Gabinete Freycinet III
| Gabinete Freycinet III | |
|---|---|
Terceira República Francesa | |
| 1886 | |
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| Início | 09 de janeiro de 1886 |
| Fim | 05 de dezembro de 1886 |
| Duração | 10 meses e 26 dias |
| Organização e Composição | |
| Tipo | Governo de coalizão |
| Presidente do Conselho de Ministros | Charles de Freycinet |
| Presidente da República | Jules Grévy |
| Coligação | Republicanos - União das Esquerdas, Esquerda Radical e Extrema Esquerda |
O Gabinete Freycinet III foi o ministério formado por Charles de Freycinet em 09 de janeiro de 1886 e dissolvido em 05 de dezembro do mesmo ano. Foi o 22º gabinete da Terceira República Francesa, sendo antecedido pelo Gabinete Brisson I e sucedido pelo Gabinete Goblet.
Contexto
Em janeiro de 1886, Charles de Freycinet foi levado novamente ao poder, formando um amplo gabinete de coalizão parlamentar. Após as eleições de 1885, a maioria moderada (ou oportunista) da Assembleia Nacional Francesa foi enfraquecida e a única solução foi a união destes com os radicais. O novo gabinete manteve cinco membros do governo anterior e, pela primeira vez, a Extrema Esquerda entrou no governo com dois ministros e dois subsecretários de Estado.[1]
O governo também nomeou o general Georges Boulanger para o Ministério da Guerra, fato que gerou uma divisão dentro do gabinete, apesar da crescente popularidade do general, que daria origem ao boulangismo.[2] Além disso, o gabinete era acusado por quase todos de não agir de fato e de administrar apenas questões do dia a dia, uma vez que Freycinet não conseguia coordenar eficazmente seus ministros, especialmente Boulanger. Desde outubro de 1886, o Ministro do Interior, Ferdinand Sarrien, estava em minoria quanto à forma como lidou com uma greve em Vierzon. Ele então quis renunciar, seguido pelos ministros das Finanças, da Agricultura e das Obras Públicas. Mas, após a intervenção do Presidente da República, Jules Grévy, apenas aquele último renunciou. Em seguida, a votação do orçamento foi marcada pela quase ausência política do governo, o que permitiu à Assembleia votar essa pauta sem rigor.[1]
Diante desse cenário, Freycinet apresentou a renúncia do governo ao Presidente da República, em dezembro de 1886. O Presidente, então, pediu que Charles Floquet formasse um novo gabinete, o que este recusou, recomendando René Goblet para o cargo, que, por sua vez, se tornou Presidente do Conselho de Ministros poucos dias depois.[1]
Composição
- Presidente da República: Jules Grévy
- Presidente do Conselho de Ministros: Charles de Freycinet
- Ministro dos Estrangeiros: Charles de Freycinet
- Ministro da Justiça: Charles Demôle
- Ministro do Interior: Ferdinand Sarrien
- Ministro da Guerra: Georges Boulanger
- Ministro das Finanças: Sadi Carnot
- Ministro da Marinha: Théophile Aube
- Ministro da Instrução Pública: René Goblet
- Ministro das Obras Públicas: Charles Baïhaut; Édouard Millaud
- Ministro da Agricultura: Jules Develle
- Ministro do Comércio e Indústria: Édouard Lockroy
- Ministro dos Correios e Telégrafos: Félix Granet
Realizações
- Adoção da "Lei Goblet"[3], que secularizou, em particular, o pessoal da educação pública, complementando as reformas de Jules Ferry;
- Lançamento de um empréstimo de 500 milhões de francos na forma de uma anuidade de 3%;
- Transformação dos fundos de pensão em um fundo nacional de pensão para a velhice;
- Manutenção das tropas francesas em Tonquim;
- Adoção da "Emenda Colfayru"[4], abolindo as subprefeituras.
Bibliografia
- JOLY, Bertrand. Aux origines du populisme: histoire du boulangisme. Paris: CNRS Éditions, 2022.
Referências
- ↑ a b c «« Aux origines du populisme. Histoire du boulangisme (1886-1891) », de Bertrand Joly : quand la République tenait bon» (em francês). 9 de fevereiro de 2022: 164-165; 187-188. Consultado em 4 de abril de 2025
- ↑ Nuevatribuna (22 de junho de 2016). «Boulangismo: populismo frente a la crisis en Francia». Nuevatribuna (em espanhol). Consultado em 4 de abril de 2025
- ↑ «Loi Goblet». La Ligue de l'enseignement (em francês). 17 de julho de 2018. Consultado em 4 de abril de 2025
- ↑ Azimi, Vida (2000). «15. De la suppression des préfets Chronique d'une mort ajournée». La Découverte (em francês): 241–256. Consultado em 4 de abril de 2025
