Jazz piano
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Jazz piano é um termo coletivo que se refere às técnicas utilizadas pelos pianistas para tocar jazz, em um grupo ou como um instrumento solo. Por extensão, jazz piano pode designar as mesmas técnicas em qualquer outro instrumento de teclado. O piano foi importante para a própria constituição da linguagem do jazz desde o início, tanto em solos como em conjuntos, sendo por isso muito utilizado pelos músicos e compositores de jazz para ensinar ou aprender a teoria e a elaboração de arranjos, independentemente do instrumento principal de cada um deles. Isso se deve, em grande parte, à natureza harmônica e melódica do instrumento, pois, assim como a jazz guitar, o órgão Hammond, o vibrafone e outros insrumentos de teclado, o piano é um dos poucos instrumentos que, num conjunto de jazz, é capaz de executar acordes, e não apenas notas isoladas, como é o caso do saxofone e do trompete.
O jazz piano tem origem nos anos 1920, quando emerge, principalmente em Nova York, o estilo conhecido como stride ('salto', em inglês ) ou Harlem stride, do qual James P. Johnson foi um dos expoentes. Nesse estilo, a mão direita improvisava melodias, enquanto a mão esquerda era usada para estabelecer o ritmo, alternando uma nota ou um acorde tocado uma oitava (ou mais) acima.[1]
História
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No início da história do jazz, o piano aparecia mais como instrumento solista — as marching bands, por natureza, não utilizavam piano. Com o tempo, ele passou a se desenvolver cada vez mais também como instrumento de acompanhamento e de conjunto. A partir da década de 1910, o piano foi integrado às bandas do jazz de New Orleans; o primeiro pianista ali foi provavelmente Buddy Christian.[2]
No conjunto tradicional de jazz, o piano dava suporte ao contrabaixo/tuba e à guitarra/banjo e servia sobretudo para definir ritmo e harmonia. No swing em ascensão, o beat e o baixo foram sendo cada vez mais entregues aos bateristas e baixistas. Embora ainda pertencentes à seção rítmica, os pianistas das grandes bandas passaram a inserir apenas acordes isolados fora do tempo (off-beat) e a sugerir sequências harmônicas em vez de tocá-las integralmente — Count Basie à frente dessa tendência. Ao mesmo tempo, eles apareciam cada vez mais como solistas e se aproximavam fortemente da concepção melódica dos instrumentos de sopro.[3]
Após a era do swing — no modern jazz — muitos pianistas retornaram a um estilo de execução mais “percussivo”, fazendo seu instrumento soar “claro, transparente e duro”. Por outro lado, pianistas como Chick Corea voltaram a cultivar um ideal sonoro mais romântico, utilizando, por exemplo, mais efeito de pedal.[3]
Já na década de 1940, o piano acústico começou ocasionalmente a ser substituído por instrumentos eletromecânicos; Earl Hines usou, por exemplo, um piano elétrico Storytone. No final dos anos 1950, Ray Charles e Sun Ra estavam entre os influentes pianistas de E-piano. Joe Zawinul experimentou diversas cores tímbricas: para “Mercy, Mercy, Mercy” usou um Wurlitzer, e para “Country Preacher” um Fender Rhodes. Mais tarde, especialmente no fusion jazz, sintetizadores e outros teclados ampliaram o espectro sonoro. Hoje, o piano acústico é apenas um entre muitos instrumentos de teclado no jazz.[4]
Cada estilo de jazz e cada inovação significativa do piano jazzístico encontrou uso também nos desenvolvimentos posteriores.[5]
Referências
- ↑ Merriam-Webster Dictionary: stride piano
- ↑ Floyd Levin: Classic Jazz: A Personal View of the Music and the Musicians. University of California Press 2002; S. 50.
- ↑ a b Andre Asriel: Jazz; Aspekte und Analysen. Berlin 1984 (4. Aufl.), S. 398.
- ↑ Vgl. Henry R. Martin, Keith Waters: Jazz. The First 100 Years. Cengage Learning 2005, S. 349.
- ↑ vgl. Billy Taylor: Jazz-Piano. Dubucque 1983.
