Joaquim de Almeida Tavares do Canto

Joaquim de Almeida Tavares do Canto
Nascimento31 de março de 1790
Angra do Heroísmo
Morte10 de novembro de 1855 (65 anos)
Posto Santo
CidadaniaPortugal
Ocupaçãooficial

Joaquim de Almeida Tavares do Canto (Angra, 31 de março de 1790Posto Santo, 10 de novembro de 1855) foi um morgado, administrador de um conjuto de grandes propriedades na cidade de Angra e no Posto Santo, onde se localizava o solar da família, que se destacou como líder da resistência miguelista na ilha Terceira, tendo mantido durante alguns anos, após a derrota das milícias miguelistas, atividade guerrilheira na ilha.[1][2]

Biografia

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi um dos mais célebres líderes da causa realista (miguelista) na Ilha Terceira, nos Açores. Por toda a ilha organizou operações de guerrilha e ataques-surpresa, tendo comandado milícias no Combate do Pico do Seleiro (4 de outubro de 1828), após o qual retornou à guerrilha.

Tornou-se figura lendária de resistência miguelista na Terceira, chefiando conjuntamente com João Moniz Corte-Real as milícias que se opuseram às tropas que em 1828 aclamaram D. Maria II. Derrotadas as milícias, organizou as guerrilhas, que comandou a partir do seu solar no Posto Santo e, com grande mobilidade, percorrendo a ilha na sua célebre égua branca. Apesar de ter a cabeça a prémio, e dos seus eventuais encobridores estarem ameaçados de morte, nunca foi possível às autoridades liberais prendê-lo. Acabou por morrer assassinado por outras razões que não as da resistência armada, tendo o seu filho, Francisco de Almeida Tavares do Canto, sido condenado à forca (embora não executado) pelo seu homicídio.[3]

Segundo a tradição, montava uma égua ferrada às avessas, para despistar os seus perseguidores.[4] É facto que a sua ousadia valeu-lhe uma perseguição encarniçada por parte dos liberais, que lhe puseram a cabeça a prémio, arrasando propriedades, armando emboscadas e confiscando a sua casa na rua da Sé, em Angra, nela instalando a Pagadoria Geral.

Conseguiu fugir da ilha, refugiando-se em Lisboa, mas regressou após a amnistia concedida pelo governo liberal. Foi assassinado pelo seu próprio filho. Em conjunto com João Moniz Corte-Real foi autor a obra Fatalidades do Povo da Ilha Terceira (Lisboa, 1829), um relato circunstanciado das suas atividades de resistência ao liberalismo.

Referências

Bibliografia

  • NEMÉSIO, Gonçalo. Azevedos da Ilha do Pico. Lisboa: Ed. do autor, 1987. p. 232.

Ligações externas