Jorge Antonio Rodríguez
| Jorge Antonio Rodríguez | |
|---|---|
![]() | |
| Nascimento | 16 de fevereiro de 1942 |
| Morte | 25 de julho de 1976 (34 anos) |
| Filho(a)(s) | Delcy Rodríguez Jorge Rodríguez |
| Ocupação | Líder estudantil, político |
Jorge Antonio Rodríguez (Carora, 16 de fevereiro de 1942 – Caracas, 25 de julho de 1976) foi um líder estudantil e político venezuelano. Foi dirigente do Movimento de Esquerda Revolucionária [es] e, posteriormente, fundador da Liga Socialista [es]. Tornou-se conhecido na década de 1970 por liderar o sequestro do executivo americano William Niehous [es].[1][2]
Em 27 de fevereiro de 1976, um comando guerrilheiro sequestrou William Niehous, presidente local da Owens-Illinois, em sua residência em Caracas. Os sequestradores, membros da Organização Revolucionária (OR), uma facção derivada do MIR e vinculada à Liga Socialista, justificaram o ato alegando que Niehous era um inimigo da Venezuela. O sequestro de Niehous, que durou três anos e quatro meses, é considerado um dos mais longos da história venezuelana. Rodríguez foi preso por sua participação no sequestro e morreu sob tortura durante interrogatório pela Direção dos Serviços de Inteligência e de Prevenção (DISIP), fato que levou à demissão de vários oficiais, incluindo o diretor Arístides Lander.
É pai da atual presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Biografia
Família
Jorge Antonio Rodríguez nasceu no seio de uma família de recursos limitados.[1] Foi filho de Pascual Florido e de Eloína Rodríguez.[1] No dia 26 de dezembro de 1962, Rodríguez casou-se com Delcy Gómez na Igreja de São João, em Barquisimeto. Tiveram três filhos, entre os quais se destacam Jorge Jesús e Delcy Eloína. Há um terceiro filho chamado Jesús, que raramente aparece em assuntos políticos.
Estudos
Devido a dificuldades econômicas, Rodríguez não iniciou o ensino médio imediatamente após terminar o ensino primário.[1] No entanto, mais tarde, estudou na Escola Técnica de Agricultura Gervasio Rubio — anteriormente conhecida como Centro Interamericano de Educação Rural (CIER) — localizada no estado de Táchira, onde se formou como professor rural.[1] Posteriormente, mudou-se para Caracas para estudar na Faculdade de Economia da Universidade Central da Venezuela (UCV).[1]
Vida política
.png)
Militou brevemente no partido Ação Democrática. Integrou a direção estudantil da Federação de Centros Universitários (FCU) e foi delegado do Conselho Universitário no ano de 1966. Rodríguez apoiava o Movimento de Renovação Universitária, que surgiu em 18 de junho de 1968, movimento que exigia maior liberdade em relação ao governo. Foi um ativista dedicado na luta contra o fechamento da Universidade. Em 1972, Rodríguez foi detido pelo Serviço de Inteligência das Forças Armadas (SIFA), acusado de rebelião militar.[1]
Jorge Rodríguez convocou a criação da Liga Socialista como partido de esquerda revolucionária em novembro de 1973, na qual ocupou o cargo de secretário-geral.[1] «O socialismo se conquista lutando» foi o grito de combate que, durante os anos setenta, Jorge Rodríguez e a Liga Socialista propagaram.
Sequestro de William Niehous
William Niehous foi sequestrado por guerrilheiros de esquerda na Venezuela em 27 de fevereiro de 1976. Na época, Niehous era o chefe de operações na Venezuela da Owens-Illinois, uma empresa americana de embalagens de vidro.[3] Niehous foi identificado por grupos de esquerda como agente da CIA.[4] Ele foi dopado e sequestrado de sua casa em Caracas, sendo sua empresa acusada de suborno e corrupção com o governo venezuelano. Após alguns meses, o governo interrompeu as negociações com os sequestradores. Niehous permaneceu em cativeiro por três anos, quatro meses e dois dias, o que é considerado o sequestro mais longo na história política da Venezuela.[5] Ele só foi encontrado por acaso pela polícia rural em 30 de junho de 1979, acorrentado a um poste numa cabana numa província do sul.[3] A polícia, que procurava ladrões de gado, matou dois homens armados que o guardavam e o levou à delegacia mais próxima, sem saber de sua identidade.[3] Durante a busca e resgate do americano sequestrado, Jorge Rodríguez foi preso na Avenida Sucre, em frente ao Liceu Miguel Antonio Caro.[6]
Seu resgate e reencontro com sua esposa Donna foram notícia mundial. Durante o cativeiro, Niehous sobreviveu estabelecendo metas semanais, ensinando seus captores a jogar pôquer e debatendo com eles sobre capitalismo e marxismo.[3] Sua tendência de confiar nas pessoas o levou a acreditar nas promessas de seus captores de que não o matariam. Nascido em 11 de agosto de 1931 em Toledo, Ohio, formou-se em 1953 na Universidade Miami (Ohio) e entrou na Owens-Illinois em 1955, após servir no exército. Ele havia gerenciado operações na Cidade do México e em Madrid antes de aceitar o cargo em Caracas em 1974. O grupo marxista Comando Revolucionário Argimiro Gabaldón, do qual Jorge Rodríguez era líder, reivindicou o sequestro, exigindo um resgate de US$ 3,5 milhões, a distribuição de alimentos aos pobres e a publicação de uma declaração contra a Owens-Illinois em jornais estrangeiros. As tensões entre a empresa e o presidente Carlos Andrés Pérez aumentaram quando a companhia publicou a declaração no The New York Times, Le Monde e The Times de Londres, o que levou o governo a cortar a comunicação com os sequestradores e ameaçar nacionalizar as fábricas da Owens-Illinois.[3] Niehous nunca viu os rostos de seus captores, que usavam máscaras e se revezavam na vigilância. Dois de seus sequestradores, Gabriel Puerta Aponte e Carlos Lanz Rodríguez, tornaram-se depois conselheiros próximos de Hugo Chávez.[3]
Morte
Foi capturado por agentes da Direção Geral Setorial dos Serviços de Inteligência e de Prevenção (DISIP) em 23 de julho. Na DISIP foi assassinado aos 34 anos de idade, em 25 de julho de 1976. A causa oficial da morte de Rodríguez é um infarto, atribuído às torturas a que foi submetido durante sua detenção, incluindo queimaduras com cigarros e choques elétricos, além de sete fraturas nas costelas.[7][8] O procurador-geral da república denunciou seu assassinato, que comoveu a opinião pública em todo o país devido aos excessos cometidos pelas forças de segurança do Estado.[1]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g h i «Rodríguez, Jorge Antonio | Fundación Empresas Polar». bibliofep.fundacionempresaspolar.org. Consultado em 4 de janeiro de 2026
- ↑ «Jorge Rodríguez padre no era un "angelito"». www.opinionynoticias.com. Consultado em 4 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d e f «William F. Niehous, Survivor of Abduction in Venezuela, Dies at 82 (Published 2013)» (em inglês). 18 de outubro de 2013. Consultado em 4 de janeiro de 2026
- ↑ Nast, Condé (27 de outubro de 2020). «Delcy Rodríguez, la mujer que puso en jaque al gobierno de Pedro Sánchez». Vanity Fair (em espanhol). Consultado em 4 de janeiro de 2026
- ↑ «Carlos Lanz, la FALN y los secuestros de las hijas de Renny Ottolina y de Niehous | El Estímulo». elestimulo.com (em espanhol). 7 de julho de 2022. Consultado em 4 de janeiro de 2026
- ↑ Márquez, Laureano (2018). «La democracia pierde energía». Historieta de Venezuela. p. 119.
- ↑ Castillo, Jean. «Hace 41 años fue asesinado el dirigente socialista Jorge Rodríguez | YVKE Mundial». www.radiomundial.com.ve (em espanhol). Consultado em 4 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2017
- ↑ «EFEMÉRIDES | Jorge Antonio Rodríguez: 43 años de su vil asesinato - MippCI». www.minci.gob.ve (em espanhol). Consultado em 4 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 25 de julho de 2019
