Igrejas da Comunidade Metropolitana

As Igrejas da Comunidade Metropolitana (ICM; Metropolitan Community Churches, em inglês, MCC) são uma comunhão internacional de comunidades cristãs da vertente protestante, e caracterizada por seu progressivismo humanitário e aceitação irrestrita de fiéis que se identificam como lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e afins. A maioria dos seus membros se identifica como LGBT.[1][2][3]
História
A ICM foi fundada pelo Reverendo Troy Perry, um pastor pentecostal que sofreu perseguições por ser gay e por isso tentou suicídio; a primeira reunião aconteceu em 6 de outubro de 1968 com doze pessoas em sua sala. Já em 1969, foi a primeira organização religiosa a realizar cerimônias de casamento entre pessoas do mesmo sexo.[1][2][4]
No final de 1970, os líderes das primeiras igrejas em Los Angeles, São Francisco, San Diego, Chicago e Honolulu reuniram-se na primeira Conferência Geral da nova denominação, a Universal Fellowship of Metropolitan Community Churches (UFMCC; em português, Fraternidade Universal das Igrejas da Comunidade Metropolitana, FUICM). O prédio da primeira igreja foi inaugurado em Los Angeles em 1971, atualmente conhecida como Founders Metropolitan Community Church. A primeira mulher foi ordenada ministra em 1972.[4][5]
Após abrir igrejas em Toronto, Canadá e Londres, Inglaterra em 1973, a associação se tornou internacional em 1974. [6]
Em 1973, o primeiro templo foi queimado em um ataque homofóbico, mesmo destino que outros templos tiveram ao longo dos anos, resultando até em mortes de membros. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, a igreja se envolveu em diversas ações sociais em defesa dos direitos LGBT, como o acolhimento a pessoas com AIDS.[5]
A ICM foi rejeitada tanto como membro quanto como observador do Conselho Nacional de Igrejas, mas faz parte de vários conselhos estaduais de igrejas. Recebeu status de observador do Conselho Mundial de Igrejas em 1991.[5]
Ao longo dos anos, a denominação desenvolveu algumas questões de sua experiência cristã. Nos primeiros anos, qualquer pessoa que se sentisse chamada ao ministério podia ser ordenada na ICM, mas agora é exigida formação nos seminários e nos cursos próprios da denominação. Sua marca é o evangelho inclusivo de três pontos: Salvação Cristã, Comunidade Cristã e Igualdade de direitos. Em relação à doutrina, considerando as múltiplas origens de clérigos e membros desde seu início, a ICM abriga uma grande diversidade de estilos litúrgicos.[7] Apesar de aceitar o Credo dos Apóstolos e o Credo Niceno, a denominação se afirma não-confessional.[3]
A Conferência Geral trienal governa o órgão internacional e vota alterações aos estatutos, elege líderes e trata de outros assuntos da igreja. Um Moderador, eleito pelo conselho geral, atua como porta-voz, CEO e principal visionário da MCC. Reverendo Dr. Troy Perry foi o primeiro Moderador da denominação, até se aposentar. A segunda Moderadora eleita da ICM foi a Reverenda Bispa Dra. Nancy Wilson, entre 2005-2016, sucedida em 2019 pela Reverenda Bispa Cecilia Eggleston.[3][4]
No Brasil, a ICM iniciou-se a partir de um grupo que traduziu o material e se aproximou da UFMCC. O primeiro templo foi inaugurado no Rio de Janeiro, em 2004. Depois, expandiu-se com igrejas e missões em várias cidades.[8][9][10] A ICM do Brasil foi organizada como rede em agosto de 2006. Em 2009 a ICM Brasil organizou sua Agenda Nacional que conta com um Conselho de Lideranças com reuniões periódicas, Retiro Nacional Anual, Retiro Regional Nordeste Bianual e Concílio Anual de Lideranças Comunitárias. A igreja brasileira se tornou a quarta com maior número de clérigas/os na UFMCC.[11]
Segundo um censo da associação publicado em 2025, ela teria 172 igrejas em 20 países.[12]
Controvérsias
Em 2003, a membro do conselho Terri Frey acusou o pastor Michael S. Piazza, da Catedral da Esperança, em Dallas, de irregularidades financeiras, iniciando uma investigação sobre a igreja. [13] No entanto, a investigação foi encerrada quando 88% dos membros da catedral votaram pela desfiliação da Igreja Metodista Unida (MCC). Em 2006, a Catedral da Esperança foi admitida na Igreja Unida de Cristo. A co-pastora Mona West alegou que a votação tinha menos a ver com a investigação do que com a frustração contínua da congregação com a MCC, particularmente a crença de que ela se concentrava demais em questões LGBTQIA+ e prejudicaria seus esforços para alcançar os progressistas e heterossexuais moradores de Dallas.
Ligações externas
- «Igrejas da Comunidade Metropolitana do Brasil (ICMBRASIL)»
- «ICM do Brasil»
- «Metropolitan Community Church - Estados Unidos da América» (em inglês)
Referências
- ↑ a b «Igreja da Comunidade Metropolitana: quem ama inclui». CONIC. 14 de outubro de 2020. Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ a b «O que são as "Igrejas da Comunidade Metropolitana (ICM)" e em que você acredita? | MCC: A Gay Church, LGBTQ Church, Human Rights Church & More» (em inglês). 23 de setembro de 2020. Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ a b c «Metropolitan Community Churches (MCC)». Britannica (em inglês). Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ a b c «Kit de Imprensa - Português 2023» (PDF). ICM. 2023. Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ a b c «Metropolitan Community Church». glbtq >> social sciences. Consultado em 25 de junho de 2024. Cópia arquivada em 24 de maio de 2011
- ↑ J. Gordon Melton, Encyclopedia of Protestantism, Infobase Publishing, USA, 2005, p. 557
- ↑ «História». ICM Brasil. Consultado em 25 de junho de 2024. Arquivado do original em 1 de fevereiro de 2022
- ↑ Azevedo, Pedro Costa (15 de maio de 2023). «Engajar para constituir alianças: visibilidade e políticas sexuais e de saúde na Igreja da Comunidade Metropolitana do Rio de Janeiro (ICM-Rio)». Religião & Sociedade: 181–205. ISSN 1984-0438. doi:10.1590/0100-85872023v43n1cap07. Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ OLIVEIRA, Luiz Gustavo Silva de (2017). “O Senhor é meu pastor e ele sabe que eu sou gay”: etnografando duas igrejas inclusivas na cidade de São Paulo (PDF). Rio de Janeiro: PUC-Rio
- ↑ Azevedo, Pedro Costa (16 de janeiro de 2024). «Entre o local e o global: as redes de parcerias e a constituição da visibilidade religiosa na Igreja da Comunidade Metropolitana do Rio de Janeiro (ICM-Rio)». Antropolítica - Revista Contemporânea de Antropologia. ISSN 2179-7331. doi:10.22409/antropolitica.i.a56305. Consultado em 25 de junho de 2024
- ↑ «Sobre as Igrejas da Comunidade Metropolitana». ICM Brasil. Consultado em 25 de junho de 2024. Arquivado do original em 28 de janeiro de 2022
- ↑ Metropolitan Community Church, Our churches, visitmccchurch.com, USA, acessado em 16 de agosto de 2025
- ↑ Caldwell, John (30 September 2003). «When the rainbow isn't enuf: a disagreement over its gay focus splits the world's largest GLBT denomination from its biggest church». The Advocate. Liberation Publications, Inc. Consultado em 20 August 2010. Cópia arquivada em 18 October 2015.
church member Michael Magnia. "The tie with MCC was more about gays and lesbians. You're going to have a difficult time getting even progressive heterosexuals to come to a church that is anchored to a gay and lesbian church."
Verifique data em:|acessodata=, |arquivodata=, |data=(ajuda)