João Morais Leitão

João Morais Leitão
João Morais Leitão
Ministro(a) de Portugal Portugal
PeríodoVI Governo Constitucional
  • Ministro dos Assuntos Sociais 1980

VII Governo Constitucional

  • Ministro das Finanças e do Plano 1981

João António Morais da Silva Leitão GCIH (Covilhã, São Pedro, 4 de setembro de 1938Lisboa, Olivais, 18 de fevereiro de 2006) foi um advogado e político português.

Biografia

João Morais Leitão frequentou o Colégio Militar, entre 1948 e 1953, e prosseguiu estudos delicenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que completou em 1960[1].

Terminada a licenciatura, optou pela carreira de advogado, tendo sido admitido na Ordem dos Advogados em 1962.

Paralelamente, exerceu funções na área jurídica do Banco Pinto & Sotto Mayor, ond veio a exercer a função de diretor de contencioso, até ao ano de 1968.

Poteriormente, seria administrador-delegado da companhia de seguros Mundial Confiança, desde 1968 até à nacionalização dessa companhia, ocorrida na sequência do Golpe de 11 de Março de 1975.[2]

Entretanto, no contexto da Revolução de 25 de Abril de 1974, João Morais Leitão encontrar-se-ia entre os fundadores do Centro Democrático Social, aderindo assim ao projeto político de Adelino Amaro da Costa, de Diogo Freitas do Amaral, entre outros[3].

Militante destacado dessa estrutura, com os governos da Aliança Democrática, Morais Leitão seria, primeiro, Ministro dos Assuntos Sociais do VI Governo Constitucional, e depois, Ministro das Finanças e do Plano do VII Governo Constitucional (tendo como Primeiros-MInistros, respetivamente, Francisco Sá Carneiro e Francisco Pinto Balsemão)[3].

O advogado era visto como um moderado que adotava posições de equilíbrito entre a defesa de uma economia que se queria tendencialmnete liberal, ainda que sem prejuízo para a proteção social dos mais desfavorecidos; nesse sentido apontam-no como "o verdadeiro fundador de uma escola de pensamento liberalizador da economia portuguesa" quando esta era ainda dominada por uma forte intervenção estatal, herdada particularmente do período do PREC[2]

Entre 1979 e 1980 foi o 26.° Presidente da Federação Portuguesa de Futebol.[4]

Depois de abandonar o Ministério das Finanças por sua iniciativa, não deixou a vida político-partidária; no CDS assumiria o cargo de diretor do Gabinete de Estudos e, uma vez eleito deputado, empenhar-se-ia na oposição ao Bloco Central, sendo em junho de 1983 eleito vice-presidente do Grupo Parlamentar (coincidindo com o período de Francisco Lucas Pires na direção dos centristas e do próprio Grupo Parlamentar)[5].

Em abril de 1986 disputaria a liderança do CDS, no sétimo Congresso do CDS, realizado no Porto, que teria Adriano Moreira como vencedor.[6]

Abandonaria então a política partidária ativa, regressando, agora de forma exclusiva, ao seu labor de advogado.

Não deixaria, ainda assim, funções de responsabilidade pública - em 1990 era eleito como primeiro vice-presidente do Conselho Geral da Ordem dos Advogados, sendo Bastonária Maria de Jesus Serra Lopes (entre 1990 e 1992). Seria ainda membro do seu Conselho Superior, entre 1996 e 1998[1].

Na advocacia destacar-se-ia ainda como sócio-fundador da sociedade de advogados, Morais Leitão, hoje conhecida como MLGTS,[7] que após incorporar outras sociedades se tornou uma das maiores sociedades de advogados portuguesas.[6]

A 5 de Janeiro de 2006, pouco antes da sua morte, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[8]

Família, casamento e descendência

Filho de Amadeu da Silva Leitão (Covilhã, São Pedro, 18 de Julho de 1908 - Lisboa, São Domingos de Benfica, 26 de Junho de 1993) e de sua mulher Maria da Luz de Matos Morais (Covilhã, São Pedro, 6 de Março de 1914 - Lisboa, São Domingos de Benfica, 24 de Março de 2002).

Casou com Maria Clymeni Zañartu Gubert e Mundet (16 de Outubro de 1940), filha de Luís Gubert y Mundet (Lisboa, Camões - 10 de Julho de 2012), de origem Catalã, e de sua mulher Clymeni Zañartu Philipps (Viña del Mar - ?), de ascendência Espanhola e Inglesa.

Teve quatro filhos sendo que o seu filho mais velho, Luís Miguel Gubert Morais Leitão, igualmente jurista, desempenhou as funções de Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças do XVI Governo de Portugal, de Secretário de Estado Adjunto e dos Assuntos Europeus e Secretário de Estado Adjunto do Vice-Primeiro-Ministro no XIX Governo de Portugal e Ministro de Economia no XX Governo de Portugal.[9]

Funções governamentais exercidas

Referências

  1. a b «Dr. João Morais Leitão - Missa de 7º Dia». Ordem dos Advogados (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025 
  2. a b «Portas recorda Morais Leitão como "o mais moderno" dos que serviram CDS». Portas recorda Morais Leitão como "o mais moderno" dos que serviram CDS. 23 de junho de 2006. Consultado em 24 de maio de 2022 
  3. a b «Morreu o fundador do CDS João Morais Leitão». PÚBLICO. 18 de fevereiro de 2006. Consultado em 19 de dezembro de 2025 
  4. «Faleceu João Morais Leitão, antigo presidente da Federação Portuguesa de Futebol». Maisfutebol. Consultado em 24 de maio de 2022 
  5. «Debate parlamentar do Programa do IX Governo Constitucional». 22 de junho de 1983. Consultado em 24 de maio de 2022 
  6. a b «João Morais Leitão, o fundador que a democracia-cristã ainda ouvia». www.dn.pt. Consultado em 24 de maio de 2022 
  7. «Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados». Mlgts.pt 
  8. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Morais Leitão". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 3 de outubro de 2015 
  9. «Economia. Morais Leitão, a sombra de Paulo Portas». Jornal Expresso. Consultado em 24 de maio de 2022 

Precedido por
Acácio Pereira Magro
Ministro dos Assuntos Sociais
VI Governo Constitucional
Sucedido por
Carlos Macedo