Fronteira Israel–Síria

Fronteira Israel–Síria
Diferentes linhas de demarcação nas Colinas de Golã ao longo da história.
Delimita Israel
Síria Síria
Comprimento76 km
Posição: 292
Característicasnão definida oficialmente
Traçado atual1973

A fronteira entre Israel e Síria jamais foi definida oficialmente, em função das disputas e guerras entre Israel e Síria referentes às Colinas de Golã, que foram ocupadas desde 1967 e anexadas unilateralmente por Israel em 1981, mas a Síria alega que se trata de um território disputado entre os dois países e a anexação não é reconhecida pelas Nações Unidas.[1]

No entendimento da Síria, as Colinas são seu território. Assim, a fronteira segue o rio Jordão desde a tríplice fronteira dos dois países com o Líbano ao norte, indo até ao Mar da Galileia, tríplice fronteira com a Jordânia. Israel, que domina a área dos Montes Golã desde 1967 (Guerra dos Seis Dias) / 1973 (Guerra do Yom Kipur) considera o limite setentrional dessa fronteira mais ao norte e leste, bem como o limite meridional mais ao sul do Mar da Galileia.

Fronteira oficial de jure

A criação desta fronteira foi estabelecida durante a Conferência de San Remo em 1920 para finalizar o Acordo Sykes-Picot, que estabeleceu as zonas de influência francesa (Mandato Sírio) e britânica (Mandato Palestino) no Oriente Médio após a derrota do Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. A linha divisória foi posteriormente estabelecida durante o Acordo Paulet-Newcombe em 1923.[2][3]

Em 1949, durante os acordos do armistício árabe-israelense que puseram fim à Guerra Árabe-Israelense de 1948, a fronteira permaneceu inalterada, mas as áreas anteriormente ocupadas pelo exército sírio a oeste da fronteira foram evacuadas e desmilitarizadas.[4]

Fronteira de facto atual

Fronteira síria nas Colinas de Golã.

Esta linha de armistício foi rompida durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Durante o conflito, as tropas israelenses invadiram as Colinas de Golã. O fim das hostilidades confirmou os ganhos militares das Forças de Defesa de Israel.

Contudo, em 1973, eclodiu a Guerra do Yom Kippur e, durante o conflito, os israelenses continuaram a ganhar terreno, avançando até 40 km de Damasco, a capital síria. Após duas semanas e meia de confrontos armados, um acordo de cessar-fogo foi alcançado entre os dois lados. Israel concordou em retornar às suas posições militares anteriores sob a condição de que uma terra de ninguém fosse estabelecida entre eles e os sírios nessa área evacuada ao pé das Colinas de Golã, guardada pelas forças de paz da UNDOF. Essa terra de ninguém foi posteriormente demarcada por duas linhas de cessar-fogo: Alfa (oeste) e Bravo (leste).[5]

Em 1981, os israelenses anexaram unilateralmente as Colinas de Golã, apesar dos protestos internacionais. Assim, a linha de cessar-fogo Alfa, de 80 km, que constitui a fronteira ocidental da terra de ninguém, tornou-se a nova fronteira "efetiva" de Israel com a Síria.[6] Poucos dias depois, a Resolução 497 do Conselho de Segurança das Nações Unidas foi adotada por unanimidade, declarando a lei israelense que formalizava a anexação do Golã sírio "nula e sem efeito jurídico internacional"; esta resolução também pediu a Israel que revertesse sua ação.[7][8]

Em junho de 2016, durante a guerra civil síria, o lado sírio era controlado por três entidades: Ao norte, as Forças Armadas Sírias e seus aliados, os iranianos e o Hezbollah libanês. Ao sul, a cerca de quinze a vinte quilômetros de distância, a Brigada dos Mártires de Yarmouk, que jurou lealdade ao Estado Islâmico. No centro, ao longo de 70 a 80% da fronteira (50 km), a Frente Al-Nusra e outros pequenos grupos rebeldes.[9]

Em 9 de dezembro de 2024, após a queda de Bashar al-Assad e considerando unilateralmente o acordo de desengajamento de 1974 como obsoleto, o exército israelense invadiu a terra de ninguém anteriormente controlada pela força das Nações Unidas encarregada de observar o desengajamento, empurrando a fronteira de facto de volta para a Linha Bravo.[10]

Referências

  1. El Consejo de Seguridad de la ONU declara la anexión israelí del Golán "nula y sin efecto", El País, 18 de dezembro de 1981
  2. «« Entre Syrie te Israël : las cartas topographiques lleva Joulân-Golan, vecteurs de revendications territoriales » par Michael F. Davie». Cópia arquivada em 25 de setembro de 2012 
  3. The boundaries of modern Palestine, 1840–1947, (2004), by Gideon Biger. Publisher Rutledge Curzon. ISBN 978-0-7146-5654-0
  4. American Foreign Policy. «Israeli-Syrian General Armistice Agreement, July 20, 1949». Government Printing Office (em inglês) 
  5. The Missing Peace - The Inside Story of the Fight for Middle East Peace (2004), por Dennis Ross. ISBN 0-374-52980-9. pp 584-585
  6. Jeremy Pressman, “Mediation, Domestic Politics, and the Israeli-Syrian Negotiations, 1991–2000,” Security Studies 16, no. 3 (Julio–Septiembre, 2007), pp. 350–381.
  7. «Resolution 497 (Un Security Council) | Encyclopedia.com». encyclopedia.com .
  8. BERTHELOT Pierre, « Le Golan : statu quo ou restitution ? », Politique étrangère, 2010/3 (Automne), p. 647-658. DOI : 10.3917/pe.103.0647, leia online
  9. Jean-Dominique Merchet (5 de junho de 2016). «Sur le Golan, l'étrange arrangement entre l'armée israélienne et les rebelles syriens» (em francês) 
  10. «Après la chute d'Assad, Israël étend son contrôle sur la région du Golan». Courrier international (em francês). 10 de dezembro de 2024