Mitsumasa Yonai
Mitsumasa Yonai | |
|---|---|
![]() Mitsumasa Yonai | |
| Primeiro-ministro do Japão | |
| Período | 16 de janeiro – 22 de julho de 1940 |
| Monarca | Shōwa |
| Antecessor(a) | Nobuyuki Abe |
| Sucessor(a) | Konoe Fumimaro |
| Ministro da Marinha | |
| Período | 2 de fevereiro de 1937 – 30 de agosto de 1939 |
| Primeiro-ministro | Senjūrō Hayashi Fumimaro Konoe Hiranuma Kiichirō |
| Antecessor(a) | Osami Nagano |
| Sucessor(a) | Yoshida Zengo |
| Período | 22 de julho de 1944 – 1 de dezembro de 1945 |
| Primeiro-ministro | Kuniaki Koiso Kantarō Suzuki Naruhiko Higashikuni Kijūrō Shidehara |
| Antecessor(a) | Naokuni Nomura |
| Sucessor(a) | Cargo abolido |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 2 de março de 1880 Mitsuwari, Iwate, Japão Imperial |
| Morte | 20 de abril de 1948 (68 anos) Japão |
| Cônjuge | Koma Yonai (c. 1906; m. 1941) |
| Partido | Independente |
| Religião | Xintoísmo |
| Profissão | Militar e político |
| Serviço militar | |
| Lealdade | |
| Serviço/ramo | |
| Anos de serviço | 1901–1945 |
| Patente | Almirante |
Mitsumasa Yonai (2 de Março de 1880 — 20 de Abril de 1948) foi um oficial naval e político do Japão. Ocupou o lugar de primeiro-ministro do Japão de janeiro até julho de 1940. Como almirante, foi chefe da marinha imperial de 1937 a 1939 e novamente de 1944 a 1945.[1][2][3]
Começo da vida e carreira
Yonai nasceu em 2 de março de 1880 em Mitsuwari, na Prefeitura de Iwate, filho de um antigo samurai que havia servido ao clã Nanbu, no Domínio de Morioka. Ele estudou na Escola Primária Kajichō e na Escola Secundária de Morioka antes de ingressar na Academia Naval Imperial Japonesa, formando-se em 1901. Após servir inicialmente no couraçado Kongō e no cruzador Tokiwa, foi comissionado como alferes e participou das fases finais da Guerra Russo-Japonesa a bordo do destróier Inazuma e do cruzador Iwate. Depois da guerra, Yonai atuou como oficial de artilharia em vários navios e, após frequentar o Colégio de Guerra Naval, tornou-se adido naval na Rússia durante a Primeira Guerra Mundial. Posteriormente, foi enviado à Polônia e, ao retornar ao Japão, comandou vários navios importantes, como os cruzadores Kasuga (1922–1923) e Iwate (1923–1924) e os couraçados Fusō e Mutsu.[4][5]
Promovido gradualmente, Yonai tornou-se contra-almirante em 1925 e vice-almirante em 1930. Ocupou diversos cargos de destaque, incluindo o comando da Primeira Frota Expedicionária na China, do Distrito de Guarda de Chinkai, na Coreia e de vários distritos navais no Japão. Em 1936, foi nomeado Comandante-em-Chefe da Frota Combinada e da 1ª Frota. Durante seu comando, Yonai enfrentou incidentes significativos que abalaram a Marinha japonesa, como o Incidente Tomozuru, que revelou sérios defeitos nos projetos dos navios de guerra e o Incidente de 26 de fevereiro, uma tentativa de golpe em Tóquio que ocorreu enquanto ele estava estacionado em Yokosuka.[5]
Ministro da marinha
Yonai foi promovido a almirante em abril de 1937 e tornou-se Ministro da Marinha no gabinete do primeiro-ministro Senjūrō Hayashi, cargo que manteve nos governos seguintes de Fumimaro Konoe e Kiichirō Hiranuma até agosto de 1939. Após Nobuyuki Abe assumir como primeiro-ministro, Yonai passou a integrar o Conselho Supremo de Guerra. Conhecido por ser um homem de poucas palavras, seus discursos eram curtos e marcados por um forte sotaque de Nambu, resultando em registros escritos bem menores que os de seus colegas. Como Ministro da Marinha, Yonai ficou preocupado com o aumento das tensões entre o Japão, o Reino Unido e os Estados Unidos, enquanto o Exército Imperial permanecia preso na guerra prolongada na China. Suas tentativas de promover a paz o tornaram impopular entre os ultranacionalistas, levando a várias tentativas de assassinato, embora ele também tenha apoiado a construção dos couraçados da classe Yamato para equilibrar o poder naval com as outras grandes potências.[6]
Primeiro-ministro
Yonai foi nomeado Primeiro Ministro do Japão e formou seu gabinete em 6 de janeiro de 1940, com grande apoio do Imperador Hirohito. Como Primeiro Ministro, ele manteve a forte postura pró-britânica e pró-americana que tinha como Ministro da Marinha e continuou sua firme oposição ao Pacto Tripartite com a Alemanha Nazista e a Itália Fascista.[7][8]
Após a ocupação alemã dos Países Baixos e da França em maio-junho de 1940, o Exército Imperial Japonês começou a demonstrar insatisfação com a política anti-alemã e anti-italiana de Yonai. O desacordo tornou-se evidente no início de julho de 1940, quando o Ministro do Exército, Shunroku Hata, começou a criticar abertamente o Primeiro Ministro. Quando Hata renunciou, Yonai foi subsequentemente forçado a renunciar em 21 de julho de 1940. A Constituição japonesa exigia que o Ministro do Exército fosse um general na ativa e nenhum outro general aceitou o cargo, devido à postura pró-Eixo do Exército Imperial Japonês. O Pacto Tripartite foi assinado em 27 de setembro de 1940.[9]
Subsequente vida política e morte
Yonai voltou a atuar como Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Marinha no gabinete do primeiro-ministro Kuniaki Koiso a partir de julho de 1944, período em que retornou ao serviço ativo após estar na reserva, logo após a queda de Saipan para os Aliados. Permaneceu como Ministro da Marinha no governo de Kantarō Suzuki e, nas últimas semanas antes da rendição do Japão, apoiou Suzuki e o chanceler Shigenori Tōgō na aceitação da Declaração de Potsdam, contrariando os líderes militares que queriam seguir com a guerra.[10]
Continuou no cargo nos gabinetes dos primeiros-ministros Naruhiko Higashikuni e Kijūrō Shidehara, supervisionando a dissolução final da Marinha Imperial Japonesa. Durante o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, teve papel importante ao coordenar os depoimentos dos réus, como o ex-primeiro-ministro Hideki Tōjō, para proteger o imperador Hirohito de ser indiciado. Após a guerra, dedicou-se à reconstrução do Japão democrático.[10]
Sofrendo de hipertensão, Yonai faleceu de pneumonia em 20 de abril de 1948, aos 68 anos, sendo sepultado no templo Enko-ji, em sua cidade natal, Morioka.
Legado
Como Ministro da Marinha Imperial entre 1937 e 1939, Yonai se destacou por sua visão ampla dos assuntos internacionais, resultado de sua experiência como adido militar na Rússia e na Polônia e de suas viagens pela Europa. Ele acreditava firmemente que o Japão não deveria se aliar às Potências do Eixo, pois reconhecia as limitações navais japonesas em comparação com a Marinha Real Britânica e a Marinha dos Estados Unidos. Em uma reunião ministerial em 1939, afirmou abertamente que a Marinha Imperial não tinha condições de vencer uma guerra contra essas potências, contrariando a visão expansionista dominante. Embora o Japão possuísse uma marinha poderosa e moderna, Yonai avaliava que o excesso de confiança e a recusa em reconhecer a inferioridade estratégica diante do Reino Unido e dos Estados Unidos levariam o país ao desastre — uma análise que se mostrou profética.[11]
Antes de se tornar primeiro-ministro, Yonai demonstrou liderança decisiva em momentos de crise, como durante a tentativa de golpe de 26 de fevereiro de 1936, quando classificou imediatamente as tropas insurgentes como rebeldes, ajudando a conter a revolta. Como primeiro-ministro (de 16 de janeiro a 16 de julho de 1940), tomou decisões moralmente firmes, incluindo sua aposentadoria voluntária da ativa para evitar influência militar direta sobre seu gabinete — atitude rara entre os líderes japoneses. Sua integridade moral e postura pacifista conquistaram a confiança do imperador Hirohito, que mais tarde o nomeou novamente Ministro da Marinha em 1944, mesmo após sua aposentadoria, para unificar a força naval em meio à crise.[9]
Após a derrota japonesa, o imperador expressou gratidão pessoal a Yonai, presenteando-o com objetos de uso próprio — um gesto excepcional que simbolizou o profundo respeito e apreço por sua lealdade e caráter.[9]
Referências
- ↑ Brasil, Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa Comissão de Elaboração da História dos 80 Anos da Imigração Japonesa no (1992). Uma Epopéia moderna: 80 anos da imigração japonesa no Brasil. São Paulo: Editora HUCITEC. p. 352
- ↑ Amerasia; a Review of America and the Far East (em inglês). [S.l.: s.n.] 1944. p. 240
- ↑ Howe, Quincy (1972). Ashes of Victory: World War II and Its Aftermath (em inglês). Nova Iorque: Simon and Schuster. p. 121
- ↑ Oide, Hisashi; 生出寿 (1989). "Fusen kaishō" Yonai Mitsumasa. [S.l.]: Tokuma Shoten. 230 páginas. ISBN 4-19-813966-0. OCLC 21669658
- ↑ a b «米内光政- 盛岡市先人記念館». Morioka Memorial Museum of Great Predecessors. Consultado em 4 de março de 2022
- ↑ Stewart, William (2009). Admirals of the World: A Biographical Dictionary, 1500 to the Present. [S.l.]: Mcfarland & Co Inc. ISBN 978-0-7864-3809-9
- ↑ Agawa, H. (n.d.), Yonai Mitsumasa, Koubunsha
- ↑ «Tachibana». MAKJ. Consultado em 4 de abril de 2013. Cópia arquivada em 24 de outubro de 2012
- ↑ a b c Bix, Herbert P. (2000). Hirohito and the Making of Modern Japan. New York: HarperCollins. ISBN 978-0-06-019314-0; OCLC 247018161
- ↑ a b Frank, Richard B. (2001). Downfall: The End of the Imperial Japanese Empire. [S.l.]: Penguin (Non-Classics); Reissue edition. ISBN 0141001461
- ↑ Takagi, Sokichi (1982). Yamamoto Isoroku to Yonai Mitsumasa: Fu Rengō Kantai Shimatsuki. [S.l.]: Kojinsha. ISBN 4-7698-0173-4
| Precedido por Nobuyuki Abe |
Primeiro-ministro do Japão 1940 - 1940 |
Sucedido por Konoe Fumimaro |

