José Maria de Almeida (almirante)
| José Maria de Almeida | |
|---|---|
![]() Retrato no acervo do Museu Histórico Nacional | |
| Nascimento | |
| Morte | 23 de novembro de 1835 (61 anos) |
| Progenitores | Mãe: Maria da Soledade Pai: José da Silva |
| Cônjuge | Rita Bernardina de Almeida |
| Filho(a)(s) | Rita Joana de Almeida |
| Serviço militar | |
| País | |
| Serviço | Marinha Real Portuguesa Armada Imperial Brasileira |
| Anos de serviço | 1788–1835 |
| Patente | Almirante |
| Condecorações | Ordem de Cristo (grã-cruz) Imperial Ordem do Cruzeiro (oficialato) Ordem da Torre e Espada (comenda) |
| Assinatura | |
José Maria de Almeida (Oeiras, 21 de novembro de 1774 – Rio de Janeiro, 23 de novembro de 1835) foi um almirante luso-brasileiro. A serviço da Armada Real Portuguesa, comandou a nau Conde Dom Henrique, integrante da esquadra que levou a corte portuguesa para o Brasil em 1808, transportando os membros da Academia Real dos Guarda-Marinhas. Aderindo a independência do Brasil em 1822, foi membro de uma comissão criada com o objetivo de conseguir adesões de oficiais navais da Armada Portuguesa à independência, para se juntarem a recém-criada Armada Imperial Brasileira. Além disso, foi diretor do Arsenal Real da Marinha de 26 de outubro de 1808 a 1.º de fevereiro de 1810.[1]
Biografia
Início de vida e carreira na Armada Portuguesa
José Maria de Almeida nasceu em 21 de novembro de 1774 em Oeiras, Portugal, filho do capitão José da Silva e de D. Maria da Soledade.[2][3][4]
Desde jovem dedicado ao estudo da marinha, assentou praça de aspirante a guarda-marinha na Companhia dos Guardas-Marinhas em 5 de agosto de 1788, sendo nomeado guarda-marinha em 11 de agosto do ano seguinte. Em 2 de novembro de 1790, passa a sub-chefe da 3.ª Brigada da companhia, e em 28 de setembro do ano seguinte, a chefe da 1.ª Brigada.[4][5][6]
Foi promovido a segundo-tenente em 20 de abril de 1792 e embarcou na fragata São Rafael em 11 de junho, passando para a nau Santo Antônio em 23 de março, onde foi feito primeiro-tenente em 16 de dezembro (ou em 1793).[5][6] Foi promovido a capitão-tenente em 20 de outubro de 1796. No ano seguinte, em 31 de janeiro, foi nomeado comandante do brigue Falcão. Em 31 de outubro, foi nomeado capitão de bandeira a bordo da nau Afonso de Albuquerque, e em 1.º de agosto, foi promovido a capitão de fragata. Destacou-se no ataque a Trípoli, sendo recompensado com a promoção por distinção a capitão de mar e guerra.[5][6]
A partir de 17 de agosto de 1799, passou a exercer o comando da fragata Minerva.[5] No comando da Minerva, que fazia parte de uma esquadra enviada às ilhas de Cabo Verde, Benguela, Angola e portos do Brasil, chegou ao Rio de Janeiro, onde passou para a nau Dom João de Castro, para comandar a esquadra ali estacionada.[5] Ainda no Brasil, em 1803, contribuiu para a extinção de um incêndio na Casa dos Contos, evitando que o fogo se espalhasse para a Alfândega e parte da cidade, fazendo com que fossem salvos os navios Cleópatra e Balsemão, a corveta Bom Piloto, o bergantim Belizário e outros, o que lhe rendeu agradecimentos do Senado da Câmara do Rio de Janeiro.[4] Ficou no comando da esquadra até 17 de janeiro de 1805, data em que desembarcou em Lisboa.[5]
Em 5 de agosto de 1806, passou a comandar a nau Conde D. Henrique, antiga Nossa Senhora do Pilar. Regressou ao Brasil, na esquadra que largou do Tejo em 29 de novembro do ano seguinte, transportando a corte portuguesa refugiada da invasão francesa. Em seu navio, trazia a Academia Real dos Guardas-Marinhas, incluindo o seu diretor e lentes.[5] No dia do desembarque da família real no Rio de Janeiro, em 8 de março de 1808, foi recompensado pelo príncipe regente D. João com a promoção a chefe de divisão, por tê-lo acompanhado e trazido junto de sua família para o Brasil em segurança, assim ingressando no almirantado.[6][7]
Em 5 de outubro, é nomeado interinamente intendente de Marinha do Rio de Janeiro. Em 26 do mesmo mês, toma posse no cargo de inspetor do Arsena de Marinha do Rio de Janeiro, desembarcando da nau em que estava no dia 26 de junho. Foi dispensado desse cargo em 1.º de fevereiro de 1810, assumindo o de vice-intendente da Intendência e Contadoria da Marinha.[6][7]
Obteve a graduação no posto de chefe de esquadra em 17 de dezembro de 1815, que se tornou efetiva em 13 de novembro de 1817. Foi promovido a vice-almirante graduado em 3 de maio de 1819 e nomeado intendente de Marinha em 20 de dezembro do ano seguinte.[6][7]
Carreira na Armada Imperial e últimos anos
Foi um dos primeiros a aderir à independência do Brasil, permanecendo ao serviço da Armada Imperial.[6][8] Pelo decreto de 5 de dezembro de 1822, foi nomeado membro da comissão presidida pelo ministro da Marinha, Luís da Cunha Moreira, que tratava principalmente da aderência de oficiais navais da Armada estacionados na Corte à causa da independência. Aprovaram a adesão de 98 oficiais. 27 não aderiram e partiram para Lisboa no brigue dinamarquês Aurora. Muitos outros vieram a aderir mais tarde, mas apesar de tantas adesões, ainda foi necessário obter oficiais estrangeiros, principalmente ingleses, para preencher os vácuos.[8] Por decreto de 12 de outubro de 1823, foi promovido a vice-almirante efetivo. Em 5 de abril de 1824, prestava juramento à Constituição Política do Império.
Por aviso de 11 de setembro de 1826, o Governo Imperial nomeou um conselho de guerra, com José Maria de Almeida sendo designado para presidi-lo, para julgar o almirante Rodrigo José Ferreira Lobo por sua conduta durante operações navais na Cisplatina. Após 5 meses e 14 sessões, Rodrigo teve a sua sentença proferida em 6 de fevereiro de 1827: absolvição por unanimidade por falta de provas. O Conselho Supremo Militar viria a confirmar essa sentença no dia 21 de março.[9] Graduado em almirante em 29 de agosto, foi a efetivo em 26 de abril de 1828, mesma data em que pediu exoneração do cargo de intendente da Marinha.[6][8]
Em 1829, ainda veio a participar de mais um conselho de guerra, desta vez do Barão do Rio da Prata, do qual foi designado interrogante. O Barão foi absolvido na sessão de 25 de junho.[10]
José Maria de Almeida veio a falecer em 23 novembro de 1835 na cidade do Rio de Janeiro, aos 61 anos e 2 dias de idade.[nota 1][3][4][6][8]
Foi casado com Rita Bernardina de Almeida, com quem teve pelo menos uma filha, Rita Joana de Almeida.[11]
Era agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, o oficialato da Imperial Ordem do Cruzeiro e a comenda da Ordem da Torre e Espada.[4]
Notas
- ↑ Mello Moraes erroneamente adia o mês da morte do almirante para dezembro.
Referências
Citações
- ↑ «Galeria de Diretores | AMRJ». Marinha do Brasil. Consultado em 27 de janeiro de 2026
- ↑ Boiteux 1917, p. 95.
- ↑ a b Moraes 1886, p. 330.
- ↑ a b c d e Aurora Fluminense, N.º 1132, 16 de dezembro de 1835, Rio de Janeiro, pp. 4259–4260.
- ↑ a b c d e f g Boiteux 1917, p. 96.
- ↑ a b c d e f g h i Graes et al. 2023, p. 72.
- ↑ a b c Boiteux 1917, p. 97.
- ↑ a b c d Boiteux 1917, p. 98.
- ↑ Boiteux, Lucas Alexandre (1957). «Nossas Campanhas Navais: A Guerra da Cisplatina (1825-1828)». Rio de Janeiro: Imprensa Naval. Revista Marítima Brasileira (7, 8 e 9): 743-711
- ↑ Boiteux, Lucas Alexandre (1959). «Nossas Campanhas Navais: A Guerra da Cisplatina (1825-1828)». Rio de Janeiro: Ministério da Marinha. Revista Marítima Brasileira (4, 5 e 6): 13-67
- ↑ «Decreto N.º 756 - de 19 de Julho de 1854». Rio de Janeiro. Collecção das Leis do Imperio do Brasil de 1854. Tomo XV. Parte I. 1854. Consultado em 5 de setembro de 2025
Bibliografia
- Moraes, Alexandre José de Mello (1886). Chronica Geral do Brazil. 2. Rio de Janeiro: B. L. Garnier. p. 330
- Boiteux, Henrique Adolfo (1917). Os Nossos Almirantes. 2. Rio de Janeiro: Imprensa Naval. pp. 95–98
- Graes, Isabel; Nunes, João Andrade (2023). Dicionário do Almirantado Português (PDF). Lisboa: Academia de Marinha; Instituto de Investigação Interdisciplinar da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. ISBN 978-972-781-174-8
