitiam o fortalecimento do poder real, seriam eliminadas e que o monarca não mais teria o direito de se recusar a sancionar decisões: caso o fizesse, seria utilizado um carimbo com o seu nome para validar os atos.[2] Paralelamente, uma comissão estatal iniciou investigações sobre crimes políticos, o que resultou na perseguição aos partidários de Luísa Ulrica no interior do Partido da Corte Real. Um deles, Eric Wrangel, fugiu para a Noruega para evitar a prisão.[27] Segundo relatos, essa provocação desencadeou o plano da rainha para um golpe de Estado, posteriormente conhecido como o Golpe de 1756.[2]

O plano inicial previa que o casal real viajasse a Uppsala sob o pretexto de uma visita ao Palácio de Drottningholm. Em Uppsala, seriam convocados os regimentos de Närke, Värmland e possivelmente Uppland, além da Guarda Real, para marchar em direção à capital. Contudo, esse plano foi abandonado em razão da doença do rei, em abril de 1755.[2] Para financiar o golpe, a rainha penhorou partes das Joias da Coroa em Berlim. Nos três meses subsequentes à sua coroação, Luísa Ulrica retirou 44 diamantes da Coroa da Rainha e os substituiu por peças de vidro, que foram empenhadas em Berlim como garantia de um empréstimo, com a ajuda de seu irmão Augusto.[2][28] Nesse contexto, rumores chegaram ao parlamento. Uma dama de companhia da rainha, Ulrika Strömfelt, leal ao Partido dos Chapéus e contrária à monarquia absoluta, teria informado o parlamento de que partes das Joias da Coroa estavam desaparecidas.

Em abril de 1756, o parlamento exigiu a realização de um inventário das Joias da Coroa. A rainha respondeu recusando-se a permitir a inspeção, por considerá-las sua propriedade privada.[2] Nesse período, o rei adoeceu, o que lhe deu tempo para providenciar a recuperação das joias em Berlim. Por fim, foi obrigada a concordar com a apresentação das peças para inventário em 22 de junho. Para impedir essa medida, ela e seus partidários do Partido da Corte Real, Hård, Horn e Brahe, planejaram executar o golpe antes dessa data, apesar dos protestos do rei Adolfo Frederico.[2] O plano consistia em subornar membros da população para provocar tumultos na capital. Em seguida, os partidários do Partido da Corte Real assumiriam o controle da guarda e da guarnição de Estocolmo, previamente preparadas por meio de subornos.[2] Quando os militares fossem mobilizados para conter os distúrbios, tomariam o controle do quartel-general militar da capital, o parlamento seria dissolvido, a oposição presa e um novo parlamento convocado, o qual seria forçado a aprovar uma nova constituição que restabeleceria a monarquia absoluta.[2]

Em 21 de junho de 1756, o monarquista Ernst Angel foi ouvido falando, em estado de embriaguez, sobre os planos de uma revolução real em uma taverna. Paralelamente, um dos oficiais monarquistas, Christiernin, tentou recrutar o cabo Schedvin, da guarnição, para o golpe; este, porém, informou o Partido dos Chapéus. Em 22 de junho de 1756, o rei e a rainha deixaram a capital rumo ao Palácio de Ulriksdal, a fim de evitar estarem presentes durante o inventário das Joias da Coroa. Nesse mesmo dia, Ernst Angel, Christiernin, Stålsvärd, Puke, Angel e vários outros conspiradores foram presos.[2] Durante os interrogatórios, Ernst Angel revelou toda a conspiração. Quando o rei e a rainha retornaram à capital naquela noite, as ruas já estavam patrulhadas pela milícia.[2] Os membros do Partido da Corte Real foram presos ou fugiram para evitar a detenção. Em julho de 1756, sete integrantes do grupo ligado à rainha foram executados.

O Parlamento dos Estados tinha plena consciência de que a rainha Luísa Ulrica era a principal responsável pela tentativa de golpe de Estado, e houve debates sobre como tratar sua culpa.[29] Contudo, ao final, nenhuma medida foi tomada contra ela, possivelmente em consideração às potências estrangeiras.[29] Em 4 de agosto de 1756, uma delegação do parlamento, liderada pelo Arcebispo de Uppsala, Samuel Troilius, apresentou a Luísa Ulrica uma nota oficial, à qual ela foi obrigada a responder com uma carta de arrependimento. A declaração afirmava que ela "havia esquecido seu dever para com Deus, seu consorte e o Reino da Suécia, e que era responsável pelo sangue dos recentemente executados".[30] Em sua resposta oficial, Luísa Ulrica agradeceu as repreensões em nome do bem da nação e de si própria, assegurando que "não desejava nenhum mal ao Reino".[31] Troilius relatou que "somente Deus sabe se tais palavras foram proferidas de coração, embora se deva esperar o melhor".[31] O arcebispo observou ainda "lágrimas de raiva e tristeza" em seus olhos.[31] Em particular, Luísa Ulrica considerou a reprimenda um insulto humilhante e escreveu a seu irmão, Frederico, o Grande, afirmando que, durante a audiência, tentou demonstrar "toda a frieza, todo o desprezo possível [...] Nos meus momentos mais difíceis, lembro-me de que sou irmã de Frederico, o Grande", e que não lamentava nada além do fracasso de sua revolução.[31] Ao mesmo tempo, o rei também recebeu uma declaração, lida por uma delegação do parlamento, advertindo que seria deposto caso um incidente semelhante voltasse a ocorrer.[2]

Guerra dos Sete Anos

Em 1757, a Suécia ingressou na Guerra dos Sete Anos e declarou guerra à Prússia, terra natal de Luísa Ulrica. A rainha opôs-se a essa decisão, considerando-a um insulto, sobretudo por presumir que uma eventual vitória sueca sobre a Prússia resultaria na deposição de Adolfo Frederico em favor de Cristiano de Zweibrücken-Birkenfeld.[32] Contudo, uma possível derrota sueca foi por ela interpretada como uma oportunidade favorável à realização de um golpe de Estado em prol da restauração da monarquia absoluta, uma vez que tal derrota enfraqueceria a credibilidade do parlamento.[32] Diante disso, solicitou com êxito a seu irmão, Frederico, o Grande, que a indicasse como mediadora em futuras negociações de paz.[32] Todavia, quando essa oportunidade se apresentou, em 1760, ela não pôde aproveitá-la devido à falta de recursos financeiros para o pagamento de subornos. Em 1761, entretanto, obteve apoio financeiro da Grã-Bretanha e da Prússia e, por meio de subornos, estabeleceu uma aliança com o Partido dos Toucas da Noite (em sueco: Mösspartiet), com o objetivo de influenciar o parlamento em favor da paz com a Prússia.[33]

Em janeiro de 1762, sua proposta de paz com a Prússia foi aprovada pelo parlamento graças ao apoio de parlamentares por ela subornados, mediante a promessa de não retaliar o Partido dos Chapéus. Recebeu, então, do próprio parlamento, a incumbência oficial de conduzir as negociações de paz com a Prússia e de assegurar a manutenção da Pomerânia sob domínio sueco, tarefa que desempenhou com êxito. Em reconhecimento a seus serviços ao Estado, foi formalmente agradecida pelo parlamento em maio do mesmo ano.[34] Como demonstração adicional de gratidão, o governo quitou suas dívidas, o que lhe possibilitou utilizar seus próprios recursos para continuar influenciando as votações no parlamento por meio de subornos.

O parlamento na década de 1760

Em troca de seus serviços prestados durante a guerra, ela exigiu a revogação da reforma constitucional de 1756.[2] Decidiu-se, então, pela convocação de um Parlamento extraordinário dos Estados para discutir uma constituição revisada, cuja reunião foi finalmente marcada para 1764. Nos dois anos que antecederam essa convocação, Luísa Ulrica negociou com membros dos partidos dos Chapéus e dos Toucas da Noite com o objetivo de preparar uma reforma bem-sucedida em favor da monarquia absoluta. Atuou como mediadora entre ambos os partidos, buscando uni-los em torno de uma proposta constitucional previamente acordada antes da abertura do parlamento.[2] Com o intuito de preparar as potências estrangeiras para um novo sistema político na Suécia, ela instituiu um gabinete secreto, denominado Secret de la Reine, destinado à condução de sua política externa privada. Para esse fim, nomeou inicialmente Carl Wilhelm von Düben e, posteriormente, Nils Filip Gyldenstolpe para o cargo de seu "ministro das Relações Exteriores".[35] Designou ainda Anders Rudolf Du Rietz como seu embaixador informal junto a imperatriz Catarina II, na Rússia, e assegurou a nomeação de Carl Julius von Bohlen como embaixador oficial da Suécia na Prússia.[36] Obteve o apoio da Rússia, da França e da Grã-Bretanha. Entretanto, não conseguiu levantar os recursos financeiros necessários para subornar os membros do parlamento que seria convocado.[37] Em novembro de 1764, a unidade entre os partidos dos Chapéus e dos Toucas da Noite foi rompida em razão das desconfianças mútuas entre a França, apoiadora dos Chapéus, e a Grã-Bretanha, aliada dos Toucas da Noite, o que privou Luísa Ulrica de sua aliança com o Partido dos Chapéus.[2]

Durante o Parlamento de 1765, a rainha tentou equilibrar as forças políticas entre os Chapéus e os Toucas da Noite mediante a criação de um terceiro partido, composto por seus apoiadores oriundos de ambas as facções, sob a liderança de seu aliado Malmstein, a quem conseguiu eleger como vice-presidente.[37] A eleição para o Parlamento de 1765 foi vencida pelo Partido dos Toucas da Noite. Ao demonstrar sua capacidade de influenciar as votações parlamentares por meio desse terceiro grupo, Luísa Ulrica assegurou uma aliança com os Toucas da Noite.[38] Convocou também o embaixador da Rússia ao Palácio de Kina Slott, a fim de garantir o apoio russo e de seu aliado, a Dinamarca.[38] Todavia, quando a questão constitucional foi finalmente debatida no parlamento, em agosto, os Toucas da Noite recusaram-se a aceitar qualquer ampliação do poder real e, ao contrário, impuseram novas restrições à autoridade da Coroa.[38] Dessa forma, os esforços de Luísa Ulrica fracassaram mais uma vez.

Morte do marido

Luísa Ulrica, por Lorens Pasch, o Jovem, 1768.

A posição de poder da rainha Luísa Ulrica deteriorou-se em decorrência do estado de saúde debilitado de seu marido, o rei Adolfo Frederico, bem como do progressivo amadurecimento político de seu filho, o príncipe herdeiro Gustavo. Consciente dessa ameaça à sua influência, Luísa Ulrica opôs-se, sem êxito, à entrada do filho no Conselho Real quando este foi declarado maior de idade, em 1762.[39] A relação já tensa entre mãe e filho, a quem ela passou a considerar um rival político, agravou-se ainda mais quando o príncipe contrariou sua vontade ao insistir em honrar o noivado com Sofia Madalena da Dinamarca, com quem acabou se casando em 1766, em vez de contrair matrimônio com uma princesa prussiana escolhida por ela. Gustavo interpretava essa escolha materna como uma tentativa de manter controle sobre sua pessoa e sobre a família real.[40] Após o Parlamento de 1766, deixou de ser Luísa Ulrica, passando a ser o príncipe herdeiro, quem assumiu a liderança dos defensores da monarquia absoluta. Em 1767, quando o embaixador francês esboçou a possibilidade de um golpe de Estado na Suécia, foi pela primeira vez o príncipe herdeiro, e não a rainha, que passou a ser considerado a figura central e natural para liderar tal iniciativa.[40]

Durante a Crise de Dezembro de 1768, o rei recusou-se a assinar um documento de Estado, o que levou à convocação de um novo parlamento para lidar com a situação.[40] Os monarquistas discutiram então a possibilidade de um golpe de Estado com o objetivo de dissolver o parlamento e restaurar a monarquia absoluta. Embora Luísa Ulrica não apoiasse a realização de um golpe naquele momento, sua posição foi desconsiderada, e o príncipe herdeiro passou a ser visto como o principal líder da oposição. O golpe acabou sendo abortado não em razão da oposição da rainha, mas devido ao rompimento de um acordo por parte do Partido dos Chapéus.[40]

Sua postura considerada arrogante, suas posições políticas e seus constantes conflitos com o parlamento contribuíram para que Luísa Ulrica se tornasse progressivamente impopular ao longo de seu reinado. Carl Gustaf Tessin afirmou certa vez a seu respeito:

Parece inegável que a nossa rainha teria sido a mais convicta das republicanas, se tivesse nascido súdita; contudo, Deus permitiu que ela nascesse em uma posição na qual se protege o próprio poder.[41]

Em 1771, com a morte do rei, Luísa Ulrica tornou-se rainha viúva. Àquela altura, sua impopularidade na Suécia era profunda. Quando a notícia do falecimento de seu pai chegou ao novo rei, Gustavo III da Suécia, então em Paris, ele escreveu recomendando que a rainha-mãe fosse protegida, pois, segundo suas próprias palavras, "sei o quanto minha mãe é pouco amada".

Rainha viúva

Luísa Ulrica, quando rainha viúva, por Alexander Roslin, 1775.

Na Revolução de 1772, seu filho alcançou aquilo que ela não lograra obter em 1756, ao restaurar a monarquia absoluta.[42] A revolução foi motivo de grande satisfação para Luísa Ulrica, que escreveu a Gustavo III para parabenizá-lo pelo golpe, declarando: Sim, tu és meu filho e mereces sê-lo. Corro para os teus braços e te abençoo. Talvez eu morra de alegria.[43] À época do golpe, ela encontrava-se em Berlim, acompanhando sua filha, e esteve presente na Pomerânia Sueca quando essa província jurou fidelidade à nova constituição. Quando seu irmão, o rei da Prússia, advertiu-a de que os países vizinhos poderiam atacar a Suécia, Luísa Ulrica respondeu que defenderia a Pomerânia Sueca contra ele com o próprio sangue.[44]

Não obstante, Luísa Ulrica jamais se conformou plenamente com sua condição de rainha viúva. Esperava exercer, de facto, o poder por trás do trono, e, quando seu filho deixou claro que governaria de forma independente, o relacionamento entre ambos deteriorou-se significativamente.[45] Em 1772, Gustavo III frustrou seus planos de casar seu segundo filho, Carlos, com Filipina de Brandemburgo-Schwedt, e, em 1774, Carlos contraiu matrimônio com Edviges de Holsácia-Gottorp.[45] O rei quitou as dívidas da mãe sob a condição de que ela mantivesse uma corte própria e separada no Palácio de Fredrikshof.[45] Em 1777, Luísa Ulrica foi compelida a vender o Palácio de Drottningholm ao filho.

Entre 1777 e 1778, o conflito entre mãe e filho atingiu seu ápice, e Luísa Ulrica tornou-se figura central no grande escândalo sucessório relacionado à legitimidade do príncipe herdeiro. Em 1777, seus dois filhos mais novos, Carlos e Frederico Adolfo, visitaram-na e afirmaram que todas as mulheres da corte possuíam amantes, não conseguindo recordar nenhuma exceção, exceto a própria mãe.[46] Luísa Ulrica respondeu que a rainha também deveria, certamente, constituir uma exceção. Em reação, os filhos riram e questionaram se ela desconhecia os rumores segundo os quais Sofia Madalena mantinha um relacionamento com o Conde Adolfo Frederico Minsque de Fulkila. Profundamente perturbada, Luísa Ulrica ordenou ao príncipe Carlos que investigasse a veracidade da acusação, pois, segundo ela, a sucessão ao trono estaria ameaçada por "uma descendência comum de um nobre sem distinção".[47] Carlos interrogou Minsque, que, por sua vez, falou com o rei Gustavo. O rei retornou a Carlos, alegando que toda a situação era responsabilidade da rainha-mãe, o que desencadeou um grave conflito entre mãe e filho. Quando o filho do rei nasceu, em 1778, espalharam-se rumores de que ele seria filho de Minsque. Luísa Ulrica acusou o próprio rei de ter permitido que outro homem fosse o pai de seu herdeiro, provocando um escândalo de grandes proporções, durante o qual Gustavo III chegou a ameaçá-la com o exílio para a Pomerânia.[48] No conflito subsequente, seus filhos mais novos, Sofia Albertina e Frederico, tradicionalmente seus favoritos, posicionaram-se ao seu lado contra o rei. Luísa Ulrica foi compelida a emitir uma declaração formal, na qual retirava suas acusações. O documento foi assinado por todos os membros adultos da família real, com exceção do casal real, incluindo dois príncipes, uma princesa, uma duquesa e seis membros do parlamento.[49] A reconciliação entre mãe e filho somente ocorreu quando Luísa Ulrica já se encontrava em seu leito de morte.

Luísa Ulrica faleceu em 16 de julho de 1782, aos 61 anos de idade, no Palácio de Svartsjö, em Färingsö.

Descendência

Nome Foto Nascimento Falecimento Notas
Filho natimorto 1745
Gustavo III 1746 1792 Casou-se com a princesa Sofia Madalena da Dinamarca, com descendência.
Carlos XIII & II 1748 1818 Casou-se com Edviges de Holsácia-Gottorp, sem descendência.
Frederico Adolfo 1750 1803 Duque da Gotalândia Oriental. Não se casou.
Sofia Albertina 1753 1829 Princesa-Abadessa de Quedlimburgo.

Ancestrais

Referências

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  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae af ag ah ai aj ak Jägerskiöld 1945, p. 10.
  3. Jägerskiöld 1945, pp. 10-11.
  4. a b Jägerskiöld 1945, pp. 41-43.
  5. Jägerskiöld 1945, pp. 40-43.
  6. Jägerskiöld 1945, pp. 40-47.
  7. Jägerskiöld 1945, pp. 46-47.
  8. Jägerskiöld 1945, p. 47.
  9. Jägerskiöld 1945, p. 49.
  10. a b c Jägerskiöld 1945, p. 79.
  11. Jägerskiöld 1945, p. 121.
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  13. Jägerskiöld 1945, p. 115.
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  15. Lindgärde & Mansén 1999, p. 91.
  16. Jägerskiöld 1945, pp. 147-149.
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  40. a b c d Jägerskiöld 1945, pp. 258-260.
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  42. Jägerskiöld 1945, pp. 271–274.
  43. Jägerskiöld 1945, p. 274.
  44. Jägerskiöld 1945, p. 273.
  45. a b c Jägerskiöld 1945, p. 10.
  46. Jägerskiöld 1945, pp. 280-282.
  47. Jägerskiöld 1945, p. 281.
  48. Jägerskiöld 1945, pp. 281-286.
  49. Jägerskiöld 1945, p. 286.
  50. Frederic Guillaume Birnstiel, ed. (1768). Genealogie ascendante jusqu'au quatrieme degre inclusivement de tous les Rois et Princes de maisons souveraines de l'Europe actuellement vivans (em francês). Bourdeaux: [s.n.] p. 16 

Bibliografia

Luísa Ulrica da Prússia
Casa de Hohenzollern
24 de julho de 1720 – 16 de julho de 1782
Precedida por
Ulrica Leonor da Suécia

Rainha Consorte da Suécia
25 de março de 1751 – 12 de fevereiro de 1771
Sucedida por
Sofia Madalena da Dinamarca