Henrique II, Duque de Guise

 Nota: Não confundir com Henrique II da Lorena (Duque da Lorena e de Bar).
Henrique
Duque de Guise
Príncipe de Joinville
Retrato por Anthony van Dyck, c. 1634
Dados pessoais
Nascimento4 de abril de 1614
Paris, França
Morte2 de junho de 1664 (50 anos)
Paris, França
Cônjuge1- Ana Gonzaga (alegada)
2- Honorine de Glymes
(reconhecida pela Rota Romana)
CasaGuise
PaiCarlos, Duque de Guise
MãeHenriqueta Catarina de Joyeuse
Brasão

Henrique II da Lorena (em francês: Henri de Lorraine; Paris, 4 de abril de 1614 – Paris, 2 de junho de 1664), duque de Guise, foi um nobre e arcebispo francês, segundo filho de Carlos, duque de Guise e Henriqueta Catarina de Joyeuse.

Biografia

Aos quinze anos de idade, ele se tornou arcebispo de Reims. Segundo Gédéon Tallemant des Réaux, teve um caso bem conhecido com a atriz Marguerite Béguin durante esse período.[1]

A morte de seu irmão mais velho, Francisco, em 1639, colocou-o no ducado no ano seguinte. Ele se opôs ao Cardeal Richelieu e conspirou com o conde de Soissons,[2] lutando na Batalha de La Marfée, em 1641.[3] Por isso, foi condenado à morte, mas fugiu para Bruxelas em 1641.[3] Seus bens foram confiscados pelo rei em 1641, pelo crime de lesa-majestade. Posteriormente perdoado, ele retornou em 1643 e seus bens confiscados foram devolvidos.

Esperando reivindicar as antigas pretensões de sua família[a] ao Reino de Nápoles, ele se juntou à revolta de Masaniello em 1647.[5] A chamada "República Real de Nápoles" foi proclamada, apelando à proteção da França e sendo nominalmente chefiada por Guise (intitulado doge, em imitação da República de Veneza). No entanto, o imprudente Guise rapidamente alienou os napolitanos e teve pouca influência junto ao Cardeal Mazarin. Foi capturado pelos espanhóis em 1648, quando a república caiu, e mantido prisioneiro até 1652. Ele fez um segundo ataque a Nápoles em 1654, mas este terminou em fracasso, em parte devido à presença de uma frota inglesa sob o comando de Robert Blake, em apoio aos espanhóis.

Depois disso, estabeleceu-se em Paris, tornando-se Grande Camareiro da França de Luís XIV e afundando-se em dívidas devido a seus gastos com cavalos e entretenimentos. Foi patrono de Pierre Corneille, a quem ofereceu hospedagem no Hôtel de Guise.

Ao longo dos anos, duas mulheres reivindicaram ser sua esposa. A primeira foi Ana Gonzaga, mais tarde conhecida como "Princesa Palatina", que em 1639 parece ter sido enganada a acreditar que uma cerimônia de casamento clandestina era legítima. A segunda foi Honorine de Glymes (1617–1679), viúva de Albert Maximilien de Hénin-Liétard (1617–1640), que afirmou ter se casado com ele em Bruxelas em 11 de novembro de 1641. Em março de 1666, a Rota Romana declarou o casamento válido; mas o rei (e a Casa de Guise) recusaram-se a reconhecer a decisão, impedindo assim Madame de Bossut de receber qualquer parte da vasta fortuna do falecido duque.

Ana Gonzaga descreveu as "boas e más qualidades" do duque Henrique da seguinte forma:

Monsieur de Guise tinha a figura, o porte e as maneiras de um herói de romance, e toda a sua vida trazia a marca desse caráter. A magnificência reinava em toda a sua pessoa e em tudo o que o cercava; sua conversação era particularmente encantadora: tudo o que dizia, tudo o que fazia, proclamava que era um homem extraordinário. A ambição e o amor dominavam seus projetos, que eram tão vastos que se poderiam chamar de homéricos; mas, com um nome tão ilustre, um valor tão heroico e um pouco de boa sorte, nada ultrapassava suas esperanças. Tinha o dom de se fazer amar por todos aqueles a quem queria agradar, o que parecia ser característica dos príncipes da Casa da Lorena. Era volúvel em seus afetos, inconstante em seus projetos, precipitado na execução das coisas.

Ele morreu em Paris em 2 de junho de 1664 e foi sucedido por seu sobrinho, Luís José da Lorena.[6]

Notas

  1. como filho de Carlos, Duque de Guise, filho de Henrique I, Duque de Guise, filho de Ana d'Este, filha de Renata da França, filha de Luís XII da França, rei de Nápoles (1501–1504).[4]

Referências

  1. Scott, Virginia (2010). Women on the stage in early modern France: 1540-1750 Arquivado em 2021-05-15 no Wayback Machine. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 978-0521896757.
  2. Bergin 1996, p. 662.
  3. a b Spangler 2009, p. 236.
  4. Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
  5. Graheli 2017, p. 199.
  6. Michaud & Poujoulat 1839, p. 10.

Bibliografia