Guerra do Cauca

Guerra do Cauca
Conflito fronteiriço entre Colômbia e Equador

Equador em 1830 e as províncias em disputa
Data7 de fevereiro - 8 de dezembro de 1832
LocalFronteira entre Equador e Nova Granada
DesfechoVitória de Nova Granada
Assinatura do Tratado de Pasto, onde o Rio Carchi é reconhecido como fronteira
Beligerantes
Colômbia República de Nova Granada Equador Estado do Equador
Comandantes
Colômbia José María Obando
Colômbia José Hilario López
Colômbia Antonio Obando
Colômbia Joaquín Posada Gutiérrez
Colômbia José Ignacio de Márquez
Colômbia Francisco de Paula Santander
Equador Juan José Flores
Equador Modesto Larrea y Carrión
Equador Antonio Martínez Pallares
Equador Fernando Ayarza
Equador Antonio Farfán
Equador Tomás Carlos Wright
Forças
Entre 3000 e 4000 tropas Entre 3000 tropas no inicio da guerra

A Guerra entre o Equador e Nova Granada, ou Guerra do Cauca,[1][2][3] foi um conflito armado que opôs a República de Nova Granada (atual República da Colômbia) contra o Estado do Equador (atual República do Equador), uma vez que os dois países possuíam uma disputa fronteiriça pelo domínio das províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura, reivindicadas por ambos conforme as disposições da Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia e pelo direito internacional adotado pelas nações latino-americanas do uti possidetis iuris.[4][5] Culminou em um resultado benéfico para a República de Nova Granada, que manteve todos os territórios disputados.

Contexto

Os antecedentes da Guerra do Cauca começam em 6 de maio de 1830, quando um congresso se reuniu em Caracas para proclamar a separação da Venezuela e iniciar a dissolução grã-colombiana. Poucos dias depois, em 13 de maio, o Equador também declarou independência, cuja primeira carta fundamental afirmava que: o território do Equador inclui os três departamentos do Equador dentro dos limites do antigo "Reino e Presidência de Quito",[4][6] pretendendo significar que todos os territórios dos departamentos grã-colombianos de Cauca, Guayaquil, Azuay e Quito estavam sob sua jurisdição. Isto, no entanto, contradizia a carta fundamental de Nova Granada emitida em 1831 e 1832, que baseada na Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia de 25 de junho de 1824, estabelecia que seus limites estavam ao sul da Província de Pasto.[7][8]​ Quando ambos os Estados aceitaram o uti possidetis iuris de 1810, gerou-se ainda mais polêmica, pois a antiga Província de Popayán estava dividida entre as Reais Audiências de Santafé e de Quito, sua jurisdição estava repartida entre os dois Reinos.

Desenvolvimento

Nesse período, o primeiro presidente do Equador, o general venezuelano Juan José Flores, conseguiu que alguns clérigos, obedientes às ordens do bispo de Quito, assinassem uma declaração em Pasto a favor da anexação da Província de Pasto ao Equador. Flores publicou uma proclamação para a população de Pasto e Cauca anunciando que enviaria um exército de 3.000 homens a partir de Ibarra para incorporá-los ao Equador.[9] Em 23 de agosto de 1830, os coronéis García e Zamora assinaram o “Ato de Iscuandé” através do qual incorporaram o cantão de Buenaventura ao Equador; poucos meses depois, os cantões de Guapí, López de Micay e Barbacoas seguiram o exemplo.[10] Dada a recusa de José María Obando e José Hilario López em apoiar o regime de Rafael Urdaneta, em 11 de novembro do mesmo ano reuniram-se em Buga uma assembleia para decidir sobre a anexação de Cauca ao Equador, cuja resolução foi afirmativa por maioria de votos.[1] Flores solicitou então que as províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura aderissem voluntariamente ao Equador, que tinham representação no Congresso de Quito.[11]

O presidente Juan José Flores, após enviar guarnições a Pasto, visitou essas cidades e emitiu um decreto no qual declarou o antigo Departamento de Cauca incorporado ao Equador. Em 1831 anexou Popayán e o Congresso Ordinário daquele ano declarou oficialmente a incorporação de Cauca ao Equador, mas condicionou essa resolução à Convenção Colombiana para que delimitasse os novos Estados que deveriam compô-la.[12] No início de julho daquele ano, Flores enviou a Bogotá o Coronel Basilio Palacios Urquijo com o objetivo de obter do governo de Nova Granada o reconhecimento do Estado equatoriano e regular as relações diplomáticas entre os dois países, que não chegou a qualquer acordo. Em 22 de julho de 1831, o governo da República de Nova Granada enviou um comunicado ao governo equatoriano através de seu delegado onde exigia insistentemente o retorno deste Departamento a Nova Granada de acordo com a lei de 1824, porém os equatorianos mantiveram sua recusa declarando que a adesão de Cauca ao Equador ocorreu por livre vontade de seus habitantes, o que gerou uma situação diplomática difícil para ambos os países.[10]

No final de 1831, a Convenção Granadina enviou o General José Hilario López a Popayán para promover a reincorporação de Cauca à República de Nova Granada. Devido ao decreto do Congresso Equatoriano que incorporou Cauca como parte de seu território, o General López em 7 de fevereiro de 1832 assumiu o comando das milícias de Popayán, pois com exceção das províncias de Buenaventura e Pasto, que foram ocupadas por tropas equatorianas, os cantões do Valle del Cauca de Cali, Buga, Toro, Cartago e Nóvita decidiram reintegrar-se em Nova Granada.[11]​ Em seguida, ocorre o confronto militar entre Equador e Nova Granada. Um combate eclodiu entre o exército equatoriano liderado por Juan José Flores e o exército de Nova Granada, comandado por José María Obando. Em março de 1832, o governo de Nova Granada, chefiado pelo vice-presidente José Ignacio de Márquez, enviou a Quito uma comissão de paz composta por José Manuel Restrepo e o bispo de Santa Marta José María Estévez, sem quaisquer resultados.[10]

Obando recrutou cerca de mil e quinhentos soldados em toda a antiga Cauca e marchou para Pasto, como propósito de capturar a cidade. Quando as forças equatorianas sob o comando do general Antonio Farfán chegaram, haviam recuado devido à atitude hostil do povo de Pasto, e embora os soldados equatorianos tenham triunfado em algumas batalhas, a falta de suprimentos os fez entrar em colapso. Diante desta situação, Obando ofereceu a paz com a condição de que o território disputado fosse devolvido; Flores aceitou uma vez que estava enfrentando a sublevação de suas tropas em Guayaquil.

Consequências

Em 8 de dezembro de 1832, o tratado de paz, amizade e aliança entre Nova Granada e Equador foi assinado na cidade de Pasto pelo General Joaquín Posada Gutiérrez representando Nova Granada e por Pedro José de Arteta em nome do Equador,[11]​ estabelecendo o rio Carchi[13] como limite fronteiriço entre os dois países, deixando pendente a decisão sobre a soberania dos portos de La Tola e Tumaco, na província de Buenaventura.[14] O Tratado de Pasto deu limites apenas a uma parte da fronteira, mas não ao resto do território do Equador, que posteriormente foi demarcado com a Colômbia.

Referências

  1. a b «Guerra del Cauca y Tratado de Pasto» 
  2. «La Voz del Ecuador» 
  3. Adela M. Alija. «La situación actual de los conflictos territoriales y fronterizos en América Latina y el Caribe». p. 4 
  4. a b Jaramillo Alvarado, Petronio (1925). «III: Los límites del Ecuador independiente». Los Tratados con Colombia (PDF). Quito, Ecuador: Imprenta de la Universidad Central: [s.n.] 
  5. Egas, Miguel et al. (2009). Interdependencia fronteriza entre Ecuador y Colombia (PDF). Quito: [s.n.] p. 5 
  6. «Constitución del Ecuador de 1830». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes 
  7. «Ley fundamental de la Nueva Granada de 1831». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Cópia arquivada em 1 de fevereiro de 2012 
  8. «Constitución Política del Estado de Nueva Granada de 1832». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes 
  9. José Anselmo Pineda Gómez (1872). Biblioteca de ex-coronel Pineda; o, Colección de publicaciones hechas en el vireinato de Santa Fé, en las repúblicas de Colombia y Nueva Granada, desde 1774 a 1850, y de varios manuscritos nacionales, e impresos extranjeros, relacionados con los negocios de la República, anteriores, contemporáneos y posteriores a la revolución de 1810. El Tradicionalista, pp. 110.
  10. a b c Ministerio de Relaciones Exteriores. «Sinopsis de la Frontera Colombia-Ecuador» (PDF). Sociedad Geográfica de Colombia, Bogotá 
  11. a b c Vélez Ocampo, Antonio. «Campaña del Sur». Biblioteca Luis Ángel Arango. Consultado em 11 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2012 
  12. Atlas interactivo (10° de básica) (PDF). [S.l.]: Ediciones Holguín. p. 6. Arquivado do original (PDF) em 3 de março de 2016 
  13. «Historia de la República». Efeméridas ecuatorianas. Consultado em 11 de agosto de 2012 
  14. López Domínguez, Luis Horacio. «Capítulo 26: Tratado de paz, amistad y alianza entre la Nueva Granada y Ecuador, Pasto, 8 de diciembre de 1832 - Capítulo 27: Tratado adicional al de paz, amistad y alianza entre la Nueva Granada y Ecuador, Pasto, 8 de diciembre de 1832». Relaciones Diplomáticas de Colombia y la Nueva Granada: Tratados y Convenios 1811 - 1856. [S.l.: s.n.] ISBN 958-643-000-6 
  • Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Guerra del Cauca».