Fundação Vera Chaves Barcellos
A Fundação Vera Chaves Barcellos é um centro cultural e um museu brasileiro, privado e sem fins lucrativos, com sedes em Viamão e Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul. É voltada para a promoção e pesquisa da arte contemporânea de modo geral, e especificamente, para a preservação, estudo e difusão do legado de Vera Chaves Barcellos,[1] um nome de referência na arte brasileira.[2] Possui um dos maiores acervos de arte contemporânea do país.[3]
História
A Fundação tem sua origem na extensa coleção de arte reunida por Vera Chaves Barcellos e seu companheiro Patrício Farias ao longo dos anos, compreendendo mais de 1,2 mil obras.[4] Em 2003 foi criada a Fundação para administrar o acervo, abrindo ao público em 2005.[5] Mais de 900 obras de Vera Chaves Barcellos foram incorporadas à coleção inicial,[4] que mais tarde foi sendo enriquecida por doações e por uma política de aquisições regulares. A Fundação desde sua criação desenvolve atividades permanentes de debate, pesquisa, estímulo à criação e divulgação do conhecimento sobre arte contemporânea.[4][6]
Suas primeiras atividades foram desenvolvidas em um conjunto de salas situadas no segundo andar da Galeria Chaves, um prédio histórico de Porto Alegre, onde anteriormente havia funcionado o Espaço N.O. e depois a Galeria Obra Aberta, iniciativas integradas e promovidas por Vera Chaves Barcellos em parceria com outros artistas.[6] Em 2008 foi criado o Centro de Documentação e Pesquisa,[5] e em 2010, apresentando a mostra Silêncios e Sussurros, foi inaugurada em Viamão a Sala dos Pomares, especialmente projetada para expor arte contemporânea, contando também com salas de trabalho e uma Reserva Técnica para depósito do acervo.[6]
Em 2011 foi instituído um projeto educativo permanente. No mesmo ano, foi estabelecida uma parceria com a Secretaria de Educação de Viamão para o desenvolvimento de um projeto educativo voltado aos professores da rede pública.[6] 26 escolas municipais e 8 estaduais foram inscritas para participar do primeiro semestre do projeto educativo.[4] Em 2012 o projeto foi ampliado, com atividades envolvendo cursos de história da arte, abertos aos professores da rede pública e privada de municípios vizinhos.[6]
A partir de 2023 foi iniciado um projeto de digitalização do acervo, e em 2024 foi lançada uma plataforma online para consulta pública das obras, objetivando facilitar a pesquisa e democratizar o acesso ao patrimônio cultural.[3] Em 2025 foi assinado um termo de cooperação entre a Fundação e a Prefeitura de Viamão, envolvendo as secretarias de Educação, Cultura e Turismo, com o objetivo dar apoio às suas atividades e promover o intercâmbio de conhecimento.[7] A Fundação tem uma relevância especial para a cidade de Viamão, que não possui outras instituições culturais similares.[4]
Estrutura e atividades
A instituição conta com uma sede em Porto Alegre, onde funciona a Administração e o Centro de Documentação e Pesquisa, e outra em Viamão, com a Reserva Técnica, oficinas e espaços de exposição e outras atividades.[5][8]
O acervo documental do Centro de Documentação e Pesquisa compreende mais de 12 mil documentos, entre catálogos, correspondência, fotografias, livros, revistas, jornais, convites e outros,[4] referentes a mais de 3 mil artistas e cerca de 2 mil instituições, com destaque para os cerca de 7 mil documentos referentes à carreira de Vera Chaves, ao Grupo Nervo Óptico, ao Espaço N.O. e à Galeria Obra Aberta. Há também uma biblioteca com cerca de 2 mil volumes.[5]
O acervo artístico é composto por cerca de 4 mil obras de mais de 700 artistas contemporâneos brasileiros e estrangeiros,[1][5] incluindo nomes reconhecidos internacionalmente, como Antoni Muntadas, Joan Fontcuberta, Christo, Robert Wilson, Begoña Egurbide, Mira Schendel, Waltércio Caldas, Anna Bella Geiger, Pedro Escosteguy, Paulo Bruscky, Julio Plaza, Hudinilson, Angelo Venosa, Regina Silveira, Rodrigo Braga, Cao Guimarães, Mariana Manhães, entre outros,[6] com uma seção de cerca de mil obras da produção de Vera Chaves. É um dos maiores acervos de arte contemporânea do país.[3] Destaca-se a grande quantidade de obras em meios pouco convencionais, como instalações, arte postal e livros de artista. Também guarda importantes seções de fotografia, gravura e escultura, e, em menor número, desenho, objeto e pintura.[6]
Segundo a pesquisadora Ana Albani de Carvalho, "o foco na produção artística contemporânea – em sua delimitação histórica, isto é, aquela realizada desde os anos 1960 – pode ser considerado como diferencial para a qualificação do acervo da FVCB, em especial se considerarmos sua localização na região sul do país, onde praticamente não encontramos similares quanto ao perfil ou às estratégias de aquisição e comunicação".[6] Para Priscila Gomes Moreira, "a Fundação tem feito um sólido trabalho para a difusão de seu acervo, estabelecendo parcerias com outras instituições para o desenvolvimento de ações como mostras, lançamentos de livros, debates, promoção de vídeos e documentários".[4]
As exposições têm foco principal na promoção do acervo próprio, mas também abrem espaço para coleções externas e artistas convidados. São acompanhadas sistematicamente de ações educativas, debates e publicações impressas.[6]
Seu programa educativo inclui visitas guiadas, oficinas e seminários para discussão, abertos ao público e gratuitos, e mantém um programa de formação continuada de professores.[1][5][7] Em 2020 foi criada a Rede Virtual de Ensino de Arte, que semanalmente disponibiliza material via e-mail, consistindo em uma indicação de uma obra do acervo acompanhada de propostas de atividades que os educadores podem realizar com seus alunos.[4]
Em 2012 e 2013 a Fundação foi distinguida com o Prêmio Marcantonio Vilaça da Funarte,[6] em 2013 o Programa Educativo recebeu o Prêmio Darcy Ribeiro de Educação Museal, oferecido pela Câmara dos Deputados,[4] e em 2019 o Centro de Documentação e Pesquisa foi contemplado com o Prêmio Açorianos da Prefeitura de Porto Alegre na categoria Destaque em Acervos.[5]
Referências
- ↑ a b c Visite Museus - Plataforma de promoção dos museus brasileiros. "Fundação Vera Chaves Barcellos". Instituto Brasileiro de Museus, consulta em 4 de dezembro de 2025
- ↑ Ferreira, Glória. "Imagens em Migração". Museu de Arte de São Paulo, julho de 2009
- ↑ a b c "Fundação Vera Chaves Barcellos disponibiliza acervo de obras para acesso online". Matinal Jornalismo, 3 de dezembro de 2024
- ↑ a b c d e f g h i Moreira, Priscila Carla Gomes. "Educação em Museus de Arte Contemporânea: estudo das ações educativas da Fundação Vera Chaves Barcellos". In: Revista da Fundarte, 2024; 58 (58)
- ↑ a b c d e f g Romanoff[, Ricardo. "Fundação Vera Chaves Barcellos lança olhar para artes visuais dos anos 1980". Matinal Jornalismo, 24 de março de 2022
- ↑ a b c d e f g h i j Carvalho, Ana Maria Albani de. "Acervo da Fundação Vera Chaves Barcellos: arte contemporânea no trânsito centro/periferia". In: 23º Encontro da ANPAP – Ecossistemas Artísticos. Belo Horizonte, 15 a 19 de setembro de 2014
- ↑ a b "Educação, Cultura e Turismo assinam termo de cooperação com a Fundação Vera Chaves Barcellos". Prefeitura de Viamão, 18 de julho de 2025
- ↑ Artes Visuais no Rio Grande do Sul. "Fundação Vera Chaves Barcellos – FVCB". Universidade Federal do Rio Grande do Sul, consulta em 4 de dezembro de 2025
Ligações externas
