Abderramão ibne Muljame

Abederramão ibne Anre ibne Muljame Almuradi (em árabe: عَبْدُ الرَّحْمَن ابْنُ عَمْرِو ابْنُ مُلْجَم الْمُرَادِيّ; romaniz.: ʿAbd al-Raḥmān ibn Muljam al-Murādī), conhecido mais comumente simplesmente como Ibne Muljame, foi um dissidente carijita conhecido sobretudo por ter assassinato de Ali, o quarto califa do Califado Ortodoxo e o primeiro imame do imamato xiita. Após a morte de Ali, seu filho mais velho, Haçane ibne Ali, capturou Ibne Muljame e mandou executá-lo em Cufa, o mesmo local onde Ali fora assassinado.

Conspiração e assassinato

Houve numerosas deserções do campo de Ali após a Batalha de Sifim. A maioria desses desertores reuniu-se sob uma mesma bandeira e passou a ser conhecida como os carijitas. Alguns deles se encontraram em Meca e discutiram a Batalha de Naravã de 659, travada como consequência de Sifim, na qual a maior parte de seus combatentes foi aniquilada ao enfrentar o exército de Ali. Eles então arquitetaram um plano para assassinar três figuras proeminentes do mundo muçulmano: Anre ibne Becre Atamimi deveria matar Anre ibne Alas, Alhajaje Atamimi deveria matar Moáuia ibne Abi Sufiane, e Ibne Muljame ficou encarregado de matar o califa Ali. Os atentados deveriam ocorrer simultaneamente, no momento em que os três muçulmanos conduzissem a oração da manhã em suas respectivas cidades de Fostate, Damasco e Cufa. O método consistia em sair das fileiras da oração e atingir os alvos com uma espada embebida em veneno.[1]

A tentativa de assassinato de Anre ibne Alas por Anre ibne Becre Atamimi fracassou em 22 de janeiro, quando este matou Carija ibne Hudafa, o substituto de Anre na condução das orações de sexta-feira, confundindo-o com seu verdadeiro alvo.[2][3] Quando o carijita foi capturado e levado à presença de Anre, este exclamou: “Tu querias a mim, mas Deus quis Carija!”, e executou-o pessoalmente.[3] Em 26 de janeiro de 661, enquanto Ali rezava na Grande Mesquita de Cufa, Ibne Muljame atingiu-o com uma espada recoberta de veneno.[4]

Referências

  1. Cook 2007, p. 54–55.
  2. Wensinck 1960, p. 451.
  3. a b Hawting 1996, pp. 223–224.
  4. Tabatabai 1977, p. 192.

Bibliografia

  • Cook, David (15 de janeiro de 2007). Martyrdom in Islam. Cambrígia: Cambridge University Press. ISBN 978-0521615518 
  • Hawting, G. R. (1996). The History of al-Ṭabarī, Volume XVII: The First Civil War: From the Battle of Siffīn to the Death of ʿAlī, A.D. 656–661/A.H. 36–40. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade Estadual de Nova Iorque. ISBN 978-0-7914-2393-6 
  • Tabatabai, Muhammad Husayn (1977). Shi'ite Islam. Nova Iorque: SUNY Press. ISBN 978-0-87395-390-0 
  • Wensinck, A. J. (1960). «ʿAmr b. al-ʿĀṣ al-Sahmī». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. Leida: E. J. Brill. OCLC 495469456