Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Diamantina)

Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Diamantina)
Apresentação
Tipo
Estatuto patrimonial
Localização
Localização
Coordenadas

A Igreja de Nossa Senhora do Carmo localiza-se no município brasileiro de Diamantina.

Constitui-se em uma das mais significativas da região diamantina, alia a arquitetura graciosa e ao mesmo tempo imponente com a delicadeza e o vigor da decoração pictórica e de talha.

Ordem Terceira do Carmo

Alguns Carmelitas Terceiros professos na Ordem Terceira do Carmo de Vila Rica (Ouro Preto), Minas Gerais, quiseram se estabelecer no antigo Arraial do Tejuco (Diamantina), devido a distância para se congregarem entre si no sodalício de origem, e por isso, em 16 de abril de 1758, reunidos no consistório da Igreja Matriz de Santo Antônio (Catedral Metropolitana de Diamantina) junto com o pároco, Padre José Marques Ribeiro, dirigiram a seguinte petição ao Provincial do Carmo do Rio de Janeiro:

Dizem os Irmãos Terceiros da Venerável Ordem de Nossa Senhora do Carmo residentes no Arraial de Santo Antônio do Tejuco, freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila do Príncipe, comarca do Serro do Frio, que eles, suplicantes, de presentes se acham sujeitos à Mesa e Ordem Terceira de Vila Rica, Ouro Preto, distância do dito Arraial mais de 60 léguas, e por ser muita a longitude, e se acharem neste continente grande número de Irmãos para se poder estabelecer Ordem Terceira, e justamente terem já os suplicantes imagem de Nossa Senhora do Carmo colocada na Capela Matriz de Santo Antônio, e outrossim alguns ornamentos e fábricas necessárias para exercerem o culto divino, pretendem estes alcançar de V. Revma. a graça de Deus e conceder a faculdade para poderem estabelecer Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo no dito Arraial com todas as graças e prerrogativas concedidas a todas as Ordens Terceiras, como também para poderem eleger sua Mesa para bem se governarem. Para V. Revma., por serviço de Deus e de sua Mãe Santíssima Nossa Senhora do Monte do Carmo, lhes faça mais a conceder graças pedidas e faculdade para os suplicantes estabelecerem a dita Ordem Terceira para melhor servirem a Deus e salvar suas almas.[1]

Atendendo o requerimento, Frei Francisco de Santa Maria Quintanilha, como Prior Provincial Comissário Geral e Reformador da Província Carmelitana Fluminense, autorizou o estabelecimento da Ordem Terceira do Carmo em Diamantina, Minas Gerais, no dia 22 de março de 1759, com o seguinte despacho:

Como pedem, sendo a primeira Mesa feita por nós e sujeitando-se os suplicantes às leis, santa regra da nossa Ordem Mariana, estatutos que lhes dermos para o seu bom regime, e mandando buscar hábito a este convento para neles se amortalharem os Irmãos Terceiros, como devem ser. Não havendo religioso de nosso instituto, súdito que se achar no dito Arraial, damos o mesmo poder e comissão ao Revmo. Padre José Marques Ribeiro, por ser legítimo Comissário e diretor espiritual, executar todas as nossas determinações a respeito da ereção e conservação da dita Ordem.

Dada neste Carmo de São Sebastião do Rio de Janeiro por nós assinada e selada com o selo maior da Província aos 22 de março de 1759.

Frei Francisco de Santa Maria Quintanilha - Prior Provincial Comissário Geral e Reformador dos religiosos da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria do Monte do Carmo da Antiga Observância Regular da Província do Rio de Janeiro.

Frei Damião da Natividade Quintanilha - secretário.[1]

Logo em seguida à fundação da Ordem Terceira do Carmo em Diamantina, Minas Gerais, os Carmelitas Terceiros se reuniram em 10 de abril de 1759 e elegeram uma diretoria, que foi aprovada nos seguintes termos:

Pelo teor das presentes letras, com autoridade de nosso ofício, mandamos aos nossos Irmãos Terceiros do Arraial do Tejuco que a aceitem, cumprem e publiquem esta eleição de Prior e mais oficiais da Mesa, feita por nós no Arraial do Tejuco do Serro do Frio obedeçam aos nossos irmãos eleitos: 1° Comissário - Padre José Marcos Ribeiro; 1° Prior - o desembargador João Fernandes de Oliveira; Vice-prior - Miguel Luiz Figueiras; Secretário - Belchior Isidoro Barreto; Definidores - 1° sargento-mor Amaro Gomes de Almeida, 2° sargento-mor Vitoriano da Rocha Oliveira; 3° sargento-mor José da Silva Oliveira; 4° Manoel da Costa Duarte; 5° Luiz de Mendonça Cabral; 6° sargento-mor Manoel de Jocomo Sueiro; Tesoureiro - Domingos Ribeiro de Carvalho; Procurador - Antônio José Soares de Castro; Enfermeiro - Manoel Ferreira Negruis; Mestre de Noviços - Revmo. Padre Manoel de Almeida Ferreira; Vigário do Culto Divino - Dr. Manoel Pinto Sardinha; Sacristãos - Manoel Caetano dos Santos e José de Souza Câmara; Mestra das Noviças - Maria de Jesus, mulher de José Lopes Ribeiro; Andador - ao arbítrio da Mesa.[2]

O Prior dr. João Fernandes de Oliveira construiu a Igreja do Carmo no antigo Arraial do Tejuco as suas custas e doou à Ordem Terceira do Carmo de Diamantina por escritura lavrada em 6 de julho de 1765.[3]

Características

A torre única foi construída na parte posterior, solução absolutamente original e inusitada. O frontispício obedece ao sistema construtivo tradicional da arquitetura religiosa da região em madeira e adobe. O acento horizontal é dado pela cimalha de forte saliência, que se curva para permitir a inserção do óculo. Já o frontão rectangular, formado pelo prolongamento das pilastras centrais do frontispício, ladeado por duas volutas, é rematado, por sua vez, por um pequeno frontão decorado de telhas em bica e encimado por cruz.

Quanto à ornamentação, destaca-se o forro da capela-mor (1766) representando a Virgem entregando os escapulários a São Simão Stock. A composição deste forro, em perspectiva arquitectónica, apresenta quatro pilastras laterais unidas por arcos centrais, servindo como uma espécie de suporte para o desenvolvimento dos temas ornamentais que, tratados com abundância de detalhes, dão impressão de obras de ourivesaria, reforçada ainda pelo predomínio da tonalidade cinza com realces ouro distribuídos em pequenos toques. O forro da nave (1778/1784) tem como tema o episódio do arrebatamento ao céu do Profeta Elias num carro de fogo, no momento em que deixa cair o manto a Eliseu. Exuberante na sua concepção, este forro é considerado a obra prima do guarda-mor José Soares de Araújo.

A composição estruturada no sentido longitudinal, divide o espaço do forro em secções à maneira de frisos. O conjunto de retábulos concebidos e executados no estilo de D. João V é o que de melhor se encontra no género em toda a região.

Referências

  1. a b Livro de Termo. Ordem Terceira do Carmo de Diamantina MG: [s.n.] 1750. p. 9 a 11 
  2. Livro de Atas das Eleições. Ordem Terceira do Carmo de Diamantina MG: [s.n.] 1760-1797 
  3. Livro de Termos. Ordem Terceira do Carmo de Diamantina MG: [s.n.] 1761. p. 20