Helena Theodoro

Helena Theodoro
Nome completoHelena Theodoro Lopes
Nascimento
12 de maio de 1943 (82 anos)

Alma materUniversidade Federal do Rio de Janeiro
Ocupaçãoeducadora, filósofa, pedagoga, escritora

Helena Theodoro Lopes (Rio de Janeiro, 12 de junho de 1943) é uma educadora, filósofa, pedagoga e escritora brasileira.

A educadora se tornou conhecida por ser a primeira mulher negra a terminar um doutorado em Filosofia no Brasil, em 1985.[1] Sua trajetória de mais de meio século é marcada pela defesa da cultura afro-brasileira e pelo combate ao racismo estrutural.[2] Ela tornou-se referência nos estudos sobre a cultura afro-brasileira, carnaval, samba, arte e religiões de matriz africana, abrindo caminhos para novas gerações de intelectuais negros no país.[3]

Vida

Nascida na cidade do Rio de Janeiro, é filha do economista Jurandir Theodoro e da intérprete Lea de Araújo Theodor, ativistas negros. Na infância estudou balé, piano e Francês, bem como frequentou rodas de samba e teatros.[2]

Carreira

Helena tornou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1967 e em Pedagogia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) em 1970.[4] Em seguida, concluiu mestrado em Educação pela UFRJ em 1978 e obteve o doutorado em Filosofia pela Universidade Gama Filho em 1985, escrevendo sua tese de doutorado sobre um terreiro de candomblé e o pensamento da escola idealista alemã de Max Scheler.[3][4][5] Posteriormente, em 2019, finalizou um pós-doutorado em História Comparada no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.[2]

Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987, Helena participou dos debates da Subcomissão dos Negros, Populações Indígenas, Pessoas Deficientes e Minorias. Defendeu, ao lado de Lélia Gonzalez, a inclusão da História Africana e Afro-Brasileira nos currículos escolares e a valorização das tradições culturais de matriz africana, ressaltando a necessidade de combater estereótipos e assegurar igualdade material para a população negra.[6]

Paralelamente à carreira acadêmica, a pesquisadora teve destacada atuação na comunicação e divulgação cultural. Ingressou muito jovem na Rádio MEC, emissora de rádio pública federal, onde aos 15 anos já produzia e apresentava programas educativos e culturais e se tornou a primeira coordenadora do Projeto Minerva, iniciativa pioneira de educação a distância via rádio durante a década de 1970.[7][8]

Helena utilizou o espaço radiofônico para difundir conhecimentos sobre os quilombos, os orixás, o samba e a resistência negra, numa época em que essas pautas tinham pouca voz na mídia hegemônica.[7] Ela também conduziu diversas entrevistas na Rádio MEC, dando espaço a importantes lideranças e intelectuais negros, como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Carlos Alberto Medeiros, Joel Rufino dos Santos, Muniz Sodré e Martinho da Vila.[7]

Obras

Como escritora é autora e coautora de diversos livros e artigos que abordam a história, a cultura e a espiritualidade afro-brasileira. Ainda nos anos 1970, colaborou em obras educacionais sendo co-autora de coleção didática e do livro Negro e Cultura no Brasil (1986).[9]

Em sua produção individual, destacam-se os seguintes livros:

  • Mito e Espiritualidade: Mulheres Negras (1996)[10]
  • Iansã: rainha dos ventos e da tempestade (2009)[10]
  • Os Ibejis e o Carnaval (2009)[10]
  • Martinho da Vila reflexos no espelho (2018)[10]

Além dos livros, a escritora publicou numerosos artigos acadêmicos e capítulos de livros sobre temas como cultura afro-brasileira, samba e carnaval, religiões de matriz africana, identidade étnica, educação e direitos humanos. Seus trabalhos frequentemente discutem valores civilizatórios africanos (como a filosofia Ubuntu), o enfrentamento do racismo e a valorização dos saberes tradicionais.[11]

Reconhecimentos

Em abril de 2023, prestes a completar 80 anos, foi homenageada em uma sessão solene na Câmara dos Deputados em Brasília, a convite da deputada Benedita da Silva, durante um evento sobre os 100 anos da Rádio MEC, oportunidade em que se reconheceu sua trajetória como pioneira na comunicação e na educação antirracista.[7]

No ano seguinte, Helena recebeu duas das mais altas condecorações concedidas no Rio de Janeiro: em abril de 2024 foi agraciada com a Medalha Tiradentes, honraria máxima da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (ALERJ), em reconhecimento à sua trajetória marcante na defesa da cultura afro-brasileira[12][13] e dias depois, foi também agraciada com a Medalha Chiquinha Gonzaga, outorgada pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro a mulheres que se destacam em causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais.[14]

Neste mesmo ano, sua vida e obra foram tema de uma grande homenagem no campo cultural: o Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo realizou a ocupação “Trilogia Matriarcas”, um evento multidisciplinar em tributo à sua história.[2]

Referências

  1. DACOR (8 de janeiro de 2025). «Helena Theodoro: A primeira doutora negra do Brasil. – DACOR». Consultado em 30 de setembro de 2025 
  2. a b c d Negra, Geledés Instituto da Mulher (8 de dezembro de 2024). «Helena Theodoro, primeira doutora negra do brasil, é tema de ocupação no CCBB SP». Geledés. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  3. a b Ella, Planeta (24 de julho de 2024). «Conheça Helena Theodoro: referência em história e cultura afro-brasileira». Mídia NINJA. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  4. a b «Helena Theodoro - Literatura Afro-Brasileira». www.letras.ufmg.br. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  5. Negra, Geledés Instituto da Mulher (5 de julho de 2025). «Helena Theodoro foi uma intelectual pioneira em promover diversas reflexões». Geledés. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  6. Canto, Vanessa Santos do (31 de dezembro de 2022). «Lélia Gonzalez, Helena Theodoro e a educação das relações étnico-raciais na Assembleia Nacional Constituinte de 1987-88: por um constitucionalismo amefricano ou um direito de tipo nosso». REVISTA QUAESTIO IURIS (4): 1907–1927. ISSN 1516-0351. doi:10.12957/rqi.2022.64841. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  7. a b c d FENAJ (4 de abril de 2023). «Helena Theodoro será homenageada no Congresso Nacional». FENAJ. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  8. Brasil, Bruno de Freitas Moura-Repórter da Agência (12 de setembro de 2024). «Historiadora Helena Theodoro recebe maior honraria do Rio de Janeiro». Acessa.com. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  9. «Negro e cultura no Brasil, Lopes, Helena Theodoro». sesc.i10bibliotecas.com.br. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  10. a b c d Oliveira, Semayat S. (21 de dezembro de 2022). «Helena Theodoro: a força de Iansã na cultura afro-brasileira». Nós, mulheres da periferia. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  11. Ella, Planeta (24 de julho de 2024). «Conheça Helena Theodoro: referência em história e cultura afro-brasileira». Mídia NINJA. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  12. Andrade, Washington. «Medalha Tiradentes para a Professora Helena Theodoro». Africas. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  13. Brasil, Bruno de Freitas Moura-Repórter da Agência (12 de setembro de 2024). «Historiadora Helena Theodoro recebe maior honraria do Rio de Janeiro». Acessa.com. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  14. Barbosa, Mariane (18 de abril de 2024). «Referência em cultura afro-brasileira, Helena Theodoro recebe honraria no Rio de Janeiro». AlmaPreta. Consultado em 30 de setembro de 2025