Carole Lombard

Carole Lombard
Lombard em 1940
Nome completoJane Alice Peters
Nascimento
Morte
16 de janeiro de 1942 (33 anos)

Causa da morteacidente aéreo
Nacionalidadenorte-americana
Cônjuge
Ocupaçãoatriz
Período de atividade1921–1942

Carole Lombard (nascida Jane Alice Peters; Fort Wayne, 6 de outubro de 1908Las Vegas, 16 de janeiro de 1942) foi uma atriz norte-americana, conhecida por seus papéis cheios de energia e muitas vezes excêntricos em comédias malucas.[1] Conhecida especialmente por seus papéis em comédias Screwball nos anos 1930.

Lombard nasceu em uma família rica em Fort Wayne, em Indiana, mas foi criada em Los Angeles por sua mãe solteira. Aos 12 anos, foi descoberta pelo diretor Allan Dwan e fez sua estreia no cinema em A Perfect Crime (1921). Aos 16 anos, assinou um contrato com a Fox Film Corporation, mas atuou principalmente em papéis pequenos e foi dispensada após um ano. Sua carreira quase chegou ao fim pouco antes de completar 19 anos, quando um acidente de carro fez com que o para-brisa estilhaçado deixasse uma cicatriz em seu rosto. Apesar disso, ela superou o desafio e atuou em 15 curtas-metragens de comédia para Mack Sennett entre 1927 e 1929. Em seguida, passou a aparecer em longas-metragens como High Voltage (1929) e The Racketeer (1929). Após uma atuação bem-sucedida em The Arizona Kid (1930), assinou contrato com a Paramount Pictures.

A Paramount rapidamente começou a escalar Lombard como protagonista, principalmente em filmes dramáticos. Sua visibilidade aumentou quando ela se casou com William Powell em 1931, embora o casal tenha se divorciado de forma amigável dois anos depois. Um ponto de virada em sua carreira ocorreu quando ela estrelou a inovadora comédia screwball Twentieth Century (1934), de Howard Hawks. A atriz encontrou nesse gênero o seu espaço e continuou a atuar em filmes como Hands Across the Table (1935), formando uma parceria popular com Fred MacMurray; My Man Godfrey (1936), pelo qual foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz e no qual contracenou novamente com Powell; e Nothing Sacred (1937). Nesse período, Lombard se casou com Clark Gable, e o casal atraiu grande atenção da mídia. Desejando conquistar um Oscar, Lombard passou a buscar papéis mais sérios no fim da década. Sem sucesso nessa tentativa, ela retornou à comédia em Mr. & Mrs. Smith (1941), de Alfred Hitchcock, e em To Be or Not to Be (1942), de Ernst Lubitsch, seu último papel no cinema.

Lombard morreu aos 33 anos de idade no acidente do voo 3 da TWA, no Monte Potosi, em Nevada, quando retornava de uma turnê de venda de títulos de guerra. Ela foi uma das atrizes definitivas do gênero da comédia maluca e da comédia americana, além de um ícone do cinema dos Estados Unidos.

Biografia

Lombard nasceu em Fort Wayne, Indiana, em 6 de outubro de 1908, no número 704 da Rockhill Street. Batizada como Jane Alice Peters, ela foi a terceira filha e a única mulher de Frederic Christian Peters e Elizabeth Jayne “Bessie” (Knight) Peters.[2] Seus dois irmãos mais velhos, com quem manteve uma relação próxima por toda a vida, chamavam-se Frederic Charles e John Stuart. Os pais de Lombard vinham de famílias ricas, e o biógrafo Robert Matzen descreveu seus primeiros anos como um período de “colher de prata”. O casamento de seus pais era conturbado e, em outubro de 1914, sua mãe levou os filhos para Los Angeles. Embora o casal não tenha se divorciado, a separação foi definitiva. O apoio financeiro contínuo do pai permitiu que a família mantivesse uma vida confortável, e eles se estabeleceram em um apartamento próximo à Venice Boulevard.[3][4]

Na Virgil Junior High School, Lombard praticava tênis, vôlei e natação, e ganhou troféus em competições esportivas. Aos 12 anos, sua paixão pelo esporte lhe rendeu o primeiro papel no cinema. Enquanto jogava beisebol, ela chamou a atenção do diretor Allan Dwan, que mais tarde recordou ter visto “uma garotinha de aparência fofa, meio moleca… lá fora, batendo nos outros garotos com vontade, jogando beisebol melhor do que eles.[5] E eu precisava de alguém do tipo dela para esse filme”. Com o incentivo da mãe, Lombard assumiu um pequeno papel no melodrama A Perfect Crime (1921). Ela passou dois dias no set de filmagem, interpretando a irmã do personagem de Monte Blue. Mais tarde, Dwan comentou: “Ela adorou tudo aquilo.”[3][4]

Carreira

Lombard fez sua estreia no cinema aos doze anos de idade, depois de ter sido vista jogando beisebol na rua pelo diretor Allan Dwan, ele a colocou como uma moleca em A Perfect Crime (1921). Na década de 1920, trabalhou em várias produções de baixo orçamento creditada como Jane Peters, e mais tarde como Carol Lombard. Sua amiga Miriam Cooper ajudou Lombard a conseguir pequenos papéis em filmes de seu marido Raoul Walsh. Em 1925, ela foi contratada Fox Film Corporation. Ela também trabalhou para o Exchange Pathé e apareceu como uma das Mack Sennett's Bathing Beauties em 1928. Fez uma transição tranquila para filmes sonoros, começando com High Voltage (1929) (1929). Em 1930, ela ganhou um contrato com a Paramount Pictures, depois de ter sido dispensada pela Fox e Exchange Pathé.[4]

Lombard conseguiu alguns pequenos sucessos no início dos anos 1930. Mas foi só em 1934 que sua carreira começou a decolar. Naquele ano, o diretor Howard Hawks encontrou Lombard em uma festa e ficou encantado com ela, pensando que ela seria perfeita para seu mais novo projeto. Ele a contratou para a Twentieth Century, junto com a lenda do teatro John Barrymore. Lombard primeiro ficou intimidada por Barrymore, mas rapidamente os dois desenvolveram um bom relacionamento de trabalho.[4]

Também em 1934, ela estrelou Bolero (1934) com George Raft e foi por causa desse projeto que ela rejeitou o papel de Ellie Andrews em Aconteceu Naquela Noite. Em 1935, ela estrelou Hands Across the Table de Mitchell Leisen, que ajudou a estabelecer sua reputação como uma atriz de comédia. 1936 foi um grande ano para Lombard com o sucesso da comédia Screwball My Man Godfrey ao lado de seu ex-marido William Powell, que se recusou a fazer o filme, a menos que Lombard estrelasse junto a ele. Seu desempenho rendeu a Lombard uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Seu filme seguinte foi Nothing Sacred em 1937, este é o único filme de Lombard em Technicolor e um sucesso comercial e de crítica, o filme também a consagrou como uma das atrizes mais bem pagas do ramo.[4]

Após o fracasso de Fools for Scandal, Lombard fez alguns filmes dramáticos. O público não respondeu bem a essa mudança, então ela acabou retornando à comédias, em parceria com o diretor Alfred Hitchcock em Mr. & Mrs. Smith (1941). O filme impulsionou a carreira de Lombard um e ela seguiu com sucesso com o que seria seu último filme, e um dos mais bem-sucedidos de sua carreira, To Be or Not to Be (1942).

Vida pessoal

No início dos anos 30 Carole se casou com o sofisticado William Powell. Foi com ele que ela fez sua melhor cena, a memorável chuveirada de Irene - A Teimosa (My Man Godfrey) este que lhe rendeu sua única indicação ao Oscar de Melhor Atriz em 1936, mas acabou perdendo para Luise Rainer por seu papel em Ziegfeld - O criador de estrelas, que coincidentemente também tinha William Powell como ator principal. Eles se divorciaram em 1933, mas continuaram bons amigos e trabalhando juntos.[6]

Apaixonou-se então pelo cantor Russ Colombo, de quem ficou noiva, mas o relacionamento terminou tragicamente com a morte do cantor em 1934 (alvejado na cabeça por uma bala que disparou enquanto examinava uma arma). Em 1936 envolveu-se com Clark Gable, que era casado na época, o romance foi mantido em sigilo até 1939 quando o ator se divorciou. No mesmo mês em que se divorciou, Gable e Lombard se casaram.[7]

Morte

Lombard morreu em 16 de janeiro de 1942 em Table Rock Mountain, Nevada nos Estados Unidos, enquanto fazia uma viagem aérea cujo objetivo era a venda de bônus para auxílio às tropas norte-americanas na Segunda Guerra Mundial. Essa viagem seria feita de trem mas, juntamente com sua mãe, optou pelo avião que ao levantar voo e partir de Las Vegas, chocou-se com um pico montanhoso, levando à morte todos os ocupantes da aeronave.[8][9]

Encontra-se sepultada no Forest Lawn Memorial Park (Glendale), Glendale, Los Angeles, nos Estados Unidos. Foi um grande abalo para Clark Gable que somente retirou-se, inconsolável, do local do acidente após perdidas as esperanças de resgatar alguém com vida. Ele está sepultado, junto com Carole, apesar de ter se casado novamente após a morte dela.[8]

Filmografia

Carole Lombard em Vigil in the Night (1940)
Carole Lombard e James Stewart em Made for Each Other (1939)
Carole Lombard em Fools for Scandal (1938)

Referências

  1. Obituary Variety, 21 de janeiro de 1942, página 54.
  2. Gehring 2003, p. 19.
  3. a b Gehring 2003, p. 25.
  4. a b c d e Kiriakou, Olympia (2020). Becoming Carole Lombard: Stardom, Comedy, and Legacy. [S.l.]: Bloomsbury Academic. 19 páginas. ISBN 9781501350733 
  5. Matzen 1988, p. 5.
  6. «Carole Lombard». Quixotando. Consultado em 4 de fevereiro de 2026 
  7. Cohen 1991, p. 347.
  8. a b «Clark Gable joins search for plane wreckage holding fate of Carole Lombard and 21 others». Washington: Spokane Daily Chronicle. 17 de janeiro de 1942 
  9. Brooks Brooks 2006, p. 104.

Bibliografia

  • Gehring, Wes D. (2003). Carole Lombard: The Hoosier Tornado. Indianapolis, Indiana: Indiana Historical Society Press. ISBN 978-0-87195-167-0 
  • Matzen, Robert D. (1988). Carole Lombard: A Bio-bibliography. Westport, Connecticut: Greenwood Press. ISBN 978-0-313-26286-9 
  • Cohen, Stan (1991). V for victory: America's home front during World War II. [S.l.]: Pictorial Histories Publishing Company, Incorporated. ISBN 978-0-929521-51-0 
  • Brooks, Patricia; Brooks, Jonathan (2006). Laid to Rest in California: A Guide to the Cemeteries and Grave Sites of the Rich and Famous. [S.l.]: Globe Pequot Press. ISBN 978-0-7627-4101-4 

Ligações externas