Identidade regional

Identidade regional é uma concepção compartilhada por indivíduos da mesma região que evoca um sentimento de pertencimento ao local onde vivem. É uma parte da identidade pessoal, moldada por interações sociais, e que está diretamente ligada à noção de identidade coletiva de uma comunidade. Tal conceito pode se referir a uma região dentro de um único país ou congregar diferentes nações, como é o caso da identidade latino-americana ou da identidade dos países da Europa Ocidental.[1]
Apesar do entendimento de região ter sido, a princípio, foco da geografia, ao longo do tempo, ele também passou a ser desenvolvido por outros campos, como a sociologia e a antropologia. Nessas interpretações posteriores, a identidade regional deixa de ser reduzida somente à auto-percepção das pessoas que habitam a região e passa a considerar o processo de institucionalização daquele lugar. Desse modo, inclui a produção e reprodução da consciência regional pelos habitantes e por pessoas fora da região, e recursos materiais e simbólicos como parte de um processo contínuo de reprodução social.[2]

A consciência regional é o conhecimento que os habitantes têm da própria região e a identificação que sentem por ela. A construção da identidade regional está ligada à memória de cada pessoa que viveu na região e de espaços institucionais de preservação da memória, como os museus.[3]

O processo de regionalização e de reconhecimento das identidades regionais, além de firmarem um posicionamento político, têm um papel importante para a administração pública. Isso pode ser percebido em um país de dimensões continentais, como o Brasil, por exemplo. Ao considerar as especificidades de cultura, tradição e valores de cada região, é possível direcionar recursos públicos de acordo com as necessidades de cada contexto.[4]
Fatores de identificação regional
A identidade regional apresenta, de acordo com o cientista político Michael Keating, três dimensões: cognitiva, afetiva e instrumental. [1]
A dimensão cognitiva diz respeito ao processo de conscientização das pessoas acerca da região, de seus limites e de suas diferenças em relação a outras, como, por exemplo, a paisagem, a culinária, o legado histórico e as estruturas econômicas. A dimensão afetiva corresponde às demandas emocionais e aos afetos das pessoas em relação à região. Por fim, a dimensão instrumental refere-se à capacidade de mobilização de seus habitantes em torno de objetivos sociais, econômicos e políticos.[5]
Identidade e descentralização
Diferentes estudos postulam que a queda da confiança no governo nacional tende a produzir atitudes favoráveis à descentralização, ou seja, a demanda para conceder aos estados maior poder de atuação.[6] Nesse sentido, a realocação de autoridade decorreria de ligações afetivas de uma coletividade com identidades compartilhadas ao longo do tempo. Por meio de processos de socialização política, esses indivíduos teriam formado sentimentos de pertencimento a seu território de origem. Uma vez descrentes do governo federal, pressionariam os órgãos responsáveis pela devolução de competências aos estados. No limite, recaindo em movimentos separatistas como os observados na Catalunha, Quebec e Escócia.[6]
Referências
- ↑ a b Keating, Michael (2003). The new regionalism in Western Europe: territorial restructuring and political change Paperback ed. repr ed. Cheltenham: Elgar
- ↑ Paasi, A (fevereiro de 1991). «Deconstructing Regions: Notes on the Scales of Spatial Life». Environment and Planning A: Economy and Space (em inglês) (2): 239–256. ISSN 0308-518X. doi:10.1068/a230239. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ A Construcao Social Da Realidade: Tratado De Sociologia Do Conhecimento. [S.l.]: Editora Vozes. 20 de setembro de 2021
- ↑ Arretche, Marta; Marques, Eduardo (2002). «Municipalização da saúde no Brasil: diferenças regionais, poder do voto e estratégias de governo». Ciência & Saúde Coletiva: 455–479. ISSN 1413-8123. doi:10.1590/S1413-81232002000300006. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ Souza, Dercia Antunes; Gil, Antonio Carlos (28 de agosto de 2015). «A Importância da Identidade Regional na Configuração de Clusters Turísticos». Revista Turismo em Análise (2): 475–492. ISSN 1984-4867. doi:10.11606/issn.1984-4867.v26i2p475-492. Consultado em 8 de abril de 2025
- ↑ a b Ferrari, Diogo; Schlegel, Rogerio; Marta Arretche (20 de novembro de 2023). «O que Pensa o Brasileiro sobre a Federação? Centralização e Crise de Confiança pós-2013». Dados: e20220104. ISSN 0011-5258. doi:10.1590/dados.2024.67.3.333. Consultado em 17 de abril de 2025