Aliança Internacional de Memória do Holocausto

A Aliança Internacional de Memória do Holocausto, mais conhecida pela sigla IHRA (do inglês International Holocaust Remembrance Alliance)[1] é uma organização intergovernamental fundada em 1998 que une governos e especialistas para fortalecer, avançar e promover a educação, pesquisa e lembrança do Holocausto em todo o mundo e defender os compromissos da Declaração do Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto.[2] A IHRA tem 34 países membros,[3] um país de ligação[4] e sete países observadores.[5]
A organização foi fundada pelo então primeiro-ministro sueco Göran Persson em 1998. De 26 a 28 de janeiro de 2000, foi realizado o Fórum Internacional de Estocolmo sobre o Holocausto, reunindo líderes políticos e autoridades de mais de quarenta países para se encontrarem com líderes cívicos e religiosos, sobreviventes, educadores e historiadores. O ganhador do Prêmio Nobel Elie Wiesel atuou como presidente honorário do Fórum, e o professor Yehuda Bauer foi o conselheiro acadêmico sênior do evento.[6]
A IHRA busca influenciar a formulação de políticas públicas sobre questões relacionadas ao Holocausto e desenvolve pesquisas sobre seus aspectos menos conhecidos. A entidade adotou sua definição prática de antissemitismo em 2016 e desde então atua para promovê-la internacionalmente. Em 1º de junho de 2017, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução[7] conclamando os Estados-Membros da União Europeia e suas instituições a adotarem e aplicarem a definição operacional de antissemitismo proposta pela IHRA, que apoia a controversa equiparação entre antissemitismo e antissionismo ou críticas a Israel.[8]
Definição operacional de antissemitismo
Em 2016, a IHRA publicou uma “definição operacional não juridicamente vinculativa” do que constitui antissemitismo,[9] cujo texto é o seguinte:
O antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus que pode ser expressa como ódio contra eles. Manifestações verbais e físicas de antissemitismo são dirigidas a judeus ou não judeus e/ou suas propriedades, a instituições da comunidade judaica e a edifícios usados para culto.
— IHRA
A definição da IHRA fornece alguns exemplos concretos de antissemitismo contemporâneo, que também inclui alguns julgamentos sobre a conduta do Estado de Israel: por exemplo, fazer comparações entre as políticas israelenses contemporâneas e as dos nazistas é definido como antissemita.[9]
Esta definição foi adotada pela IHRA em 16 de maio de 2016[9] e posteriormente adotada por organismos supranacionais como a Comissão Europeia,[10] e por países como "Áustria, Bulgária, Canadá, França, Alemanha, Israel, Lituânia, Macedônia do Norte, Reino Unido, Romênia e Estados Unidos".[11] Em 2020, a Itália também adotou a definição: o Conselho de Ministros da República Italiana nomeou a professora Milena Santerini[12][13] como Coordinatrice nazionale per la lotta contro l'antisemitismo ("Coordenadora Nacional para o Combate ao Antissemitismo"),[14] com o objetivo de "afirmar com ainda mais veemência a necessidade de combater todas as formas de discriminação".[15] A definição de antissemitismo da IHRA adotada na Itália é a seguinte:
O antissemitismo é uma determinada percepção dos judeus que pode ser expressa como ódio contra eles. As manifestações retóricas e físicas do antissemitismo são dirigidas a indivíduos judeus ou não judeus e/ou suas propriedades, instituições da comunidade judaica e locais de culto.
— IHRA[16]
A IHRA tem sido criticada porque essa definição confunde a crítica às políticas de Israel ou ao sionismo com antissemitismo.
Brasil e IHRA
O Brasil, que participava como membro observador desde 2021 (governo Bolsonaro), deixou a IHRA em 2025. A informação foi divulgada em 24 de julho de 2025 pelo Ministério do Exterior de Israel, um dia depois que o Brasil anunciou que iria aderir formalmente ao processo movido pela África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça, sob a acusação de genocídio. Diplomatas brasileiros ouvidos pela Folha de S. Paulo, disseram que a retirada havia ocorrido porque a adesão feita durante o governo de Jair Bolsonaro, havia sido feita de forma "inadequada".[17]
O Ministério do Exterior de Israel classificou a saída do Brasil como "profunda falha moral" e que "voltar-se contra o Estado judeu e abandonar o consenso global contra o antissemitismo é imprudente e vergonhoso". A decisão brasileira também foi classificada como um "equívoco" pela Organização dos Estados Americanos.[17]
Países membros
| País membro | Ano de ingresso |
|---|---|
| 2002 | |
| 2019 | |
| 2001 | |
| 2005 | |
| 2018 | |
| 2009 | |
| 2005 | |
| 2002 | |
| 2004 | |
| 2007 | |
| 2010 | |
| 1999 | |
| 1998 | |
| 2005 | |
| 2002 | |
| 2011 | |
| 1998 | |
| 1999 | |
| 2004 | |
| 2002 | |
| 2003 | |
| 1999 | |
| 2021 | |
| 2003 | |
| 1999 | |
| 2019 | |
| 2004 | |
| 2011 | |
| 2005 | |
| 2011 | |
| 2008 | |
| 1998 | |
| 2004 | |
| 1998 | |
| 1998 |
Países observadores e de ligação
Os países que se candidatam a membros da IHRA são inicialmente aceitos como observadores, sujeitos à aprovação do plenário, e participam como tal dos grupos de trabalho e do Plenário.
| Status | |
|---|---|
| Observador | |
| Observador | |
| Observador | |
| Observador | |
| Observador | |
| Observador | |
| Observador[20] | |
| Observador | |
| Observador |
O Brasil aderiu à organização como membro observador em 2021, durante o governo Bolsonaro, mas retirou-se em 2025, durante o terceiro governo Lula e em meio ao agravamento do conflito israelo-palestino de 2023.[22]
Ver também
Referências
- ↑ Até janeiro de 2013, era chamada Força-Tarefa para Cooperação Internacional em Educação, Memória e Pesquisa do Holocausto (ITF). Ver «The Holocaust and the United Nations Outreach Programme». www.un.org (em inglês). Cópia arquivada em 2 de fevereiro de 2016
- ↑ «Stockholm Declaration». Consultado em 1 de agosto de 2017. Arquivado do original em 1 de agosto de 2017
- ↑ a b Portugal Becomes 34th International Holocaust Remembrance Alliance Member
- ↑ «Liaison Countries». Consultado em 1 de agosto de 2017. Arquivado do original em 21 de julho de 2018
- ↑ «Observer Countries». Consultado em 1 de agosto de 2017. Arquivado do original em 11 de setembro de 2017
- ↑ «Living History Forum». Consultado em 1 de agosto de 2017. Arquivado do original em 1 de agosto de 2017
- ↑ PROPOSTA DE RESOLUÇÃO sobre o combate ao antissemitismo, europarl.europa.eu 29 de maio de 2017.
- ↑ A definição prática de antissemitismo da IHRA. The International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA).
- ↑ a b c «Definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto». IHRA (em inglês). Consultado em 18 de junho de 2025
- ↑ «Definition of antisemitism» (em inglês). Consultado em 18 de junho de 2025
- ↑ «Resoconto dell'Assemblea» (em italiano). Consultado em 11 de março de 2021
- ↑ «Prevenzione e contrasto dell'antisemitismo» (PDF) (em italiano). Consultado em 11 de março de 2021
- ↑ «Lotta contro l'antisemitismo». Milena Santerini (em italiano). Consultado em 11 de fevereiro de 2024
- ↑ «STRATEGIA NAZIONALE DI LOTTA ALL'ANTISEMITISMO» (PDF) (em italiano)
- ↑ «L'Italia adotta la definizione di antisemitismo dell'IHRA» (em italiano). Consultado em 11 de março de 2021
- ↑ «Senato della Repubblica - Legislatura 18 Atto di Sindacato Ispettivo n° 1-00212» (em italiano). Consultado em 11 de março de 2021
- ↑ a b Schossler, Alexandre; Struck, Jean-Philip (31 de julho de 2025). «O que é a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto». Deutsche Welle. Consultado em 28 de janeiro de 2026
- ↑ IHRA welcomes Australia as 33rd Member Country
- ↑ «IHRA Member Countries». holocaustremeberance.com. Consultado em 21 de julho de 2018. Arquivado do original em 20 de julho de 2018
- ↑ «New Zealand becomes an Observer of the International Holocaust Remembrance Alliance». New Zealand Ministry of Foreign Affairs and Trade. 23 de junho de 2022. Consultado em 27 de junho de 2022. Arquivado do original em 27 de junho de 2022
- ↑ «Turkey | IHRA»
- ↑ «Governo Lula retira Brasil de aliança em memória do Holocausto». Metrópoles. 24 de julho de 2025. Cópia arquivada em 25 de julho de 2025