Karl Przibram
| Karl Przibram | |
|---|---|
![]() | |
| Nascimento | |
| Morte | 10 de agosto de 1973 (94 anos) |
| Nacionalidade | australiana |
| Alma mater | Universidade de Graz |
| Prêmios | Prêmio Erwin Schrödinger (1963) |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | Leopold Pfaundler von Hadermur e Anton Wassmuth |
| Instituições | Universidade de Viena |
| Campo(s) | Física nuclear |
| Tese | Photographische Studien über die elektrische Entladung in Gasen (1901) |
Karl Gabriel Przibram (Viena, 21 de dezembro de 1878 – 10 de agosto de 1973) foi um físico e pesquisador austríaco.
É conhecido por suas contribuições pioneiras ao estudo da interação entre radiação e materiais sólidos, em especial sobre luminescência e efeitos de cor induzidos por radiação em cristais e minerais. Ele teve papel importante no desenvolvimento inicial da física do estado sólido e da física da radiação, além de ser um professor influente e líder acadêmico na Áustria durante grande parte do século XX.
Era irmão do zoólogo Hans Leo Przibram, morto em 1944 no campo de concentração de Theresienstadt.
Biografia
Przibram nasceu em Viena em 1878, em uma família ligada ao meio intelectual e científico. Era filho de Gustav Przibram e Freiin Charlotte Przibram. Desde jovem mostrou grande interesse por física, chegando a montar um pequeno laboratório em casa onde realizava experimentos relacionados à eletricidade. Ele cursou o Akademisches Gymnasium em Viena e, posteriormente, iniciou estudos em física, química e matemática. Para completar sua formação, Przibram obteve seu doutorado pela Universidade de Graz em 1901 com uma tese experimental sobre descargas elétricas em gases.[1]
Após seu doutorado, Przibram passou um período no Laboratório Cavendish, em Cambridge (Reino Unido), onde trabalhou com pesquisadores como J. J. Thomson e C. T. R. Wilson. Essa experiência moldou seu interesse por fenômenos ligados à condução elétrica em gases e processos de condensação, que foram temas de suas pesquisas iniciais.[1]
Carreira e pesquisa
A partir de 1912, Przibram começou a trabalhar no Instituto de Radium de Viena, onde sua pesquisa se concentrou na interação entre radiação e sólidos. Sua equipe tornou-se pioneira no estudo de fenômenos como radiofotoluminescência, a emissão de luz por cristais ativados após exposição à radiação gama, e na descrição dos chamados centros de cor (F-centers), que são defeitos na estrutura cristalina responsáveis por mudanças de cor em minerais irradiados. Ele foi um dos primeiros pesquisadores a usar e definir esse conceito em 1926.[2][3]
Além desses avanços, Przibram publicou numerosos estudos sobre a mobilidade de íons, condutividade em vapores e fenômenos de condensação influenciados por íons, que contribuíram para o entendimento fundamental de processos físicos nos estados gasoso e sólido. Foi o orientador de doutorado da pioneira da física nuclear, Elizaveta Karamihailova.[2][1]
Exílio e retorno

Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, Przibram foi forçado a se aposentar devido à sua origem judaica. Durante a Segunda Guerra Mundial, viveu em Bruxelas e participou de atividades da resistência austríaca contra o regime nazista. Com o fim da guerra, retornou à Universidade de Viena em 1946 como professor de física experimental. Mais tarde, tornou-se membro da Academia Austríaca de Ciências, onde também ocupou cargos relevantes dentro da comissão de pesquisas sobre radiação.[2][4]
Reconhecimentos e legado
Ao longo de sua carreira, Przibram recebeu vários prêmios e honrarias, incluindo o Prêmio Haitinger (1914), o Prêmio Lieben (1929), o Prêmio da Cidade de Viena para Ciências Naturais (1955) e o Prêmio Erwin Schrödinger (1963). Sua obra influenciou profundamente o desenvolvimento da física de materiais e abriu caminho para estudos posteriores sobre luminescência e centros de cor em cristais.[2][4]
Além da pesquisa científica, Przibram também desempenhou papel importante no renascimento da física austríaca após a Segunda Guerra Mundial, ajudando a reorganizar currículos e instituições científicas no país.[2]
Morte
Przibram faleceu em Viena, aos 94 anos, e foi sepultado no Cemitério Central de Viena, na seção judaica, onde descansam muitos membros de sua família.[2][4]
Condecorações
- 1914 Prêmio Haitinger
- 1929 Prêmio Lieben
- 1963 Prêmio Erwin Schrödinger
Bibliografia
- Helmut Rechenberg, ed. (2001). «Przibram. Karl Gabriel». Neue Deutsche Biographie (NDB) (em alemão). 20. 2001. Berlim: Duncker & Humblot. p. 752.
Ligações externas
- Literatura de e sobre Karl Przibram (em alemão) no catálogo da Biblioteca Nacional da Alemanha
- Biografische Notiz
Referências
- ↑ a b c «Karl Przibram, kMI 1946, wM 1950». Österreichische Akademie der Wissenschaften. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f Reiter, Wolfgang L. (2019). «Karl Przibram: Radioactivity, Crystals, and Colors». Physics in Perspective. 21: 163–193. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ Rentetzi, Maria (2019). «Karl Przibram and the early history of color centers». The European Physical Journal H (em inglês). 44 (2): 197–214. doi:10.1140/epjh/e2019-90042-z
- ↑ a b c «Przibram, Karl» (em alemão). Austria-Forum. Consultado em 28 de janeiro de 2026
