João Carlos Pires Ferreira Chaves

João Carlos Pires Ferreira Chaves (Santa Maria do Castelo, Tavira, 30 de julho de 1882 – Santa Isabel, Lisboa, 16 de Setembro de 1942) foi um oficial do Exército Português. [1]

Carreira

Nasceu na freguesia de Santa Maria do Castelo, no concelho de Tavira. Era filho do farmacêutico Joaquim Manuel Ferreira Chaves, natural de Faro (freguesia de São Pedro), e de Maria Antónia Pires de Azevedo Chaves, doméstica, também natural de Tavira (freguesia de Santa Maria do Castelo).[2][3]

Assentou praça em 1901.[1] Foi promovido a Alferes em 1904, tendo então tirado o curso do Estado Maior.[3] Passou a Capitão em 1915,[4] ano em que tomou parte na campanha do Sul de Angola como adjunto do quartel-general,[1] como parte do Corpo Expedicionário de Angola, chefiado pelo general António Pereira de Eça.[5] Depois de ser promovido a Major, em 1917, fez parte da comissão responsável pela elaboração de lista de material que deveria ser recebido da Alemanha como parte das reparações de guerra.[3] Também foi chefe de gabinete do Ministro da Guerra, durante o ministério de António Granjo.[5] Foi também com esta patente que começou a ensinar na Escola do Exército, foi adido militar no Rio de Janeiro e professor no Estado Maior,[5] professor do Instituto dos Pupilos do Exército.[1] Em 1925 esteve à frente do Estado Maior na Índia.[3]

Após passar ao posto de Coronel em 1927, foi professor do curso do Estado Maior,[3] comandou o Regimento de Infantaria 7, e foi membro do júri de exame para majores.[5] Fez igualmente parte da comissão encarregada pelo Ministério das Colónias de reorganizar o exército colonial.[3] Em 1929 foi membro da comissão que estudou o rearmamento progressivo do exército, e foi professor e da Escola Central de Oficiais.[3] Em 1938 foi promovido a brigadeiro, como parte da divisão de rearmamento do exército.[3]

Autor de vários livros de temática militar.[1]

Ao longo da sua carreira militar acumulou vários louvores, tendo sido condecorado com os graus de comendador e de grande oficial da Ordem Militar de Avis, e comendador das Ordens de Cristo e de Santiago, e recebeu as Medalhas das Campanhas do Sul de Angola, Cuanhama e da Vitória, a Cruz de Guerra de 1.ª classe, e as Medalhas de Comportamento Exemplar e Bons Serviços, ambas de prata e ouro.[5] Foi igualmente condecorado com algumas ordens estrangeiras, incluindo as de Francisco José da Áustria e Mérito Militar de Espanha.[5]

Faleceu em 16 de Setembro de 1942, em sua casa, na Avenida Álvares Cabral, n.º 43, 2.º andar, freguesia de Santa Isabel, em Lisboa, aos 60 anos, vítima de esclerose e enfisema pulmonar. Quando faleceu, no posto de General, desempenhava as funções de director da arma de Infantaria e de vogal do Conselho Superior de Disciplina Militar.[5] Foi sepultado no Cemitério dos Prazeres, em jazigo de família.[3][6]

Família

Era irmão de Maria Alexandrina Pires Chaves, de Olímpio Ferreira Chaves e de Raul Pires Ferreira Chaves.[carece de fontes?]

A 6 de agosto de 1908, casou na igreja paroquial do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, com Cacilda Amélia de Sousa (Santa Isabel, Lisboa, c. 1884 – 23 de fevereiro de 1948), filha de Guilherme Maria de Sousa e de Vitória Amélia da Silva e Sousa, ambos naturais de Lisboa (freguesia de São Nicolau). Deste casamento nasceram Maria Amélia Chaves e Fernando de Sousa Ferreira Chaves de Almeida.[7][5][8]

Livros publicados

  • Temas Táticos. Resolução de problemas sobre a carta. 6 volumes. Lisboa: Tipografia Maurício & Monteiro. 1932-1935;
  • Curso de Táctica. (com prefácio do General Roberto da Cunha Baptista) 6 volumes. Lisboa: Tipografia Maurício & Monteiro. 1929-1931;
  • Processo da viagem de curso do Estado-maior na região do Algarve. 5 volumes. Lisboa: Escola Central de Oficiais. 1936.

Notas

  1. a b c d e Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. XI, (p. 185)
  2. «Livro de registo de batismos da paróquia de Santa Maria do Castelo - Tavira (1883)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Distrital de Faro. p. 9v e 10, assento 18 
  3. a b c d e f g h i «De luto: General Ferreira Chaves». Diário de Lisboa. Ano XX (7119). Lisboa. 16 de Setembro de 1942. p. 2. Consultado em 19 de Maio de 2025 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares 
  4. “Notícias várias”. Jornal Algarve, nº 357, ano 7º; Faro: Domingo, 24 de Janeiro de 1915. (p. 2)
  5. a b c d e f g h «Falecimentos: General Ferreira Chaves» (PDF). Correio do Sul. Ano XXIII (1329). Faro. 20 de Setembro de 1942. p. 2. Consultado em 19 de Maio de 2025 – via Hemeroteca Digital do Algarve 
  6. «Livro de registo de óbitos da 5.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1942-08-28 - 1942-12-25)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 37, assento 873 
  7. «Livro de registo de casamentos da paróquia do Coração de Jesus - Lisboa (1908)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 31v e 32, assento 42 
  8. «Cacilda Amélia de Sousa Ferreira Chaves». Arquivo do Ministério das Finanças. Consultado em 27 de julho de 2025