Gênero de Deus

O gênero de Deus pode ser visto como um aspecto literal ou alegórico de uma divindade.

Em religiões politeístas, os deuses mais comumente possuem gêneros sexuais literais que os permitem interagir uns com os outros, e até mesmo com humanos, de maneira sexual (ex.: mitologia grega).[1][2] Em candomblé e hinduísmo,[3][4] há divindades andróginas como Ardanaríxvara[5] e Oxumarê.[6][7]

As religiões abraâmicas adoram um único Deus, que, nas maior parte das interpretações de Javé, Deus, o Pai e Alá, não possui forma física. Embora muitas vezes refiram-se à divindidade com pronomes de gênero, muitas denominações abraâmicas usam o "gênero divino" primariamente como uma analogia para melhor ilustrar o conceito de Deus, sem nenhuma conotação sexual.[8][9][10]

Em tradições cristãs trinitárias, acredita-se que Jesus, que é homem, é a manifestação física do pré-existente Deus, o Filho.[11]

Em teologia queer ou igrejas inclusivas, autorias descrevem Deus como sem gênero,[12] afirmam que possui todos os gêneros,[13] transcende o conceito de gênero[14] ou teria um gênero divino.[15][16] Esses debates geralmente causam polêmica e controvérsia entre fundamentalistas cristãos e religiosos tradicionais.[17][18]

Referências

  1. «ARES - Greek God of War & Battlelust». Theoi Greek Mythology (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025 
  2. «Europa: Uma lenda grega». www.cm-paredes.pt. Consultado em 19 de dezembro de 2025 
  3. Rios, Luis Felipe (2011). «"LOCE LOCE METÁ RÊ-LÊ!": posições de gênero-erotismo entre homens com práticas homossexuais adeptos do candomblé do Recife». Revista Polis e Psique (3): 212–212. ISSN 2238-152X. doi:10.22456/2238-152X.31540. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  4. Carrara, Lizandro dos Santos (4 de agosto de 2022). «Transgeneridade e Candomblé: corpos trans e questões filosóficas». Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  5. Kumar, Gaurav; Chadha, Ashita (14 de junho de 2025). «Can 'Ardhanarishvara' resolve the Onto-logical Dualism of Prakṛti and Puruṣa? A Study in Non-Binary Ontology and fluid identity in Indian metaphysics». Dia-noesis: A Journal of Philosophy (em inglês) (1): 75–106. ISSN 2732-7507. doi:10.12681/dia.41706. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  6. Rodrigues, Jackson; Vargas, Juliana (13 de dezembro de 2025). «OXUMARÊ CONTRA O GÊNERO COLONIAL: MASCULINIDADES, FLUIDEZ E PEDAGOGIAS DE TERREIRO». Diversidade e Educação (2): 974–988. ISSN 2358-8853. doi:10.63595/dedu.v13i2.20067. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  7. Júnior, Antônio Pedro Lima (2024). «Gênero e sexualidade nas comunidades tradicionais de terreiro: tensões e resistências à cisheteronormatividade». Revista Calundu (2): 25–38. ISSN 2526-9704. doi:10.26512/revistacalundu.v8i2.55864. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  8. Thayer, Linda (11 de abril de 2023). «Why Is Allah "He" Rather Than "She"? - How to Refer to Allah». Al-Jumuah (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025. Maleness and femaleness are reciprocal elements of humankind [...]. Allah created a biological reproductive mechanism for the proliferation of life forms on earth, but He Himself is independent of that created system [...]. 
  9. Ladin, Joy (23 de outubro de 2018). «What the Torah Tells Us About God's Gender». www.jewishbookcouncil.org (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2025. What I found is that, aside from its use of male pronouns (and in Hebrew, male verb forms), the Torah does not consistently portray God as male; in fact, God usually isn't gendered at all. 
  10. Sé, Santa (23 de junho de 2022). Catecismo da Igreja Católica - 5ª edição - capa dura 5 ed. Brasília, DF: Conferencia Nacional Dos Bispos Do Brasil - Edições Cnbb. p. 84. ISBN 978-65-5975-096-2 
  11. «Part One Section Two I. The Creeds Chapter Two I Believe In Jesus Christ, The Only Son Of God Artcile 3 He Was Conceived By The Power Of The Holy Spirit, And Was Born Of The Virgin Mary». www.vatican.va. Consultado em 19 de dezembro de 2025 
  12. Cragun, Ryan T; Gull, Bethany (1 de junho de 2023). «I don't think it ought to be blasphemy: Transing God(s) and post-life gender». Social Compass (em inglês) (2): 187–206. ISSN 0037-7686. doi:10.1177/00377686231176355. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  13. Zingaro, Dina (2025), "In the Image of God": Rereading Genesis 1-3 for LGBTQ+ Rights, doi:10.2139/ssrn.5214243, consultado em 22 de dezembro de 2025 
  14. Walker, Andrew T. (1 de fevereiro de 2022). God and the Transgender Debate: What Does the Bible Actually Say about Gender Identity? (em inglês). [S.l.]: The Good Book Company. ISBN 978-1-78498-695-7 
  15. Nourbakhshi, Hamid (1 de outubro de 2025). «God in the gap: rethinking divine gender and moving toward reconciliation». International Journal for Philosophy of Religion (em inglês) (1): 1–19. ISSN 1572-8684. doi:10.1007/s11153-025-09949-1. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  16. Maranhão, Du Flor (2022). «Amar e mudar as coisas no arco-íris de Euá: sagrado não binário, epistemologia do a(fé)to e teologia queer de orixá como alternativas à transfobia religiosa». Mandrágora (2): 169–198. ISSN 2176-0985. doi:10.15603/ma282169-198. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  17. Cunha, Andréa Mendonça; Márcia Regina Pereira Curado Mariano (7 de maio de 2020). «"Jesus é travesti": um olhar sobre a LGBTfobia em discurso polêmico no Instagram». Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação. ISSN 2237-6984. Consultado em 22 de dezembro de 2025 
  18. Sellberg Soares, Evanway (1 de janeiro de 2019). «"Ser cristão é não se calar diante da injustiça": a Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) e a construção de uma igreja dos direitos humanos.». Plura: Journal for the Study of Religion / Revista de Estudos de Religião (1). 108 páginas. ISSN 2179-0019. Consultado em 22 de dezembro de 2025