Koki Hirota

Kōki Hirota
Kōki Hirota
Primeiro-ministro do Japão
Período9 de março de 19362 de fevereiro de 1937
MonarcaHirohito
Antecessor(a)Keisuke Okada
Sucessor(a)Senjuro Hayashi
Ministro das Relações Exteriores
Período4 de junho de 193726 de maio de 1938
Primeiro-ministroFumimaro Konoe
Antecessor(a)Naotake Satō
Sucessor(a)Kazushige Ugaki
Período14 de setembro de 19332 de abril de 1936
Primeiro(s)-ministro(s)Saitō Makoto
Keisuke Okada
Ele mesmo
Antecessor(a)Uchida Kōsai
Sucessor(a)Hachirō Arita
Membro da Câmara dos Pares
Período31 de maio de 193713 de dezembro de 1945
Dados pessoais
Nascimento14 de fevereiro de 1878
Chūō-ku, Fukuoka, Império do Japão
Morte23 de dezembro de 1948 (70 anos)
Prisão de Sugamo, Japão
Alma materUniversidade de Tóquio
CônjugeShizuko Hirota ​(c. 1905; m. 1946)
PartidoIndependente

Kōki Hirota (14 de fevereiro de 187823 de dezembro de 1948) foi um diplomata e político do Japão. Ocupou o lugar de primeiro-ministro do Japão de 9 de março de 1936 a 2 de fevereiro de 1937. Após a Segunda Guerra Mundial, ele foi julgado, condenado e executado pelos Aliados como um criminoso de guerra.[1]

Hirota não era um oficial militar, mas um burocrata civil e era popular entre o público, o que levou a uma petição para uma sentença reduzida, coletando 29.985 assinaturas no Japão. Mesmo hoje, seu nome é frequentemente mencionado quando os Julgamentos de Tóquio são debatidos no Japão como um julgamento de "justiça dos vencedores". [2]

Primeiros anos e carreira diplomática

Hirota nasceu em Chūō-ku, na prefeitura de Fukuoka, e se formou em Direito pela Universidade Imperial de Tóquio. Em 1906, ingressou no Ministério das Relações Exteriores, iniciando uma longa e destacada carreira diplomática. Nas décadas seguintes, ocupou diversos cargos importantes, incluindo missões na China e na Europa.[3]

Ele ganhou destaque nos anos 1920 e início dos anos 1930 por seu trabalho nas relações sino-japonesas. Como embaixador do Japão na China entre 1928 e 1932, Hirota tentou estabilizar as relações após o Incidente de Jinan e as crescentes tensões resultantes da expansão japonesa na Manchúria. Embora defendesse os interesses japoneses na região, também buscava manter o diálogo com o governo nacionalista de Chiang Kai-shek.[4]

Ministro das Relações Exteriores

Em 1933, Hirota foi nomeado Ministro das Relações Exteriores no governo do primeiro-ministro Makoto Saitō. Durante seu mandato, ele apresentou o que ficou conhecido como os "Três Princípios de Hirota" (Hirota Sangensoku) em relação à China, que enfatizavam o respeito mútuo à soberania, a oposição ao comunismo e a cooperação econômica. Embora formulados em tom conciliador, esses princípios também reconheciam implicitamente a posição dominante do Japão na Manchúria.[4]

Hirota também trabalhou para melhorar as relações com a União Soviética. Em 1935, negociou a normalização dos laços diplomáticos com Moscou, resultando na assinatura de um Acordo de Pesca soviético-japonês e na redução temporária das tensões fronteiriças na Manchúria.[4]

Primeiro-Ministro (1936–1937)

O gabinete de Kōki Hirota.

Hirota tornou-se primeiro-ministro do Japão após o Incidente de 26 de fevereiro de 1936, uma tentativa de golpe realizada por oficiais radicais do Exército que demonstrou o crescente poder militar. Sua nomeação representou um compromisso entre o imperador e as forças armadas, já que ele era um civil, mas aceitável para os militares.[5]

Como primeiro-ministro, Hirota seguiu uma política externa cautelosa, tentando evitar conflitos diretos enquanto mantinha a influência japonesa na Ásia Oriental. Internamente, seu governo enfrentou forte pressão dos militares e ele foi forçado a aceitar a exigência de que apenas oficiais da ativa pudessem ocupar o cargo de Ministro da Guerra — medida que consolidou ainda mais o controle militar sobre o governo. Hirota renunciou em fevereiro de 1937 após divergências com a liderança do Exército.[6]

Últimos anos e execução

Koki Hirota ouvindo sua sentença de morte sendo lida por Sir William Webb, em 1948.

Após deixar o cargo, Hirota retornou brevemente ao serviço diplomático e voltou a ocupar o posto de Ministro das Relações Exteriores entre 1937 e 1938, sob o governo do primeiro-ministro Fumimaro Konoe. Continuou a defender uma diplomacia moderada, mas não conseguiu impedir o Japão de mergulhar em uma guerra em grande escala contra a China após o Incidente da Ponte Marco Polo, em julho de 1937.[6]

Após a Segunda Guerra Mundial, Hirota foi preso pelas autoridades de ocupação aliadas e julgado pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente (IMTFE). Foi condenado por crimes de guerra, principalmente por não ter impedido as atrocidades cometidas pelas forças japonesas, incluindo o Massacre de Nanjing, durante seu mandato como ministro. Foi executado por enforcamento em dezembro de 1948.[1]

Legado

Kōki Hirota permanece uma figura controversa na história do Japão. É frequentemente visto como um diplomata competente que tentou manter a moderação e a cooperação internacional em uma época de crescente militarismo, mas que, no fim, careceu de poder ou determinação para conter as políticas agressivas do país. Sua trajetória ilustra as limitações enfrentadas pelos líderes civis no sistema político japonês pré-guerra e a crescente subordinação da diplomacia aos interesses militares durante a década de 1930.[7][8][9]

Referências

  1. a b Maga, Timothy P. Judgment at Tokyo: The Japanese War Crimes Trials. University of Kentucky (2001). ISBN 0-8131-2177-9
  2. 戦争責任・戦後責任: 日本とドイツはどう違うか 粟屋憲太郎 朝日新聞出版, 1994 - p272
  3. «広田弘毅|近代日本人の肖像». 近代日本人の肖像 National Diet Library (em japonês). Consultado em 3 de março de 2022 
  4. a b c Japan: A Modern History, James L. McClain (2002), p.450
  5. «Hirota Cabinet». Kantei 
  6. a b Frank, Richard B. Downfall: The End of the Imperial Japanese Empire. Penguin (Non-Classics); Edição de reedição (2001). ISBN 0-14-100146-1
  7. 戦争責任・戦後責任: 日本とドイツはどう違うか 粟屋憲太郎 朝日新聞出版, 1994 - p272
  8. テレビ朝日開局50周年記念ドラマスペシャル「落日燃ゆ」
  9. 【書評】軍部と闘った悲劇の宰相:城山三郎著『落日燃ゆ』

Precedido por
Keisuke Okada
Primeiro-ministro do Japão
1936 - 1937
Sucedido por
Senjuro Hayashi