Ibraim ibne Abi Becre
Ibraim ibne Abi Becre (em árabe: إبراهيم بن أبي بكر; romaniz.: Ibrāhīm ibn Abī Bakr) foi um oficial do Império Almorávida, ativo no reinado do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106).
Vida
Ibraim nasceu em data incerta ao longo do século XI e era filho de Abu Becre ibne Omar, uma das primeiras lideranças do movimento almorávida. Esteve envolvido nas expedições militares de seu pai pelo Magrebe e foi designado por ele como governador da recém-conquistada cidade de Segelmeça em 1070.[1] Contrariando o compromisso firmado entre seu pai e Iúçufe ibne Taxufine, segundo o qual Abu Becre abdicaria do poder político do movimento no Magrebe em troca de Iúçufe garantir a unidade dos almorávidas através de sua lealdade a Abu Becre, que continuou a ser reconhecido por muitos como líder do movimento, Ibraim agiu de forma autônoma e cunhou moedas com seu nome em Segelmeça. Iúçufe estava ocupado com a subjugação dos zenetas no Magrebe Central e não deu a devida importância a Ibraim, o que facilitou as ações dele, que entre 1070/1 e 1076/7 cunhou moedas em Segelmeça com seu nome.[2]
Em 1076/7, Ibraim deslocou-se para Agmate, onde exigiu que o governo fosse entregue a ele. Para tanto, trouxe consigo um enorme número de partidários lantunas. Iúçufe estava ciente da ameaça à sua autoridade, pois um conflito aberto com Ibraim ou causaria a cisão dos lantunas, cujo apoio ele precisava para controlar o Magrebe, ou poderia lhe custar o poder. Iúçufe então enviou um de seus apoiadores mais leais para negociar com ele, o comandante militar Masdali ibne Tilancane. No encontro, diz-se que Masdali teria citado os dizeres corânicos "A realeza está nas mãos de Deus, que a concede a quem Ele quiser." Com base nisso, afirmou que Iúçufe foi o escolhido divino, de modo que era mais vantajoso pedir-lhe riquezas e cavalos, em vez de acabar preso e escravizado. Ibraim concordou em ceder o poder após ser honrado com generosos presentes e retornou ao Saara.[2][3]
Referências
- ↑ Messier 2010, p. 54.
- ↑ a b Messier 2010, p. 63.
- ↑ Lagardère 1978, p. 53.
Bibliografia
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Messier, Ronald A. (2010). The Almoravids and the Meanings of Jihad. Santa Bárbara: Praeger/ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-38590-2