Igla (filme)

Igla
Em russo Игла
União Soviética
1988 •  cor •  81 min 
Gênero thriller
Direção Rashid Nugmanov
Produção Kazakhfilm
Roteiro Aleksandr Baranov
Bakhyt Kilibayev
Elenco Viktor Tsoi
Marina Smirnova
Pyotr Mamonov
Aleksandr Bashirov
Companhia produtora Kazakhfilm
Lançamento
  • 16 de setembro de 1988 (1988-09-16)
Idioma russo

Igla (em russo: Игла, transl. Igla) é um thriller de longa-metragem soviético lançado em 1988. O filme é realizado por Rashid Nugmanov e protagonizado por Viktor Tsoi (da banda Kino) e Pyotr Mamonov (da banda Zvuki Mu). O filme foi estreado dia 16 de setembro de 1988 em Almati e em fevereiro de 1989 em Moscovo.

Igla foi um dos primeiros filmes da Nova Vaga Cazaque, e foi um dos filmes mais vistos na União Soviética em 1989.[1]

Enredo

Moro (Tsoi), um jovem misterioso e errante, chega a Alma-Ata para cobrar a dívida de um criminoso local conhecido como Spartak (Bashirov). Lá, Moro encontra-se com a sua ex-namorada, Dina (Smirnova), que trabalha como enfermeira num hospital local, e que o acolhe no seu apartamento. Moro encontra-se com Spartak e descobre que este deve dinheiro a muita gente. Mais tarde, Moro descobre também que Dina está viciada em morfina, e que o patrão dela, um cirurgião de nome Artur (Mamonov), é o seu fornecedor, que lhe alimenta o vício em troca de usar o apartamento dela para esconder a droga.

Numa tentativa de ajudar Dina, Moro esconde a morfina dela e leva-a para passar umas semanas na costa do mar de Aral, uma viagem que o casal já tinha feito anos antes. No entanto, quando chegam ao seu destrino, são deparados com o deserto devoluto em que o lago se havia tornado.

Embora Dina pareça melhorar, ela imediatamente quebra a sua abstinência quando o casal regressa à cidade. Desesperado, Moro volta a encontrar-se com Spartak, que tem uma crise de histeria, confronta os traficantes de morfina, e consegue virar os homens de Artur contra ele.

A caminho de casa, Moro é apunhalado por um dos capangas de Artur, deixado sozinho numa rua coberta de neve. O final do filme é ambíguo, deixando em aberto o destino de Moro.

Elenco

  • Viktor Tsoi como Moro
  • Marina Smirnova como Dina
  • Aleksandr Bashirov como Spartak
  • Pyotr Mamonov como Artur Yusupovich
  • Archimedes Iskakov como Archimedes

Produção

O filme foi financiado pela produtora Kazakhfilm durante as reformas políticas e sociais da Perestroika.[2] Nugmanov aceitou realizar o filme na condição de ter carta branca na escolha do elenco, composto maioritariamente por atores não-profissionais, e no argumento. Nugmanov escolheu Viktor Tsoi, seu amigo, para representar o papel de Moro, uma personagem que ambos tinham desenvolvido enquanto estudavam no Instituto de Cinema Gerasimov, em Moscovo. Tsoi já antes se tinha estreado no grande ecrã, representando-se a si mesmo no epílogo de Assa.[2][3] Nugmanov comentou sobre a sua experiência a realizar o filme:

 

"Eu tentei livrar o filme (cenas, diálogos, ação) de qualquer simbolismo que tivesse, de forma a deixá-lo um veículo vazio que cada espectador pudesse preencher com a sua própria interpretação."

— [4]

O filme for rodado principalmente no Cazaquistão Soviético.[2] A embarcação que Moro e Dina encontram no mar Aral é um navio de investigação chamado Гидролог (em português: Hidrólogo).

Tsoi não gostou da indelicadeza da sua personagem na cena do hospital. Ele protestou contra a fala "Он тебя трахает?" ("ele anda a foder-te?") e sugeriu que fosse removida.[3]

A cena final em que Moro é apunhalado foi rodada na rua Tulebaev (Тулебаева) em Almaty. Numa entrevista, Nugmanov afirmou que Moro sobrevive, sendo que até tinha planos para o regresso da personagem em filmes futuros.[2]

Legado

Igla, em conjunto com Assa, fomentou a popularidade de Viktor Tsoi e de Kino com o público geral, tornando-se célebres por toda a URSS e atraindo até atenção internacional. A banda tocaria para uma audiência de 70 000 no Estádio Lujniki, em Moscovo, a 24 de junho de 1990, pouco antes de Tsoi falecer num acidente de viação na Letónia.[5]

Igla foi um dos filmes pioneiros da Nova Vaga Cazaque, onda em que se insere outro filme do realizador, The Wild East, de 1993. Originalmente, Nugmanov planeava o regresso de Tsoi como Moro neste filme, no entanto, a morte prematura do cantor em 1990 forçou o realizador a reescrever o argumento.[2]

A localização onde o final do filme foi rodado tornou-se um dos vários locais de culto a Viktor Tsoi. Em 2017 foi inaugurada um monumento em homenagem ao filme, com um passeio ornamentado por placas de metal com inscrições de letras de Tsoi.[6] Uma estátua do cantor foi instalada posteriormente, no dia 21 de junho de 2018.[7]

Igla: Remix (2010)

Em 2009, Rashid Nugmanov começou a a elaborar uma nova versão de Igla, que aprofundasse a ação do filme original, chamada de Igla: Remix (em russo: Игла: Ремикс).[8] Esta versão foi lançada a 16 de setembro de 2010. De acordo com Nugmanov, esta decisão foi feita em parte para homenagear o vigésimo aniversário da morte de Tsoi, e também para assegurar que o filme estivesse disponível na melhor qualidade possível. O primeiro corte do filme original tinha mais de duas horas, mas o material que não tinha sido utilizado na montagem final já tinha sido destruída pela Kazakhfilm.[9] O estúdio de efeitos especiais Doping-Pong animou novas cenas com Tsoi, visto que Nugmanov não gostava da ideia de rodar cenas com um duplo. Nugmanov também convenceu os antigos membro da banda Kino a escreverem novas canções para o filme.[9]

Contrariamente à versão original, que deixa o destino de Moro em aberto, ele sobrevive no Remix. Nugmanov comentou nesta alteração:

 

"[Durante a produção do filme original] Eu impus ao estúdio uma condição: ter liberdade criativa com o argumento, porque atores não-profissionais não vão poder representá-lo como está escrito. Em troca, eu tinha uma condição imposta: o filme tinha de acabar com a morte explícita de Moro. No entanto, Eu e Viktor não ficámos satisfeitos com um final assim, e decidimos que, depois de apunhalado, Moro se levasntaria e e continuaria a andar. Se ele sobrevive ou não fica ao critério dis espectadores. Já agora, há um hospital naquela zona, no qual Moro poderia facilmente ser tratado. Por isso, se eu agora matasse o herói no remix, eu teria de aceitar indiretamente o facto de Tsoi já não estar connosco."

[9]

Ver também

Referências

  1. «Йя-Хха - Галерея: Лидеры проката СССР 1989». www.yahha.com. Consultado em 1 de março de 2025 
  2. a b c d e Piggott, Talitha (18 de março de 2021). «Getting to the point: negotiating Rachid Nougmanov's The Needle». Klassiki (em inglês). Consultado em 1 de março de 2025 
  3. a b «Йя-Хха - ЧаВО». www.yahha.com. Consultado em 1 de março de 2025 
  4. https://film-cred.com/viktor-tsoi-assa-the-needle/
  5. Simeone, Tyler (22 de novembro de 2021). «Soviet Swan Song: Viktor Tsoi and the Punk Films of Perestroika». Film Cred (em inglês). Consultado em 1 de março de 2025 
  6. «Kazakhstan's Largest City Gets Monument To Soviet Rock Legend». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês). 13 de novembro de 2018. Consultado em 1 de março de 2025 
  7. «В Алматы появился памятник Виктору Цою». Деловой портал Капитал.кз (em russo). 22 de junho de 2018. Consultado em 1 de março de 2025 
  8. «Famed Kazakh Film Director Remakes Soviet Blockbuster». Radio Free Europe/Radio Liberty (em inglês). 23 de abril de 2009. Consultado em 1 de março de 2025 
  9. a b c Sadchikov, Mikhail (16 de agosto de 2010). «Рашид Нугманов: «Цой не знал системы Станиславского» (фото)». ФОНТАНКА.ру - новости Санкт-Петербурга (em russo). Consultado em 1 de março de 2025