Juan de Arfe y Villafañe

Juan de Arphe y Villafañe, também escrito Juan de Arfe y Villafañe (Leão, 1535 – Madrid, 1603) foi um ourives, gravador, artista, anatomista e escritor espanhol, de origem alemã.[1]

Nascido em Leão, Juan de Arfe y Villafañe foi instruído pelo pai, Antonio, nas artes da ourivesaria e da gravura, e estudou anatomia em Toledo e Salamanca. Após a morte do pai, mudou-se para Valladolid, onde trabalhou como ourives, sobretudo para igrejas e catedrais, realizando ostensórios e outras peças para cidades como Ávila, Sevilha e Burgos. Paralelamente, exerceu atividade como arquiteto e escultor, além de gravador e autor de xilogravuras, tendo também desempenhado funções de ensaiador na Casa da Moeda de Segóvia.

Arfe y Villafañe escreveu várias obras, sendo a mais conhecida Varia comensuración para la escultura y arquitectura. Cada um dos quatro volumes que compõem o tratado aborda um dos domínios de especialização de Arfe y Villafañe:

  • O primeiro livro aborda a geometria de forma sucinta e a gnomónica com maior detalhe.
  • O segundo é dedicado à anatomia do corpo humano. Este livro sobre a proporção humana foi citado por autores posteriores como referência teórica para a construção da figura humana na arte.[2]
  • O terceiro inclui numerosas ilustrações de animais, acompanhadas de descrições de quadrúpedes e aves.
  • O quarto trata exclusivamente de arquitetura e de temas a ela estreitamente relacionados.

Todos os volumes incluem numerosas xilogravuras, algumas ocupando páginas inteiras, outras inseridas no próprio texto.[3]

Foi amigo próximo de Dom José Velázquez de Medrano, ourives que se destacou entre os melhores “escultores em prata e ouro” formados sob a influência de Juan de Arfe y Villafañe.[4] Os seus escritos foram influentes para o pintor português Filipe Nunes, que em 1615 publicou Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva, o primeiro tratado ibérico sobre a arte da pintura. O tratadista espanhol Francisco Pacheco também o citou, comparando-o em pé de igualdade com os escritos de Albrect Dürer.[2]

Mudou-se para Madrid alguns anos antes da sua morte e passou aí os últimos anos da sua vida, falecendo no início do século XVII por causas não documentadas.

Notas e referências