Investigação do Tribunal Penal Internacional no Afeganistão
A Investigação do Tribunal Penal Internacional no Afeganistão, também conhecida como Situação no Afeganistão, é uma investigação em curso conduzida pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade que teriam ocorrido durante a guerra no Afeganistão desde 1.º de maio de 2003 — ou, no caso das Forças Armadas dos Estados Unidos e da Agência Central de Inteligência, crimes de guerra supostamente cometidos no Afeganistão, Polônia, Romênia ou Lituânia.[1][2]
Em 5 de março de 2020, foi autorizada a abertura formal da investigação.[3] Em janeiro de 2025, o promotor solicitou mandados de prisão contra Hibatullah Akhundzada, Líder Supremo do Afeganistão, e Abdul Hakim Haqqani. Os mandados foram emitidos pela Câmara de Instrução II em 8 de julho de 2025 pelo crime contra a humanidade de perseguição por motivos de gênero, conforme o artigo 7.º (1)(h) do Estatuto de Roma.[4][5]
Investigação
Entre 20 de novembro de 2017 e 31 de janeiro de 2018, o TPI coletou representações de vítimas relacionadas a alegações de crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos pelos Talibãs e grupos armados afiliados; crimes de guerra pelas Forças de Segurança Nacional do Afeganistão; e crimes de guerra cometidos no Afeganistão, Polônia, Romênia e Lituânia pelas Forças Armadas dos Estados Unidos e pela Agência Central de Inteligência (CIA).[6] Também foram solicitadas informações sobre possíveis crimes cometidos por outras forças militares internacionais no Afeganistão.[6]
Em 2019, o pedido da promotora-chefe do TPI, Fatou Bensouda, para abrir uma investigação foi rejeitado em fase preliminar, sob o argumento de que havia baixa probabilidade de um processo bem-sucedido, de que muito tempo havia se passado, de que as autoridades afegãs e norte-americanas não estavam cooperando e de que a investigação não "serviria aos interesses da justiça". Em 5 de março de 2020, após um recurso, a investigação foi autorizada a prosseguir. O juiz Piotr Hofmański declarou que o tribunal tem jurisdição, já que o Afeganistão é parte do Estatuto de Roma, e que o exame preliminar revelou "motivos razoáveis para acreditar que crimes de guerra foram cometidos no Afeganistão".[3]
Reações
Em abril de 2019, os Estados Unidos cancelaram o visto de Fatou Bensouda em resposta à investigação do TPI sobre o Afeganistão, alegando que não desejavam que as acusações de crimes de guerra cometidos por militares norte-americanos fossem investigadas pelo tribunal.[7]
Em 11 de junho de 2020, o então Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, anunciou a assinatura da Ordem Executiva 13928 pelo presidente Donald Trump,[8] estabelecendo sanções econômicas e restrições de visto de viagem contra advogados e investigadores do TPI, bem como jornalistas que fornecem evidências de crimes de guerra cometidos por cidadãos e tropas militares dos Estados Unidos.[9] Pompeo afirmou que o TPI é um tribunal clandestino.[10]
Em 2 de setembro de 2020, Bensouda e Phakiso Mochochoko, chefe da Divisão de Jurisdição, Complementaridade e Cooperação do TPI, foram alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos, também em resposta à investigação sobre o Afeganistão. Richard Dicker, da Human Rights Watch, criticou a medida, afirmando que ela "representa uma distorção chocante do propósito das sanções norte-americanas — concebidas para punir violadores de direitos e cleptocratas — ao serem usadas contra aqueles encarregados de julgar crimes internacionais".[11]
Mandados de prisão
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Em 23 de janeiro de 2025, o promotor do TPI, Karim Ahmad Khan, anunciou que seu gabinete havia protocolado dois pedidos de mandado de prisão contra altos dirigentes do Talibã: o líder supremo da organização, Hibatullah Akhundzada, e o ex-presidente da Suprema Corte do Estado Islâmico do Afeganistão, Abdul Hakim Haqqani. Ambos são acusados de crime contra a humanidade, especificamente perseguição com base em gênero, em razão das políticas opressivas do Talibã contra mulheres, meninas e membros da comunidade LGBT no Afeganistão.
Segundo a declaração do promotor, seu gabinete acredita haver "motivos razoáveis para crer" que Hibatullah Akhundzada e Abdul Hakim Haqqani possuem "responsabilidade criminal individual" pelos crimes alegados.[4][12] Em 8 de julho de 2025, a Câmara de Instrução II emitiu os mandados de prisão.[5]
Ver também
Referências
- ↑ Bowcott, Owen (5 de março de 2020). «Senior ICC judges authorise Afghanistan war crimes inquiry». The Guardian
- ↑ Bowcott, Owen (5 de março de 2020). «Senior ICC judges authorise Afghanistan war crimes inquiry». The Guardian
- ↑ a b «ICC authorises investigation into alleged Afghanistan war crimes». Al Jazeera English. 5 de março de 2020. Consultado em 5 de março de 2020. Arquivado do original em 5 de março de 2020
- ↑ a b «Statement of ICC Prosecutor Karim A.A. Khan KC: Applications for arrest warrants in the situation in Afghanistan». International Criminal Court (em inglês). Consultado em 26 de janeiro de 2025. Arquivado do original em 23 de janeiro de 2025
- ↑ a b Situation in Afghanistan: ICC Pre-Trial Chamber II issues arrest warrants for Haibatullah Akhundzada and Abdul Hakim Haqqani (em inglês), Tribunal Penal Internacional, 8 de julho de 2025, Wikidata Q135246688
- ↑ a b «Focus: Alleged crimes against humanity and war crimes committed in Afghanistan since 1 May 2003». International Criminal Court. 9 de abril de 2019. Consultado em 9 de abril de 2019. Cópia arquivada em 9 de abril de 2019
- ↑ «US issues visa ban for ICC chief prosecutor following Afghanistan probe». Middle East Eye. 5 de abril de 2019. Consultado em 9 de abril de 2019. Cópia arquivada em 7 de julho de 2019
- ↑ White House press release
- ↑ Gramer, Robbie; Detsch, Jack (11 de junho de 2020). «Trump Order Treats International Prosecutors Like War Criminals». Foreign Policy. Consultado em 11 de junho de 2020
- ↑ «Afghan conflict: US sanctions 'kangaroo' ICC over war crimes probe». BBC News. 11 de junho de 2020. Consultado em 11 de junho de 2020
- ↑ «US imposes sanctions on top international criminal court officials». The Guardian. 2 de setembro de 2020. Consultado em 4 de setembro de 2020. Cópia arquivada em 3 de setembro de 2020
- ↑ «ICC: Prosecutor targets Taliban leaders». JusticeInfo.net (em inglês). 23 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de janeiro de 2025
