Frank Fay

Frank Fay
Frank Fay em 1936
Frank Fay em 1936
Nome de nascimento Francis Anthony Donner
Nascido(a) em 17 de novembro de 1891
São Francisco, Califórnia, Estados Unidos
Nacionalidade estadunidense
Morto em 25 de setembro de 1961 (69 anos)
Santa Mônica, Califórnia, Estados Unidos
Especialidade comédia stand-up, vaudeville
Anos em atividade 1918–1955
Cônjuge Frances White (Abril de 1917-Junho de 1917)
Barbara Stanwyck (1928-1935)
Lee Buchanan (19??; div. 19??)

Frank Fay (nascido Francis Anthony Donner; 17 de novembro de 1891 – 25 de setembro de 1961) foi um comediante vaudeville, ator de cinema e ator de teatro americano. Considerado um importante pioneiro da comédia, classificado como "o primeiro comediante de stand-up". Por um tempo, ele foi uma estrela conhecida e influente, o artista principal mais bem pago do vaudeville, ganhando US$ 17.500 por semana na década de 1920, mas mais tarde caiu no ostracismo, em parte devido à sua personalidade violenta e visões políticas fascistas somado a acusações de agressões físicas a sua esposa Barbara Stanwyck.[1]

Frank Fay era notório por seu narcisismo, intolerância e alcoolismo e, de acordo com o American Vaudeville Museum; "mesmo sóbrio, ele era desdenhoso e desagradável, e era detestado pela maioria de seus contemporâneos".[2] O ex-artista de vaudeville e estrela do rádio Fred Allen comentou: "A última vez que o vi, ele estava caminhando pela Lover's Lane, de mãos dadas com a própria mão". O ator Robert Wagner o descreveu como "um dos homens mais terríveis da história do show business. Fay era um bêbado, um antissemita e um agressor de mulheres, e Barbara [Stanwyck] teve que suportar tudo isso",[3] enquanto, de acordo com o ator e comediante Milton Berle: "os amigos de Fay podiam ser contados no braço que faltava a um homem de um braço só". Berle, que era judeu, alegou ter atingido ele no rosto com uma tala de palco depois que Fay, ao ver o adolescente Berle assistindo à sua apresentação nos bastidores, gritou: "Tirem esse judeuzinho daqui".[4] O escritor Milt Josefsberg lembrou que "Fay se referia a outros comediantes como 'bastardos judeus'".[5] Jack Benny o odiava pessoalmente e profissionalmente: "Quando ele se apresentava no vaudeville, raramente mudava seu número ou o aprimorava. Ele nunca se preocupava em remover piadas ou falas que estivessem datadas. Sua atitude em relação ao público era: 'Vocês têm sorte de ver o grande Frank Fay, não importa o que eu faça'".[6]

Vida pregressa

Francis Anthony Donner nasceu em São Francisco, Califórnia, filho de pais católicos irlandeses. Ele adotou o nome artístico de Frank Fay depois de concluir que seu nome de nascimento não era adequado para o palco.[7] Ainda criança participou da opereta Babes in Toyland de Victor Herbert.[8]

Carreira no Vaudeville

Fay obteve considerável sucesso como artista de vaudeville a partir de 1918, contando piadas e histórias em um estilo cuidadosamente planejado de improviso aparente (“off the cuff”), algo bastante original para a época. Ele foi um dos comediantes mais analisados, com seu senso de tempo e forma de apresentação amplamente elogiados. Formou-se em diversas parcerias, incluindo uma com o tenente Gitz Rice, além de se apresentar como Dyer & Fay e Fay Fay & Co.[8]

Durante a década de 1920, teve fama de o principal artista de vaudeville mais bem pago, recebendo US$ 17.500 por semana.[7] Ele se apresentava com frequência no Teatro Palace, na cidade de Nova Iorque, às vezes uma vez por mês.[8]

Posteriormente, obteve sucesso como comediante de revistas musicais e casas noturnas, além de mestre de cerimônias, sendo considerado por muitos como o originador desse formato, e também participava frequentemente em programas de rádio. Ele foi escalado para um pequeno papel como mestre de cerimônias na sequência ambientada em uma boate do filme Nothing Sacred (1937).[8][2]

Uma de suas rotinas mais duradouras, que ele ainda apresentava até a década de 1950, consistia em pegar uma canção popular e analisar a letra considerada “sem sentido”. Essa prática não o tornava popular entre os compositores.[8]

Carreira no cinema

Com a chegada dos filmes sonoros, o estúdio Warner Bros. estava ansioso para contratá-lo, juntamente com uma série de outras personalidades famosas do teatro. Fay foi escalado como mestre de cerimônias na produção mais cara da Warner Bros. em 1929, no musical Show of Shows (1929). Com base no sucesso desse filme, o comediante foi rapidamente contratado para uma comédia musical totalmente em Technicolor intitulada Under a Texas Moon (1930), na qual também exibiu suas habilidades de canto. O longa-metragem teve bom sucesso de bilheteria e fez da música tema, também intitulada "Under a Texas Moon", um sucesso. Fay cantou a música tema várias vezes ao longo do filme. Outra produção cara, Bright Lights (1930), um extravagante musical totalmente em Technicolor, veio logo em seguida. Fay também estrelou The Matrimonial Bed (1930), uma comédia pre-code na qual cantou a canção "Fleur d'Amour" duas vezes.[7]

Fay era sempre escalado para papéis de amante elegante e irresistível para as mulheres, e frequentemente incluía piadas sugestivas (por exemplo, sobre homossexualidade e sexo). Seu humor picante, típico do período pré-Código Hays, não combinava bem com o crescente movimento conservador impulsionado pela Grande Depressão. Ele tentou produzir seu próprio filme em 1932 e fechou um acordo com a Warner Bros. para que lançassem "A Fool's Advice". O projeto fracassou e ressurgiu cinco anos depois com o titulo "Meet the Mayor", com novos créditos preparados pelo estúdio Warner Bros. Esses novos créditos refletem a baixa consideração que os colegas de profissão do ator tinham por ele: seu nome aparece em letras minúsculas, tanto como protagonista quanto como autor, enquanto os nomes dos atores coadjuvantes têm mais que o dobro do tamanho do seu. Fay fez apenas mais uma aparição para a Warner, creditado perto do final do elenco em Stars Over Broadway (1935), no qual, presidindo um programa de rádio amador fazendo comentários maliciosos às custas dos participantes. A maioria das críticas especializadas prestou pouca atenção a Fay, mas Joe Bigelow, da Variety, lembrou-se dele: "Um trecho de transmissão de rádio amador inclui algumas falas de Frank Fay como mestre de cerimônias. Termina com Pat O'Brien se antecipando a Fay com uma piada sarcástica. Superar Fay em sarcasmo é algo que eles só conseguem fazer no cinema".[9]

Após frases contendo antissemitismo e acusações de agressões físicas a Barbara Stanwyck vir a público, seu nome caiu no ostracismo.[1]

Rádio

Frank Fay teve seu próprio programa de rádio, que estreou em 1941 sendo transmitido na NBC Red.[10]

Vida pessoal e Morte

Frank Fay How To Be Poor Prentice-Hall
em The Stolen Jools (1931)

Frank Fay casou-se com Barbara Stanwyck em 1928, quando ela ainda era relativamente desconhecida. Ele a ajudou a impulsionar sua carreira no cinema, e ela recebeu um contrato com a Warner Bros. no final de 1930. A única aparição cinematográfica conjunta do casal foi um breve esquete no curta beneficente com elenco estelar The Stolen Jools (1931).[11] Eles adotaram um filho, Dion, em 5 de dezembro de 1932. Relatos indicam que o casamento se deteriorou quando a carreira de Fay foi ofuscada pelo sucesso de Stanwyck, e eles se divorciaram em 1935.

Em 1945, o presidente do Actors' Equity, Bert Lytell, censurou Fay por exigir que a associação investigasse cada membro que tivesse apoiado o Apelo aos Refugiados Espanhóis ou que tivesse criticado a Igreja Católica Espanhola por executar militantes de esquerda, alegando atividade antipatriótica. O Comitê da Câmara para Atividades Antiamericanas investigou esses membros.[12][13]

Joseph Peter Kamp – The Fay Case Constitutional Educational League (cartaz propaganda para comício fascista de Frank Fay)

Em janeiro de 1946, apenas alguns meses após a derrota da Alemanha Nazista, um comício de supremacistas brancos reuniu-se no Madison Square Garden para um evento pró-fascista chamado “The Friends of Frank Fay”, organizado por apoiadores de Francisco Franco e membros da Ku Klux Klan.[12][13][14][15] O número de participantes do comício — no qual os oradores também condenaram o comunismo, os sindicatos e o legado do então recentemente falecido presidente Franklin D. Roosevelt — variou conforme as estimativas, com números relatados entre 18.000 e 20.000 pessoas.[16][17][18][19][20]

Ao final da década de 1950, Fay foi declarado legalmente incapaz.[21] Em 20 de setembro de 1961, teve que ser internado no St. John's Hospital, em Santa Mônica, Califórnia. Ele morreu ali cinco dias depois, aos 69 anos, em decorrência da ruptura da aorta abdominal.[22] Fay foi sepultado no Cemitério Calvary, em Los Angeles.[23]

Legado

O longa-metragem A Star Is Born (1937) de William A. Wellman e estrelado pela dupla Fredric March e Janet Gaynor é considerado um retrato irônico da situação real entre Frank Fay e sua esposa recém-divorciada, Barbara Stanwyck: a esposa, até então desconhecida, ascende ao estrelato enquanto a carreira do marido entra em declínio acentuado.[24] O filme acabaria por se tornar um clássico folhetim Hollywoodiano, tendo sido feitas outras três versões:

Frank Fay tem duas estrelas na Calçada da Fama de Hollywood.[30]

Filmografia

Ano Título Papel Notas
1929 Show of Shows Mestre de Cerimônias
1930 Under a Texas Moon Don Carlos
1930 The Matrimonial Bed Leopold Trebel
1930 Bright Lights Wally Dean renomeado para Adventures in Africa
1931 God's Gift to Women Toto Duryea
1932 A Fool's Advice Spencer Brown relançado como Meet the Mayor
1935 Stars Over Broadway Locutor
1937 Nothing Sacred Mestre de Cerimônias
1940 I Want a Divorce Jefferson Anthony Gilman (Jeff)
1940 They Knew What They Wanted Father McKee
1943 Spotlight Scandals Frank Fay
1951 Love Nest Charles Kenneth 'Charley' Patterson

Referências

  1. a b «Barbara Stanwyck Was One Tough Dame». Los Angeles Review of Books. 23 de janeiro de 2014. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  2. a b «Frank Fay». American Vaudeville Museum. Consultado em 20 de Janeiro de 2026. Arquivado do original em 20 de Novembro de 2021 
  3. Wagner, Robert (2010). Pieces of My Heart (em inglês). [S.l.]: Arrow. p. 63. ISBN 978-0-09-953835-6. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  4. Josefsberg, Milt (1977). The Jack Benny show 2. print ed. New Rochelle: Arlington House. ISBN 978-0-87000-347-9 
  5. Josefsberg, p. 314.
  6. Jack Benny to Milt Josefsberg, p. 314
  7. a b c «Frank Fay». Los Angeles Times (em inglês). 27 de Setembro de 1961. Consultado em 20 de janeiro de 2026 
  8. a b c d e Landry, Robert J. (27 de Setembro de 1961). «"Frank Fay, One of Real Vaude Greats, Dies At 63; Was Ruled 'Incompetent'"». Variety: 2 
  9. Joe Bigelow, Variety, 20 de Novembro de 1935, p. 16.
  10. «"Frank Fay"». Variety (307): 34. 29 de Outubro de 1941. Consultado em 20 de Janeiro de 2026 
  11. Film Daily, 19 de março de 1931, p. 8.
  12. a b "The Fascist Stand-Up Comic" por Kliph Nesteroff
  13. a b Frank Fay's Fascist Friends, por Joseph Foster; New Masses; 15 de janeiro de 1946.
  14. «"Inside Stuff - Legit"». New York, NY: Variety Inc. Variety (61): 62. 6 de Fevereiro de 1946. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 – via Internet Archive 
  15. «Friends of Frank Fay at Madison Square Garden». 1946. Consultado em 21 de Janeiro de 2026. Cópia arquivada em 23 de junho de 2020 – via eBay. Press Photo, John J. McNaboe Speaks 
  16. «20,000 Cheer Fay At New York Rally». The Washington Star. Associated Press. 11 de janeiro de 1946. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 
  17. «RALLY PROTESTS CENSURING OF FAY; 20,000 at Garden Commend Actor, Assail Soviet and Communist Policy». The New York Times. 11 de janeiro de 1946. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 
  18. Moorhead, Elizabeth (11 de janeiro de 1946). «Bund Cry Rings Out; Christian Front, America Firsters Rally To Frank Fay» (PDF). PM. Nova Iorque, Estados Unidos. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 
  19. Swaim, Jr., Leo M. (11 de janeiro de 1946). «Fay's Friends Skin Reds--An Indian Helps» (PDF). New York Post. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 
  20. Sylvester, Robert (11 de janeiro de 1946). «19,000 Fay Friends Jam Garden to Cheer Anti-Red Speeches». Daily News. Nova Iorque, Estados Unidos. Consultado em 21 de Janeiro de 2026 
  21. Byrne, James Patrick; Coleman, Phillip; King, Jason Francis, eds. (2008). Ireland and the Americas: Culture, Politics, and History: A Multidisciplinary Encyclopedia, Volume 2. [S.l.]: ABC-CLIO. p. 327. ISBN 978-1-851-09614-5 
  22. «Frank Fay, Comedian of Old-Time, Dead». United Press International. 35 (46). Desert Sun, Volume 35, Number 46, 27 de setembro de 1961. 27 de setembro de 1961. p. 6A. Consultado em 21 de Janeiro de 2026. A morte de Fay ocorreu em razão de uma ruptura integral da aorta abdominal, segundo médicos do St. John's Hospital. Um porta-voz do hospital afirmou que Fay morreu enquanto dormia e estava sozinho no momento da morte, exceto por um médico e uma enfermeira. 
  23. Ellenberger, Allan R. (2001). Celebrities in Los Angeles Cemeteries: A Directory. [S.l.]: McFarland & Company Incorporated Pub. p. 18. ISBN 0-786-40983-5 
  24. Haskell, Molly (2 de janeiro de 2014). «A Girl Named Ruby». The New York Times (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  25. «How All Four Versions of A Star Is Born Compare, and Why the Film Keeps Coming Back». Town & Country (em inglês). 22 de fevereiro de 2019. Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  26. «A Star Is Born (1954)». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  27. «To Do Today: 1954 Remake of A Star Is Born | BU Today». Boston University (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  28. «A Star Is Born (1976)». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  29. «A Star Is Born (2018)». Rotten Tomatoes (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 
  30. Chad (25 de outubro de 2019). «Frank Fay». Hollywood Walk of Fame (em inglês). Consultado em 21 de janeiro de 2026 

Ligações externas