Francisco de Paula Oliveira Guimarães

Francisco de Paula Oliveira Guimarães
Nascimento6 de agosto de 1852
Salvador
Morte23 de abril de 1909 (56 anos)
Salvador
CidadaniaBrasil
Ocupaçãopolítico
Constituição brasileira de 1891, página da assinatura de Francisco de Paula Oliveira Guimarães‎ (penúltima assinatura). Acervo Arquivo Nacional

Francisco de Paula Oliveira Guimarães (Salvador, 6 de agosto de 1852 — Salvador, 23 de abril de 1909) foi um político brasileiro. Exerceu o mandato de deputado federal constituinte pela Bahia em 1891.[1]

Família e formação

Francisco de Paula Oliveira Guimarães nasceu na cidade de Salvador, na Bahia, em seis de agosto de 1852, filho de Antônio Ferreira de Oliveira Guimarães e de Ana Hermília Guimarães Machado. Estudou em Salvador e seguiu para a Faculdade de Medicina da Bahia, onde se bacharelou em 1873.[1]

Ingressou no Corpo de Saúde do Exército como tenente segundo cirurgião, sendo promovido, em 1885, a capitão primeiro cirurgião e, em 1890, a major cirurgião-mor de brigada e a tenente-coronel. Membro do Clube Militar da Bahia, apoiou a proclamação da República em 15 de novembro de 1889 e lançou candidatura para a Câmara dos Deputados.[1]

Carreira Política

Deputado Constituinte

Elegeu-se para a legislatura constituinte do Congresso, a 21ª Legislatura, de 1890 a 1891. No cargo, defendeu a ação do ministro da Fazenda Ruy Barbosa de queimar os arquivos públicos da escravatura.[2]

No que tangia à religião, apoiou a imposição de um Estado Laico, na defesa da liberdade religiosa e dos direitos civis, e o projeto de emenda do também deputado pela Bahia Joaquim Inácio Tosta, de caráter federalista, que visava ampliar a liberdade dos estados em decidir como lidar com a questão religiosa. Protestou contra a proibição do direito ao voto de líderes religiosos.[1][3]

Votou a favor do projeto de emenda do colega de bancada Anfilófio de Carvalho que visava uma reforma da organização jurídica.[4] Posicionou-se a favor do projeto de emenda o qual determinava que a União deveria assumir as dívidas contraídas pelos estados até 15 de novembro de 1890. Votou a favor, também, da emenda do deputado por Pernambuco José Mariano Carneiro da Cunha que concedia aos estados um adicional de 15% sobre as importações.[5] Apoiou, ainda, a emenda do senador pela Bahia Virgílio Clímaco Damásio que concedia uma pensão vitalícia ao destituído imperador Dom Pedro II.[6]

A partir da crescente insatisfação do Congresso com o então presidente e marechal Deodoro da Fonseca, os parlamentares passaram a armar derrubadas de decretos do Governo Provisório.[7] Oliveira Guimarães, porém, manisfestou-se contra tal ato, defendendo que as medidas só poderiam ser derrubadas a partir da legislatura ordinária. Também se opôs ao projeto de emenda do deputado pelo Rio de Janeiro Nilo Peçanha que visava incompatibilizar para o cargo de presidente estadual os políticos nomeados pelo Governo Provisório ou aqueles que estivessem no poder até quatro meses antes da eleição.[8] Numa postura federalista, o tenente-coronel ressaltou que tal assunto dizia respeito apenas aos estados e às assembleias legislativas locais, e que a ação descredibilizava o Governo Provisório.[1]

Ainda em mandato constituinte, sugeriu a criação do Supremo Tribunal Militar, opôs-se ao recrutamento compulsório, à isenção pecuniária e às substituições individuais. Apoiou o sorteio após prévio alistamento; o projeto de emenda do deputado pelo Rio de Janeiro João Batista da Mota que nacionalizava o sistema de cabotagem[9]; a mensagem-moção do deputado pelo Rio Grande do Sul Ramiro Barcelos que pedia a permanência do marechal Deodoro e de seus ministros no poder; e a moção corretiva do mesmo deputado que assegurava ao Congresso poderes unicamente constituintes, sem ter o poder de derrubar medidas do Governo Provisório.[10]

Deputado Federal

Com a promulgação da Constituição de 1891, passou a exercer a legislatura ordinária, a 22ª, de 1891 a 1893, garantindo também a 23ª Legislatura, de 1894 a 1896. Nesse último ano, foi nomeado intendente de Salvador pelo presidente baiano Luís Viana, cargo que exerceu junta à legislatura até 1899.[11] Reelegeu-se para as 24ª, de 1897 a 1899, e 25ª, de 1900 a 1902. Nesse último ano, foi promovido a coronel.[1]

No exercício da 25ª Legislatura, de 1903 a 1905, tornou-se presidente da Câmara logo no ano de começo da legislação, cargo que só largaria em 1907, no exercício da 28ª Legislatura, de 1906 a 1908. Em 1904, foi promovido a general de brigada. No Congresso, ficou muito conhecido por sua postura conciliadora, integrando a comissão de Orçamento, da qual foi relator, e diversas outras. Como deputado, preocupou-se com a educação de seu estado, repassando verba para a reforma da faculdade onde se formou.[1]

Com a Grande Cisma de 1907, o general, com sua postura conciliadora, buscou neutralidade entre os severinistas e os marcelinistas, o que lhe custou o apoio das elites baianas. Faleceu na sua cidade natal em 23 de abril de 1909, sócio do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e reconhecido como notório político soteropolitano.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h «Francisco de Paula Oliveira Guimarães - CPDOC» (PDF). CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 22 de outubro de 2017 
  2. ALENCAR, José Almino de. BARBOSA, Rui. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARBOSA,%20Rui.pdf.Acesso em: 21 de julho de 2025.
  3. FREITAS, Liliane de Brito. TOSTA, Inácio. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/TOSTA,%20In%C3%A1cio.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  4. JUNQUEIRA, Eduardo; NASCIMENTO, Jaime Oliveira do. CARVALHO, Anfilófio de. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CARVALHO,%20Anfil%C3%B3fio%20de.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  5. LOPES, Raimundo Hélio. CUNHA, José Mariano Carneiro da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CUNHA,%20Jos%C3%A9%20Mariano%20Carneiro%20da.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  6. QUADROS, Paulo Roberto Novais de. DAMÁSIO, Virgílio. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/DAM%C3%81SIO,%20Virg%C3%ADlio.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  7. LEMOS, Renato. FONSECA, Deodoro da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/FONSECA,%20Deodoro%20da.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  8. FERREIRA, Marieta de Morais. PEÇANHA, Nilo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/PE%C3%87ANHA,%20Nilo.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  9. PINHEIRO, Luciana. MOTA, João Batista da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/MOTA,%20Jo%C3%A3o%20Batista%20da.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  10. LOPES, Raimundo Hélio; NOLL, Izabel. BARCELOS, Ramiro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARCELOS,%20Ramiro.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.
  11. SARMENTO, Sílvia Noronha; SAMPAIO, Consuelo Novais. VIANA, Luís. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VIANA,%20Luis.pdf. Acesso em: 21 de julho de 2025.