Jair Siqueira
Jair Siqueira | |
|---|---|
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| Deputado Federal por Minas Gerais | |
| Período | 1º de janeiro de 1995 até 31 de dezembro de 1996 |
| Prefeito de Pouso Alegre | |
| Período | 15 de abril de 2008 até 31 de dezembro de 2008 |
| Período | 1.º de janeiro de 2005 até 15 de junho de 2007 |
| Período | 1.º de janeiro de 1997 até 31 de dezembro de 2000 |
| Período | 1.º de janeiro de 1989 até 31 de dezembro de 1992 |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 30 de junho de 1936 Paulistas, Minas Gerais |
| Morte | 8 de julho de 2018 (82 anos) Pouso Alegre, Minas Gerais |
| Nacionalidade | brasileiro |
| Progenitores | Mãe: Emília Soares Ferreira Pai: José Cândido Siqueira |
| Alma mater | Universidade de São Paulo (USP) |
| Cônjuge | Lílian Narbot Siqueira |
| Partido | PFL (1988–1995) PPB (1995–2003) PL (2004–2006) PR (2006–) |
| Profissão | Professor, Empresário |
Jair Siqueira (Paulistas, 30 de junho de 1936 — Pouso Alegre, 8 de julho de 2018) foi um professor, empresário e político brasileiro.[1][2][3] Foi deputado federal entre 1995 e 1996 e prefeito de Pouso Alegre eleito três vezes.[2][3][4]
Início de vida e formação
Filho de José Cândido Siqueira e de Emília Soares Ferreira, Jair Siqueira nasceu na região mineira do Vale do Rio Doce, no município de Paulistas.[5] À época, a localidade era um distrito conhecido como São José dos Paulistas e fazia parte de Sabinópolis.[6][7]
Em 1963, já vivendo em São Paulo, conhece a professora de piano Lílian Narbot, com quem permaneceria casado por mais de 50 anos.[8][9] Quase uma década depois, em 1971, iniciou o curso de Direito na USP, formando-se em 1975.[3]
Carreira empresarial
Ainda no estado de São Paulo, fez carreira no meio empresarial, iniciando a trajetória profissional como funcionário da Indústria Gessy Lever, em 1960. Sete anos depois, foi gerente dos Laboratórios Andrómaco S.A e, em 1973, assumiu a direção da Indústria de Fitas Jomak S.A. Funda o Grupo SIGRA, em 1976. Como diretor-presidente desta empresa, muda-se para Pouso Alegre, em 1980.[3]
Após quatro anos na cidade, cria o jornal Sul das Geraes. Começa a atuar como professor de Teoria Geral do Direito, na Faculdade de Direito do Sul de Minas, em 1986, atividade que exerceu até 1994. Formou, em 1991, J. S. Têxtil Aviamentos e Tecidos Ltda. Também foi membro do conselho fiscal da Fundação de Ensino Superior do Vale do Sapucaí.[3]
Carreira política
Ingressa na carreira política em 1988, vencendo as eleições com 37,59% (12.618) dos votos válidos e assumindo o cargo de prefeito em 1º de janeiro de 1989.[4][9][10] Em seu primeiro ano de mandato — como parte de um processo de industrialização que a cidade estava experimentando desde a instalação da Rodovia Fernão Dias, algumas décadas antes — é inaugurada a fábrica da Latasa S.A. Dali sairiam as primeiras latas de alumínio produzidas no Brasil.[11][12]
Ainda no primeiro mandato de Siqueira, o atual Terminal Rodoviário de Pouso Alegre foi inaugurado, em 1990. No ano seguinte, foi instalada uma unidade do SESI no bairro São Geraldo.[13][14]
Passagem pela Câmara dos Deputados
Em 1994, candidata-se ao cargo de deputado federal e é eleito com 49.544 votos.[15] Tomou posse em 1º de fevereiro de 1995. Durante a passagem pelo Congresso, foi membro titular das comissões permanentes de Constituição e Justiça e de Redação, além de suplente das comissões de Direitos Humanos e de Trabalho, Administração e Serviço Público. Renunciou em 31 de dezembro de 1996, para assumir o segundo mandato de prefeito de Pouso Alegre.[3]
Segundo Mandato como prefeito
Em 1996, concorre ao cargo de prefeito de Pouso Alegre pela segunda vez e vence com 64,37% (30.090) dos votos válidos.[4][10] O novo mandato teve início em 1º de janeiro de 1997.[9] Naquele ano, por meio do Decreto 2.287/97, diversos edifícios históricos são declarados de interesse público para tombamento, como a antiga estação ferroviária, o Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira e o Teatro Municipal.[16]
Enchente de 2000
Entre 31 de dezembro de 1999 e 17 de janeiro de 2000, a cidade é afetada por uma enchente histórica que afetou o Sul de Minas Gerais. O desastre natural deixou em toda a região 80 mil pessoas desalojadas e matou outras 12.[17] Na ocasião, pelo menos 12 bairros pouso-alegrenses foram atingidos pelas cheias dos rios Cervo, Itaim, Mandu, Sapucaí e Sapucaí-Mirim, resultando em, no mínimo, 100 famílias desabrigadas, somente no bairro São Geraldo.[18] A partir de 5 de janeiro de 2000, Pouso Alegre foi, por três dias, a capital de Minas Gerais, conforme determinação do então governador Itamar Franco e após visita à região feita pelo presidente da República Fernando Henrique Cardoso.[19]
Diante das acusações de omissão com relação às enchentes que a administração municipal recebeu à época, a assessoria de Comunicação do poder executivo pouso-alegrense, em entrevista ao jornal paulista Diário do Grande ABC, afirmou que Jair Siqueira teria explicado que as obras antienchentes ainda não estavam prontas. "A Prefeitura inaugurou a Avenida Dique 1, que serve como barragem do Rio Sapucaí Mirim, mas falta terminar a Avenida Dique Dois, que seguraria as águas do Rio Mandu", afirmou a responsável pelo setor.[20]
Primeira tentativa de reeleição
Em outubro do mesmo ano, Jair Siqueira tentou se reeleger, mas com 45,19% (24.859) dos votos válidos, ficou em segundo lugar no pleito. Foi derrotado pelo candidato Enéas Chiarini, que obteve 51,65% (28.413) dos votos válidos.[10][4]
Última passagem pela prefeitura
Em 2004, em outra disputa com Enéas Chiarini e com outros dois futuros prefeitos também concorrendo ao cargo (Agnaldo Perugini e Rafael Simões), Jair Siqueira vence a eleição com 29,43% (18.707) dos votos válidos. Trata-se de uma das disputas à prefeitura mais acirradas ocorridas em Pouso Alegre, com poucos votos separando os quatro mais bem votados. Naquela ocasião, o segundo colocado foi Perugini, com 26,96% (17.140) dos votos válidos, apenas 1.567 votos a menos que Siqueira. Já o terceiro foi Chiarini, com 25,11%(15.958) e Simões ficou em quarto, com 16,41% (10.428). Completou a lista de candidatos Daniel Dias, com 2,09% (1.331) dos votos válidos.[4][10]
Em 1º de janeiro de 2005, iniciou seu último período como chefe do poder executivo local. Durante o mandato, mais uma empresa se instala no município, dessa vez a Yoki Alimentos S.A. Em 2008, foi a vez de se instalar na cidade a Silver, uma subsidiária do Grupo Tigre dedicada ao ramo de assessórios de banheiros e lavanderias.[16][21][22]
Processo de impeachment e recondução ao cargo
Em 15 de junho de 2007, acusado de supostas irregularidades por ex-assessor, Jair Siqueira teve o mandato cassado pela Câmara Municipal de Pouso Alegre. Àquela altura, assumiu a prefeitura o vice Luciano Reis, que viria, a seu turno, renunciar menos de um mês depois, em 12 de julho. Três dias depois, o presidente da Câmara Geraldo Cunha assume a função de prefeito.[23][9]
No dia 15 de abril de 2008, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais emite mandado de segurança reconduzindo Siqueira ao cargo. Entre os motivos alegados pela justiça para a decisão estaria a "impossibilidade de os mesmos Vereadores serem, a um só tempo, inquisidores e julgadores", bem como a "nulidade decretável por evidente interesse, parcialidade e suspeição, com influência na formação do 'quorum' e no resultado do julgamento".[24]
As outras razões citadas incluem ainda o fato, segundo a decisão do tribunal, que estaria o "Presidente da Câmara suspeito de parcialidade, pela pretensão, ainda que oblíqua, na vacância do cargo de Prefeito, que veio a ocupar, por renúncia do Vice-Prefeito" e "além do eventual interesse na cassação, o Presidente da Edilidade, votando em primeiro lugar, teria interferido, ainda que involuntariamente, mas a toda evidência, no resultado final". Pouco mais de três meses depois, em julho de 2008, a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Pouso Alegre afirmou ao jornal O Tempo que a anulação foi motivada por um erro processual na sessão em que foi votada a cassação do mandato de Siqueira.[24][23]
Segunda tentativa de reeleição
De volta ao cargo de prefeito, Jair Siqueira tentou, pela segunda vez, se reeleger. Candidatou-se à eleição de 5 de outubro de 2008, porém com 26,18% (17.527) dos votos válidos, ficou em segundo lugar no pleito. Foi derrotado pelo candidato Agnaldo Perugini, que obteve 52,28% (34.993) dos votos válidos.[4][10] Após o fim do mandato, em 31 de dezembro de 2008, não ocupou mais cargos eletivos.[9]
Morte
De acordo com informações da imprensa local, bastante debilitado nos últimos anos de vida, por conta da doença de Parkinson, Jair Siqueira morreu em 8 de julho de 2018, aos 82 anos, em decorrência de uma pneumonia.[25][26][2] Ele estava internado no Hospital Samuel Libânio, em Pouso Alegre, desde 29 de junho e havia se submetido a uma operação. O então prefeito Rafael Simões decretou luto oficial no município por três dias.[2][27]
Referências
- ↑ «JAIR SIQUEIRA». Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d «Ex-prefeito de Pouso Alegre, Jair Siqueira morre aos 82 anos». G1. 8 de julho de 2018. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d e f «JAIR SIQUEIRA». Câmara dos Deputados. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d e f TOLEDO, Eduardo A. O. (2022). Estórias do Mandu II... e outras Histórias (PDF). Pouso Alegre: Ateneu Pouso-alegrense de Artes. pp. 114–134
- ↑ «SIQUEIRA, JAIR». FGV CPDOC. Consultado em 14 de fevereiro de 2025
- ↑ «História». Câmara Municipal de Paulistas-MG. 7 de fevereiro de 2022. Consultado em 29 de janeiro de 2025. Arquivado do original em 30 de janeiro de 2025
- ↑ «DECRETO-LEI nº 148, de 17/12/1938 - Texto Atualizado». Assembleia Legislativa de ;Minas Gerais. Consultado em 29 de janeiro de 2025
- ↑ TV Câmara de Pouso Alegre (9 de julho de 2018), Matéria, Tributo ao Sr. Jair Siqueira, consultado em 30 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d e «Galeria de Prefeitos». Câmara Municipal de Pouso Alegre. Consultado em 27 de janeiro de 2025. Arquivado do original em 27 de janeiro de 2025
- ↑ a b c d e Finamour, Juliano (12 de setembro de 2020). «História das eleições em Pouso Alegre é repleta de curiosidades, disputas acirradas, vexames, e polêmicas». Pouso Alegre.NET. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ VALE, Fernando Henrique do (2019). Catedral de Pouso Alegre: espaço de fé e sociabilidade. Campinas: Pontes Editores. pp. 86–87. ISBN 978-85-2170-084-5
- ↑ «História da Lata». Abralatas - Associação Brasileira da Lata de Alumínio. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ ANDRADE (2014), p. 127.
- ↑ «Museu de Fotografias de Pouso Alegre 1991-2000». Guia Pouso Alegre. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ «Resultados das Eleições 1994 - Minas Gerais - deputado federal». Tribunal Superior Eleitoral. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ a b FERRER et al. (2012), p. 30.
- ↑ «Mais de 80 mil moradores vivem em zonas de risco de desastres ambientais no Sul de MG; veja cidades». G1. 23 de maio de 2024. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ «Pouso Alegre é inundada pela cheia de cinco rios». Folha de S.Paulo. 6 de janeiro de 2000. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ «Itamar transfere capital mineira para Pouso Alegre e critica FHC». Folha de S.Paulo. 5 de janeiro de 2000. Consultado em 26 de janeiro de 2025
- ↑ «Moradores de Pouso Alegre retomam rotina após enchentes». Diário do Grande ABC. 10 de janeiro de 2000. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ ANDRADE (2014), p. 113.
- ↑ «Boom da construção civil faz Tigre criar empresa de acessórios». O Globo. 7 de abril de 2008. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ a b Madeira, Marcus (23 de julho de 2008). «Siqueira pode ser impugnado». O Tempo. Consultado em 25 de janeiro de 2025
- ↑ a b «Tribunal de Justiça de Minas Gerais TJ-MG - Mandado de Segurança: MS XXXXX-35.2007.8.13.0000 MG». Jusbrasil. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ Gomes, Magson (8 de julho de 2018). «Morre Jair Siqueira, ex-prefeito de Pouso Alegre». Terra do Mandu. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ Crispim, Douglas (8 de julho de 2018). «Ex-prefeito de Pouso Alegre, Jair Siqueira falece aos 82 anos». Pouso Alegre.NET. Consultado em 27 de janeiro de 2025
- ↑ «Nota de Falecimento». Prefeitura Municipal de Pouso Alegre. 8 de julho de 2018. Consultado em 26 de janeiro de 2025
Bibliografia
- ANDRADE, Alexandre Carvalho de (2014). Pouso Alegre (MG): expansão urbana e as dinâmicas socioespaciais em uma cidade média. (Tese de Doutorado). Rio Claro: Universidade Estadual Paulista, Instituto de Geociências e Ciências Exatas. 299 páginas
- FERRER, Suely; RICELLI, Mayke; VALE, Fernando do (outubro de 2012). «Revista Museu Histórico Municipal Tuany Toledo». Consultado em 26 de janeiro de 2025
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