Iáia ibne Aláqueme

Iáia ibne Aláqueme ibne Abi Alas (em árabe: يَحْيَى بْنِ الْحَكَم بْنِ أَبِي الْعَاص; romaniz.: Yaḥyā ibn al-Ḥakam ibn Abī al-ʿĀṣ; morreu antes de 700) foi um estadista omíada durante o califado de seu sobrinho, Abedal Maleque (r. 685–705). Lutou contra o califa Ali r. na Batalha do Camelo e posteriormente mudou-se para Damasco, onde foi cortesão dos califas omíadas Moáuia I r. e Iázide I r.. Foi nomeado governador de Palestina por Abedal Maleque e é creditado, numa inscrição, pela construção de parte de uma estrada que ligava Damasco a Jerusalém em 692. Serviu como governador de Medina por um ano, em 694/5, e depois liderou uma série de expedições contra o Império Bizantino ao longo da fronteira norte da Síria.

Vida

Iáia era filho de Aláqueme ibne Abi Alas e meio-irmão mais novo do califa Maruane I r..[1][2] Sua mãe provinha da subtribo dos murraítas da tribo dos gatafanitas.[1] Ele lutou ao lado de Maruane e de seu irmão Abederramão, bem como de outros líderes seniores dos coraixitas, contra o califa Ali r. na Batalha do Camelo em 656.[1][2] Ali saiu vitorioso, e Iáia, ferido, encontrou abrigo junto a um membro da grande tribo Banu Tamim em Baçorá.[1] Esse membro da tribo escoltou-o até o quartel-general de seu primo distante, o governador de Síria, Moáuia ibne Abi Sufiane, em Damasco.[1] Ele permaneceu na cidade ao longo do califado de Moáuia (661–680) e do de seu filho e sucessor, Iázide I r..[1] Iáia condenou publicamente o assassinato do filho de Ali e neto do profeta islâmico Maomé, Huceine, pelo exército de Iázide na Batalha de Carbala em 680.[1]

Em algum momento entre 685 e 694, o sobrinho de Iáia, o califa Abedal Maleque ibne Maruane r., nomeou-o governador de Palestina.[1][3] Iáia é mencionado numa inscrição num marco miliário encontrado perto de Samaque, que lhe atribui a supervisão da construção de uma estrada através do desfiladeiro de Fique, nos Colinas de Golã, em nome de Abedal Maleque.[4][5] A inscrição data de maio/junho de 692,[6] o que a torna a mais antiga inscrição islâmica conhecida sobre a fundação de uma estrada.[7]

Em 694/5, Iáia foi nomeado governador de Medina.[8] Foi chamado de volta a Damasco no ano seguinte,[1] período durante o qual liderou uma campanha de verão contra os bizantinos na região geral de Melitene e Mopsuéstia. Em 697/8, liderou uma campanha contra a fortaleza bizantina de Marje Axame.[9] Isso pode ter ocorrido em 698/699.[1] Iáia morreu antes de 700.[1] Sua lápide foi encontrada em Catsrim, nos Montes Golã. O epitáfio, em escrita árabe cúfica, diz: “Que meu Senhor tenha misericórdia de Iáia ibne Aláqueme e o perdoe”.[10]

Família e descendentes

Uma das esposas de Iáia durante seu governo em Medina foi Ume Alcácime Assugra, filha de um importante companheiro de Maomé, Abderramão ibne Aufe.[11] Um filho de Iáia, Iúçufe, serviu como governador de Moçul no final do reinado de Abedal Maleque, e seu filho Alur e neto Iáia ibne Alur exerceram mandatos na província em 727–732 e 732, respectivamente.[12] Uma das filhas de Iáia, Amina, casou-se com o filho de Abedal Maleque, o futuro califa Hixame.[13] Posteriormente,[14] outra filha, Ume Haquim, que, como sua mãe Zainabe binte Abderramão, era bem conhecida por sua beleza e amor pelo vinho,[15] casou-se com Hixame e deu-lhe cinco filhos,[16] incluindo Solimão,[17] Maslama,[18] Iázide Alafecame[19] e Moáuia.[11]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k Sharon 1966, p. 371.
  2. a b Madelung 1997, p. 190, nota 225.
  3. Crone 1980, p. 125.
  4. Gil 1997, p. 109.
  5. Sharon 1966, pp. 370–371.
  6. Sharon 1966, p. 370.
  7. Sharon 1966, p. 368.
  8. Rowson 1989, p. 12.
  9. Rowson 1989, pp. 176, 181.
  10. Sharon 2004, pp. 230–232.
  11. a b Ahmed 2010, p. 78.
  12. Robinson 2004, pp. 152–153.
  13. Robinson 2004, p. 153.
  14. Museum Notes 1974, p. 178, nota 53.
  15. Hillenbrand 1989, p. 90, notas 455 and 456.
  16. Blankinship 1989, p. 65.
  17. Intagliata 2018, p. 141.
  18. Hillenbrand 1989, p. 90.
  19. Judd 2008, p. 453.

Bibliografia

  • Ahmed, Asad Q. (2010). The Religious Elite of the Early Islamic Ḥijāz: Five Prosopographical Case Studies. Oxônia: University of Oxford Linacre College Unit for Prosopographical Research. ISBN 978-1-900934-13-8 
  • Blankinship, Khalid Yahya (1989). The History of al-Ṭabarī, Volume XXV: The End of Expansion: The Caliphate of Hishām, A.D. 724–738/A.H. 105–120. SUNY Series in Near Eastern Studies. Albânia, Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Nova Iorque. ISBN 978-0-88706-569-9 
  • Crone, Patrícia (1980). Slaves on horses: the evolution of the Islamic polity. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press. ISBN 0-521-52940-9 
  • Gil, Moshe (1997) [1983]. A History of Palestine, 634–1099. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 0-521-59984-9 
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  • Judd, Steven (julho–setembro de 2008). «Reinterpreting al-Walīd b. Yazīd». Journal of the American Oriental Society. 128 (3): 439–458. JSTOR 25608405 
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  • Sharon, Moshe (junho de 1966). «An Arabic Inscription from the Time of the Caliph 'Abd al-Malik». Bulletin of the School of Oriental and African Studies. 29 (2): 367–372. doi:10.1017/S0041977X00058900 
  • Sharon, Moshe (2004). Corpus Inscriptionum Arabicarum Palaestinae (CIAP): D-F. Volume Three. Leida e Boston: Brill. ISBN 90-04-13197-3