Gyrostigma rhinocerontis
Gyrostigma rhinocerontis
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![]() Fotografia da mosca Gyrostigma rhinocerontis, vista superior. A maior mosca da África, atingindo pouco mais de 4 centímetros.[1] | |||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||
| Gyrostigma rhinocerontis (Owen, 1830)[4][5] | |||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||
![]() A mosca G. rhinocerontis é encontrada na África Subsaariana (imagem).
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| Sinónimos | |||||||||||||||||||
| Oestrus rhinocerontis Owen, 1830[4] | |||||||||||||||||||
Gyrostigma rhinocerontis (nomeada, em inglês, rhinoceros bot fly ou rhinoceros stomach botfly; na tradução para o português: "mosca-do-rinoceronte" ou "mosca-do-estômago-do-rinoceronte")[1][6] é uma espécie de inseto; uma mosca (Diptera; Brachycera) distribuída pela África subsaariana e pertencente à família Oestridae. Foi classificada por Richard Owen, em 1830 (no passado se creditando a F. W. Hope, em 1840, sua classificação);[4][5] originalmente denominada Oestrus rhinocerontis,[4] conhecida por sua relação de endoparasitismo; suas larvas encontradas no estômago de rinocerontes brancos e negros. É considerada a maior mosca do continente africano, medindo entre 3.5 e 4.1 centímetros de comprimento, com uma envergadura próxima aos 7 centímetros.[1] Como a mosca depende dos rinocerontes-de-dois-chifres africanos para a reprodução, seus números diminuíram junto com o declínio da população de rinocerontes, outrora amplamente distribuídos por toda a África, exceto na Bacia do Congo.[7]
Descrição
O dimorfismo sexual em Gyrostigma rhinocerontis é pouco evidente,[8] ambos os sexos apresentando a coloração de suas cabeças variando do laranja ao castanho escuro. O corpo é de coloração enegrecida e suas pernas avermelhadas.[1] Quando em repouso a ponta de seu abdômen se direciona para baixo.[1]
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Fotografia de uma mosca Gyrostigma rhinocerontis, pousada. Em repouso a ponta de seu abdômen se direciona para baixo.[1]
Ciclo de vida
O ciclo de vida de Gyrostigma rhinocerontis se inicia com a fêmea depositando seus ovos no chifre e no rosto do animal. Após cerca de 6 dias, dos ovos, eclodem pequenas larvas medindo apenas 2.5 milímetros; usando seus ganchos bucais e espículas (pequenas estruturas anatômicas em forma de agulha) para migrar para o estômago do rinoceronte, sem que se saiba, ainda, se migram para sua boca e narinas ou se simplesmente se enterram através da pele. Dentro do estômago elas se alimentam de sangue e tecido, passando por 3 estágios: no estágio 2 medindo 2 centímetros e penetrando ainda mais profundamente na mucosa gástrica e no estágio 3 medindo praticamente o mesmo comprimento do adulto, deixando sua coloração rosada e sendo de coloração amarelada com áreas castanhas. Quando estão prontas para iniciar suas metamorfoses em pupa, elas deixam o corpo do rinoceronte pelo trato intestinal e saem com suas fezes, se enterrando no solo pelas próximas 6 semanas até se transformarem em moscas que vivem por cerca de 3 a 5 dias em busca de acasalamento e locais para oviposição, não se alimentando durante esse período. Essa relação entre a mosca e o rinoceronte parece causar pouco ou nenhum dano ao hospedeiro e há a cogitação se essa relação não poderia trazer algum benefício (auxílio na digestão) para o rinoceronte.[1][6][9]
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Fotografia de um rinoceronte-branco, uma das duas espécies de rinocerontes hospedeiros de Gyrostigma rhinocerontis.[1]
O gênero Gyrostigma
O gênero Gyrostigma foi proposto por Friedrich Moritz Brauer, em 1885[2] e, além desta espécie descrita em meados do século XIX, inicialmente a partir de larvas encontradas em fezes de rinoceronte e no intestino de animais abatidos, contém mais duas espécies, provavelmente extintas: Gyrostigma conjungens e G. sumatrensis. A última observação de G. conjungens data de 1961 e apenas uma larva de G. sumatrensis é conhecida, através de um rinoceronte-de-sumatra que viveu no Zoológico de Hamburgo, na Alemanha, em 1884.[3]
Presença de G. rhinocerontis na América
Na década de 1990, em um zoológico localizado no Rio Grande do Sul, Brasil, houve um relato da ocorrência de larvas de G. rhinocerontis nas fezes de um rinoceronte-branco (Ceratotherium simum) trazido da África do Sul; também encontradas mais ao norte, em 2005, nas fezes de um grupo de rinocerontes-brancos legalmente importados da África do Sul, no zoológico da cidade de Itatiba, estado de São Paulo, sendo tratados por veterinários para evitar a sua dispersão na natureza.[3]
Referências
- ↑ a b c d e f g h van der Walt, Vida (maio de 2019). «LIVING INSIDE THE RHINO» (PDF) (em inglês). Wildlife Vets Namibia. Edition 14. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b «Gyrostigma Brauer, 1885» (em inglês). GBIF. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b c Pachaly, José R.; Monteiro-Filho, Luiz P. C.; Gonçalves, Daniela D.; Voltarelli-Pachaly, Evandra M. (agosto de 2016). «Open-access Gyrostigma rhinocerontis (Diptera: Oestridae, Gasterophilinae) in white rhinoceroses (Ceratotherium simum) imported from South Africa: occurrence in Itatiba, São Paulo, Brazil» (em inglês). Pesquisa Veterinária Brasileira 36 (08) (WILDLIFE MEDICINE: SciELO). 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b c d «Gyrostigma rhinocerontis (Owen, 1830)» (em inglês). GBIF. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b Evenhuis, Neal L. (1 de outubro de 2012). «Sir Richard Owen's fly, Gyrostigma rhinocerontis (Diptera: Oestridae): correction of the authorship and date, with a list of animal names newly proposed by Owen in his little-known 1830 catalogue» (em inglês). Zootaxa Vol. 3501 No. 1. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ a b «rhinoceros botfly (Gyrostigma rhinocerontis (Hope, 1840))» (em inglês). University of Georgia. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ Barraclough, David A. (2006). «Bushels of Bots. Africas largest fly is getting a reprieve from extinction» (em inglês). Natural History. p. 18-21. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ Benoit, Gilles (1 de outubro de 2018). «Gyrostigma Rhinocerontis: His larva lives in the rhino's stomach» (em inglês). Passion Entomologie. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
- ↑ Saturn Media (11 de junho de 2022). «RHINOCEROS STOMACH WORMː Don't forget the lil' ones» (em inglês). Wildlife Ranching South Africa: WRSA. 1 páginas. Consultado em 13 de setembro de 2025
![Fotografia da mosca Gyrostigma rhinocerontis, vista superior. A maior mosca da África, atingindo pouco mais de 4 centímetros.[1]](./_assets_/0c70a452f799bfe840676ee341124611/Gyrostigma_rhinocerontis_(Owen%252C_1830)_1_-_iNaturalist.org.jpg)
