Luís Filipe Thomaz

Luís Filipe Thomaz
Luís Filipe Thomaz em dezembro de 2019, aquando da entrega do Prémio August Logerot (1878) atribuído pela Sociedade de Geografia de Paris.
Nascimento30 de junho de 1942
São Domingos de Rana
CidadaniaPortugal
Alma mater
Ocupaçãoprofessor universitário, escritor, historiador, orientalista

Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz (São Domingos de Rana, 30 de junho de 1942) é um professor universitário, historiador, autor poliglota e tradutor, especializado na expansão marítima de Portugal no Oriente nos séculos XVI e XVII, em particular na história de Timor.[1][2]

Biografia

Luís Filipe Thomaz nasceu em São Domingos de Rana, filho de Guilherme dos Reis Thomaz, oficial da Armada (terminou a carreira no posto de capitão-de-mar-e-guerra), e de sua esposa Maria Teresa Esteves da Rocha Ferreira, de ascendência goesa.[3] Foi aluno do Colégio Militar, onde em julho de 1959 concluiu o ensino secundário, na vertente de Letras (alínea c). Ingressou nesse ano no curso de licenciatura em História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que concluiu em 1965.[4]

De 1965 a 1988, depois de se ter licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa com uma tese sobre Os Portugueses em Malaca (1511-1580), foi assistente naquela Faculdade.[5] Nesse período prestrou o seu serviço militar obrigatório, tendo em 1970 estado no então Timor Português, como militar, onde foi editor de A Província de Timor.[6]

É igualmente diplomado pelo Institut national des langues et civilisations orientales de Paris (em malaio-indonésio), pela Université de Paris III (em estudos clássicos indianos) e pelo Institut catholique de Paris (em siríaco).[5]

Poliglota, Luís Filipe Thomaz fala, para além da sua língua materna, inglês, castelhano, francês, grego moderno, italiano, malaio-indonésio, romeno e tétum (a língua de Timor Leste).[5]. Tem também bons conhecimentos de latim, grego clássico, sânscrito, siríaco, gueês (litúrgico etíope) e javanês, bem como rudimentos de neerlandês, amárico (etíope moderno), chinês (mandarim e cantonês), concani (Goa), persa moderno e árabe literal.[5]

De 1978 a 1982, foi professor convidado na École des hautes études en sciences sociales, em Paris, cargo académico que também ocupou na Université Bordeaux-Montaigne, em Bordéus, e na Universiti Kebangsaan Malaysia (Universidade Nacional da Malásia), em Bangi (Malásia), na Universidade da Ásia Oriental, em Macau, e na Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus (Brasil).

Desde 1987, é professor adjunto, depois professor associado, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde ensina História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa. Neste contexto, orientou teses de doutoramento[7] e seminários sobre sobre temas como os portugueses no Oriente, os portugueses no Norte de África, náutica e cartografia. Ensina também a história da Ásia, a história do Oceano Índico, o malaio, o sânscrito, o guèze (etíope clássico) e o siríaco.

Entre 2001 e 2012, foi diretor do Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa.[8]

Luís Filipe Thomaz é autor de cerca de uma centena de artigos publicados em revistas da especialidade, enciclopédias e dicionários, bem como de vários livros, que o tornaram um dos mais notáveis e rigorosos historiadores de Portugal e da sua expansão marítima no Oriente nos séculos XVI e XVII, nomeadamente em temas como a história de Timor,[9] ou a circum-navegação não planeada[10] de Fernão de Magalhães e de Juan Sebastián Elcano.[11][12]

Prémios e distinções

Em 1995, a sua coletânea de artigos intitulada De Ceuta a Timor (1994) foi galardoada com o Prémio D. João de Castro.

Em 2008, os dois volumes da obra Voyage de Magellan (1519-1522) – La relation d’Antonio Pigafetta et autres témoignages, publicado em 2007 e resultado de uma colaboração entre Luís Filipe Thomaz, Xavier de Castro (pseudónimo de Michel Chandeigne),[13] Jocelyne Hamon e Carmen Bernand (prefácio), recebeu dois prémios entre os mais prestigiados do mundo: o Grand Prix Spécial du Livre Corderie Royale - Hermione e o Prix du Cercle de la Mer.[14]

Em 2019, o seu pequeno livro O Drama de Magalhães e a Volta ao Mundo sem querer foi distinguido com o prémio do Pen Club de Portugal, o Prémio Pen Clube de Ensaio.[15][16]

Em dezembro de 2019, a Sociedade de Geografia de Paris atribuiu a Luís Filipe Thomaz o Prémio August Logerot (1878) pela sua obra intitulada L’expansion portugaise dans le monde (XIVe – XVIIIe siècles) : les multiples facettes d'un prisme , publicado em 2017.[17] Definindo as singularidades do Império Português, este ensaio apresenta relatos subtis que, ao reconhecerem a imprevisibilidade dos acontecimentos da época, põem em causa a solidez imperial que os livros de história das antigas colónias lusitanas (em África e no Brasil) parecem ter-lhe atribuído.[18]

Referências

  1. «Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz» (em francês). 2020. Consultado em 30 de janeiro 2020 .
  2. «Thomaz, Luís Filipe. R.» (em francês). 2020. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  3. Cristóvão Colombo, o Genovês, meu Tio por afinidade, p. 20. Lisboa, Academia de Marinha, 2021 (ISBN 978-972-781-161-8).
  4. Luís Filipe Ferreira Reis Thomáz (Memento vom 25. janeiro 2012 im Internet Archive) (PDF; 136 kB) na Universidade Católica Portuguesa.
  5. a b c d «CV et la bibliographie de Luís Filipe Thomaz» (PDF) (em francês). 2013. Consultado em 23 abril 2020 .
  6. Kelly Silva: The Barlake War Marriage Exchanges Colonial Fantasies and the Production of East Timorese People in 1970s Dili, p. 313 ff.
  7. «Luís Filipe Ferreira Reis Thomaz» (em francês). 2006. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  8. «Gazette du 28» (PDF) (em francês). 2012. p. 23. Consultado em 8 março 2020 .
  9. «Nos collaborateurs : Luís Filipe Thomaz» (em francês). 2020. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  10. «Le tour du monde sans le savoir» (em francês). 2019. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  11. Dejanirah Couto (2013). «Autour du Globe ? La carte Hazine n°1825 de la bibliothèque du Palais de Topkapi, Istanbul.» (PDF) (em francês). Consultado em 30 janeiro 2020 .
  12. Elsa Resende (2019). «Greatest legacy was proving that the earth is circumnavigable» (em inglês). Consultado em 30 janeiro 2020 .
  13. Jérôme Gautheret (6 de dezembro de 2007). «15 ans de travail au service de Magellan» (em francês). Consultado em 30 janeiro 2020 .
  14. «Luis-Filipe Thomaz» (em francês). 2020. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  15. Jorge Gaspar (8 de novembro de 2019). «Atribuidos prémios Pen Clube Português». Consultado em 8 março 2020 .
  16. «Prémios PEN Clube de Ensaio» (em inglês). 2019. Consultado em 8 março 2020 .
  17. «Les 55 prix de Fondation, Les lauréats de nos prix de fondation depuis 1997, Prix Auguste Logerot (1878)» (em francês). 2020. Consultado em 30 janeiro 2020 .
  18. Luciano Brito (8 outubro 2019). «Partir, en Portugais» (em francês). Consultado em 30 janeiro 2020 .

Ver também

Ligações externas