Filipe Nunes
| Filipe Nunes | |
|---|---|
| Conhecido(a) por | Autor de Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva (1615) |
| Nascimento | século XVI Portugal |
| Morte | século XVII |
| Nacionalidade | Portuguesa |
| Ocupação | Teórico da arte, pintor |
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Filipe Nunes, (grafia original Philippe Nunes, também escrito Felipe Nunes, ou Filippe Nunes) foi um pintor e teórico da arte português ativo no início do século XVII. É autor do tratado Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva (1615), considerado o primeiro tratado impresso em Portugal, e na Península Ibérica, inteiramente dedicado à prática da pintura.
Biografia
Pouco se sabe sobre a vida de Filipe Nunes. Nasceu em Vila Real cerca de 1570, sendo filho de filho de Belchior Martins e Guiomar Nunes[1]. Terá depois vivido em Lisboa. Ingressou na Ordem de São Domingos, e a 4 de novembro de 1591 tomou o nome de Frei Filippe das Chagas.[2] Esteve no Convento de São Domingos de Lisboa, em 1598 vai para o Convento de São Domingos de Coimbra e no ano seguinte para o Convento de São Gonçalo de Amarante. Regressa a Lisboa em 1618. Viveu provavelmente o período das monarquias de D. Sebastião I, Cardeal D. Henrique I e da União Ibérica com Filipe II e Filipe III de Espanha. A sua obra indica um profundo conhecimento das fontes da teoria artística, nomeadamente de Vitrúvio, Albrecht Dürer, Juan de Arfe y Villafañe, Alessio Piemontese e de Daniele Barbaro.
Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva
Publicado em Lisboa em 1615, pelo livreiro Pedro Craesbeek, o tratado Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva constitui um marco na história da literatura artística portuguesa. Estruturado em três partes — dedicadas respetivamente à pintura, à simetria e à perspetiva —, o texto visa fornecer aos artistas portugueses um manual técnico e teórico inspirado nos modelos renascentistas.
A obra reflete a preocupação com a dignificação da pintura enquanto ciência liberal, alinhando-se com os ideais do maneirismo e da arte académica emergente. O autor defende a importância do estudo da geometria, da proporção e da anatomia artística como fundamentos do ofício do pintor.
Legado
O tratado de Filipe Nunes é hoje reconhecido como uma das primeiras manifestações da teoria artística portuguesa. Embora pouco conhecido fora dos meios académicos, tem sido estudado por pintores interessados em técnicas antigas, historiadores de arte e investigadores da teoria da perspetiva e da história da arte portuguesa.
Edições e estudos
- Nunes, Filipe. Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva. Lisboa: Pedro Craesbeeck, 1615.
- Teresa Leonor M. Vale, O tratado “Arte da Pintura, Symmetria e Perspectiva” (1615) de Filipe Nunes: contexto e significado, in *Revista de História da Arte*, Universidade Nova de Lisboa, 2007.
- Vítor Serrão, História da Arte em Portugal: O Maneirismo e o Barroco, Lisboa: Presença, 2002.
- Luís Urbano Afonso (ed.), Teoria da Arte em Portugal (séculos XV–XVII), Lisboa: Colibri, 2015.
Ver também
Ligações externas
- ↑ Möller, Julia. «A construção da figura humana no tratado de Filippe Nunes» (PDF)
- ↑ «BDC | Filipe Nunes». biblioteca.ciarte.pt. Consultado em 2 de novembro de 2025