Guerra do Cauca
| Guerra do Cauca | |||
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| Conflito fronteiriço entre Colômbia e Equador | |||
![]() Equador em 1830 e as províncias em disputa | |||
| Data | 7 de fevereiro - 8 de dezembro de 1832 | ||
| Local | Fronteira entre Equador e Nova Granada | ||
| Desfecho | Vitória de Nova Granada Assinatura do Tratado de Pasto, onde o Rio Carchi é reconhecido como fronteira | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
| Forças | |||
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A Guerra entre o Equador e Nova Granada, ou Guerra do Cauca,[1][2][3] foi um conflito armado que opôs a República de Nova Granada (atual República da Colômbia) contra o Estado do Equador (atual República do Equador), uma vez que os dois países possuíam uma disputa fronteiriça pelo domínio das províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura, reivindicadas por ambos conforme as disposições da Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia e pelo direito internacional adotado pelas nações latino-americanas do uti possidetis iuris.[4][5] Culminou em um resultado benéfico para a República de Nova Granada, que manteve todos os territórios disputados.
Contexto
Os antecedentes da Guerra do Cauca começam em 6 de maio de 1830, quando um congresso se reuniu em Caracas para proclamar a separação da Venezuela e iniciar a dissolução grã-colombiana. Poucos dias depois, em 13 de maio, o Equador também declarou independência, cuja primeira carta fundamental afirmava que: o território do Equador inclui os três departamentos do Equador dentro dos limites do antigo "Reino e Presidência de Quito",[4][6] pretendendo significar que todos os territórios dos departamentos grã-colombianos de Cauca, Guayaquil, Azuay e Quito estavam sob sua jurisdição. Isto, no entanto, contradizia a carta fundamental de Nova Granada emitida em 1831 e 1832, que baseada na Lei de Divisão Territorial da República da Colômbia de 25 de junho de 1824, estabelecia que seus limites estavam ao sul da Província de Pasto.[7][8] Quando ambos os Estados aceitaram o uti possidetis iuris de 1810, gerou-se ainda mais polêmica, pois a antiga Província de Popayán estava dividida entre as Reais Audiências de Santafé e de Quito, sua jurisdição estava repartida entre os dois Reinos.
Desenvolvimento
Nesse período, o primeiro presidente do Equador, o general venezuelano Juan José Flores, conseguiu que alguns clérigos, obedientes às ordens do bispo de Quito, assinassem uma declaração em Pasto a favor da anexação da Província de Pasto ao Equador. Flores publicou uma proclamação para a população de Pasto e Cauca anunciando que enviaria um exército de 3.000 homens a partir de Ibarra para incorporá-los ao Equador.[9] Em 23 de agosto de 1830, os coronéis García e Zamora assinaram o “Ato de Iscuandé” através do qual incorporaram o cantão de Buenaventura ao Equador; poucos meses depois, os cantões de Guapí, López de Micay e Barbacoas seguiram o exemplo.[10] Dada a recusa de José María Obando e José Hilario López em apoiar o regime de Rafael Urdaneta, em 11 de novembro do mesmo ano reuniram-se em Buga uma assembleia para decidir sobre a anexação de Cauca ao Equador, cuja resolução foi afirmativa por maioria de votos.[1] Flores solicitou então que as províncias de Pasto, Popayán e Buenaventura aderissem voluntariamente ao Equador, que tinham representação no Congresso de Quito.[11]
O presidente Juan José Flores, após enviar guarnições a Pasto, visitou essas cidades e emitiu um decreto no qual declarou o antigo Departamento de Cauca incorporado ao Equador. Em 1831 anexou Popayán e o Congresso Ordinário daquele ano declarou oficialmente a incorporação de Cauca ao Equador, mas condicionou essa resolução à Convenção Colombiana para que delimitasse os novos Estados que deveriam compô-la.[12] No início de julho daquele ano, Flores enviou a Bogotá o Coronel Basilio Palacios Urquijo com o objetivo de obter do governo de Nova Granada o reconhecimento do Estado equatoriano e regular as relações diplomáticas entre os dois países, que não chegou a qualquer acordo. Em 22 de julho de 1831, o governo da República de Nova Granada enviou um comunicado ao governo equatoriano através de seu delegado onde exigia insistentemente o retorno deste Departamento a Nova Granada de acordo com a lei de 1824, porém os equatorianos mantiveram sua recusa declarando que a adesão de Cauca ao Equador ocorreu por livre vontade de seus habitantes, o que gerou uma situação diplomática difícil para ambos os países.[10]
No final de 1831, a Convenção Granadina enviou o General José Hilario López a Popayán para promover a reincorporação de Cauca à República de Nova Granada. Devido ao decreto do Congresso Equatoriano que incorporou Cauca como parte de seu território, o General López em 7 de fevereiro de 1832 assumiu o comando das milícias de Popayán, pois com exceção das províncias de Buenaventura e Pasto, que foram ocupadas por tropas equatorianas, os cantões do Valle del Cauca de Cali, Buga, Toro, Cartago e Nóvita decidiram reintegrar-se em Nova Granada.[11] Em seguida, ocorre o confronto militar entre Equador e Nova Granada. Um combate eclodiu entre o exército equatoriano liderado por Juan José Flores e o exército de Nova Granada, comandado por José María Obando. Em março de 1832, o governo de Nova Granada, chefiado pelo vice-presidente José Ignacio de Márquez, enviou a Quito uma comissão de paz composta por José Manuel Restrepo e o bispo de Santa Marta José María Estévez, sem quaisquer resultados.[10]
Obando recrutou cerca de mil e quinhentos soldados em toda a antiga Cauca e marchou para Pasto, como propósito de capturar a cidade. Quando as forças equatorianas sob o comando do general Antonio Farfán chegaram, haviam recuado devido à atitude hostil do povo de Pasto, e embora os soldados equatorianos tenham triunfado em algumas batalhas, a falta de suprimentos os fez entrar em colapso. Diante desta situação, Obando ofereceu a paz com a condição de que o território disputado fosse devolvido; Flores aceitou uma vez que estava enfrentando a sublevação de suas tropas em Guayaquil.
Consequências
Em 8 de dezembro de 1832, o tratado de paz, amizade e aliança entre Nova Granada e Equador foi assinado na cidade de Pasto pelo General Joaquín Posada Gutiérrez representando Nova Granada e por Pedro José de Arteta em nome do Equador,[11] estabelecendo o rio Carchi[13] como limite fronteiriço entre os dois países, deixando pendente a decisão sobre a soberania dos portos de La Tola e Tumaco, na província de Buenaventura.[14] O Tratado de Pasto deu limites apenas a uma parte da fronteira, mas não ao resto do território do Equador, que posteriormente foi demarcado com a Colômbia.
Referências
- ↑ a b «Guerra del Cauca y Tratado de Pasto»
- ↑ «La Voz del Ecuador»
- ↑ Adela M. Alija. «La situación actual de los conflictos territoriales y fronterizos en América Latina y el Caribe». p. 4
- ↑ a b Jaramillo Alvarado, Petronio (1925). «III: Los límites del Ecuador independiente». Los Tratados con Colombia (PDF). Quito, Ecuador: Imprenta de la Universidad Central: [s.n.]
- ↑ Egas, Miguel et al. (2009). Interdependencia fronteriza entre Ecuador y Colombia (PDF). Quito: [s.n.] p. 5
- ↑ «Constitución del Ecuador de 1830». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes
- ↑ «Ley fundamental de la Nueva Granada de 1831». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Cópia arquivada em 1 de fevereiro de 2012
- ↑ «Constitución Política del Estado de Nueva Granada de 1832». Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes
- ↑ José Anselmo Pineda Gómez (1872). Biblioteca de ex-coronel Pineda; o, Colección de publicaciones hechas en el vireinato de Santa Fé, en las repúblicas de Colombia y Nueva Granada, desde 1774 a 1850, y de varios manuscritos nacionales, e impresos extranjeros, relacionados con los negocios de la República, anteriores, contemporáneos y posteriores a la revolución de 1810. El Tradicionalista, pp. 110.
- ↑ a b c Ministerio de Relaciones Exteriores. «Sinopsis de la Frontera Colombia-Ecuador» (PDF). Sociedad Geográfica de Colombia, Bogotá
- ↑ a b c Vélez Ocampo, Antonio. «Campaña del Sur». Biblioteca Luis Ángel Arango. Consultado em 11 de agosto de 2012. Cópia arquivada em 10 de setembro de 2012
- ↑ Atlas interactivo (10° de básica) (PDF). [S.l.]: Ediciones Holguín. p. 6. Arquivado do original (PDF) em 3 de março de 2016
- ↑ «Historia de la República». Efeméridas ecuatorianas. Consultado em 11 de agosto de 2012
- ↑ López Domínguez, Luis Horacio. «Capítulo 26: Tratado de paz, amistad y alianza entre la Nueva Granada y Ecuador, Pasto, 8 de diciembre de 1832 - Capítulo 27: Tratado adicional al de paz, amistad y alianza entre la Nueva Granada y Ecuador, Pasto, 8 de diciembre de 1832». Relaciones Diplomáticas de Colombia y la Nueva Granada: Tratados y Convenios 1811 - 1856. [S.l.: s.n.] ISBN 958-643-000-6
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em castelhano cujo título é «Guerra del Cauca».
