Elizaveta Karamihailova
| Elizaveta Karamihailova | |
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| Conhecido(a) por |
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| Nascimento | |
| Morte | 24 de abril de 1968 (70 anos) |
| Nacionalidade | búlgara |
| Alma mater | Universidade de Viena |
| Carreira científica | |
| Orientador(es)(as) | Karl Przibram |
| Instituições | Universidade de Sófia |
| Campo(s) | Física nuclear |
| Tese | About Electric Figures on Different Materials, Especially On Crystals (1922) |
Elizaveta Ivanova Kara-Michailova (em búlgaro: Елисавета Иванова Карамихайлова; Viena, 3 de setembro de 1897 – Sofia, 24 de abril de 1968) foi uma física e pesquisadora búlgara.
Primeira física nucler da Bulgária, esteve entre o pequeno grupo de mulheres pioneiras da física nuclear no início do século XX, foi responsável pela criação dos primeiros cursos práticos de física de partículas na Bulgária e tornou-se a primeira mulher a obter um título de professora universitária no país.[1]
Biografia
Karamichailova nasceu em 1897, em Viena, filha de Ivan Mikhaylov, búlgaro, e Mary Slade, inglesa. Ambos os pais estudaram na Universidade de Viena: Ivan, natural de Shumen, cursava medicina, enquanto Mary, oriunda de Minster Lovell, em Oxfordshire, estudava música. Após a formatura de seu pai, em 1907, a família permaneceu em Viena por mais dois anos, mudando-se para a Bulgária em 1909, onde adquiriu uma ampla residência no centro de Sófia.[2]
Karamichailova cresceu em um ambiente que combinava arte e ciência. Seu pai transformou o andar superior da casa da família em um hospital da Cruz Vermelha, onde atendia pacientes sem cobrar pagamento. Karamichailova estudou no Sofia Girls’ College, formando-se em 1917. Após a conclusão dos estudos, partiu para Viena, onde ingressou na Universidade de Viena.[2][3]
Estudos em radioatividade
Em 1922, Karamichailova concluiu o doutorado em Física e Matemática. Sua tese, intitulada Sobre figuras elétricas em diferentes materiais, especialmente em cristais (About Electric Figures on Different Materials, Especially On Crystals), foi orientada pelo físico austríaco, Karl Przibram. Após a defesa, continuou suas pesquisas no Instituto de Estudos do Rádio, onde passou a se interessar especialmente pela radioluminescência. Nesse período, colaborou com Marietta Blau em estudos sobre o polônio e, posteriormente, pesquisou métodos de bombardeamento de tório por nêutrons.[4][5]
Paralelamente, frequentou cursos de engenharia eletrônica e de rádio no Instituto Politécnico de Viena. No outono de 1923, retornou brevemente à Bulgária, atuando como pesquisadora convidada no Instituto de Física da Universidade de Sófia. Pouco depois, voltou a Viena e iniciou pesquisas sobre a transmutação de elementos leves sob radiação alfa no Instituto de Estudos do Rádio.[4]
Em 1931, Karamichailova e Marietta Blau observaram um tipo específico de radiação até então desconhecida emitida pelo polônio. Essa radiação seria posteriormente identificada por James Chadwick como radiação de nêutrons, levando à descoberta do nêutron.[4]
Em 1933, o cargo de assistente de pesquisa que ocupava em Viena foi encerrado. Ela precisou continuar suas pesquisas sem remuneração até 1935, quando obteve uma Bolsa Alfred Yarrow de três anos, concedida pelo Girton College, da Universidade de Cambridge. Em seguida, passou a trabalhar no Laboratório Cavendish.[4][6]
Em dezembro de 1937, candidatou-se a uma posição de docente em Física Experimental na Universidade de Sófia. Conseguiu estender sua bolsa por mais dez meses e retornou definitivamente à Bulgária em 1939, quando foi nomeada docente de Atomística Experimental com Radioatividade na Universidade de Sófia. Nessa função, organizou um curso de física atômica, introduzindo conhecimentos atualizados adquiridos na Áustria e na Inglaterra, além de parte dos equipamentos que trouxera consigo. A eclosão da Segunda Guerra Mundial, no entanto, interrompeu a expansão das atividades de pesquisa nuclear no país.[4][6]
Suas pesquisas passaram então a incluir também os raios cósmicos. Karamichailova utilizou placas fotográficas para dar continuidade a esses estudos, retomando uma linha de pesquisa que havia desenvolvido em colaboração com Marietta Blau. Ela tentou aprofundar o estudo da ionização múltipla, mas isso se mostrou inviável sem o equipamento sofisticado ao qual tivera acesso durante sua permanência na Inglaterra. Quando iniciou seu trabalho em Sófia, em 1940, dispunha apenas de um microscópio e de uma câmara escura.[4][6]
Pós-guerra
Após a revolta ocorrida em 1944, as novas autoridades políticas da Bulgária classificaram Karamichailova como “não confiável” em razão de suas posições anticomunistas, proibindo-a de viajar para o exterior. Apesar disso, ela continuou suas pesquisas na área da radioatividade na Bulgária, inicialmente na Universidade de Sófia e, mais tarde, na Academia Búlgara de Ciências, onde recebeu o título de professora.[4][6]
Morte
Karamichailova faleceu em 24 de abril de 1968, na capital búlgara, aos 70 anos, vítima de câncer, provavelmente em decorrência da exposição prolongada à radiação ao longo de sua carreira científica, tendo deixado todos os seus bens, incluindo a casa de seu pai, para a Academia de Ciências da Bulgária.[4]
Referências
- ↑ «Prominent women scientists from Central and Eastern Europe». Times Higher Education. 11 de agosto de 2003. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ a b «Елисавета Карамихайлова - радиевата принцеса на България» (em Bulgarian). Duma. 10 de julho de 2012. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ «Annual of Sofia University, Faculty of Physics» (PDF). Sofia University. 2007. p. 7
- ↑ a b c d e f g h «ELISABETH KARAMICHAILOVA (1897 – 1968) the first woman physicist, who managed to cross the "safety-curtain" of Sofia University» (PDF). National Polytechnical Museum of Bulgaria. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ Potocnik, Janez (2009). Women in Science (PDF). [S.l.]: European Commission. pp. 143–145. ISBN 9789279114861
- ↑ a b c d Rayner-Canham, Marelene F. (1997). A Devotion to Their Science: Pioneer Women of Radioactivity. [S.l.]: McGill-Queen's Press. pp. 205–208. ISBN 0941901157
