Francisco II Rákóczi
| Francisco II Rákóczi | |||||
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![]() Retrato por Ádám Mányoki, 1712 | |||||
| Príncipe da Transilvânia | |||||
| Reinado | 6 de julho de 1704 a 1 de maio de 1711 | ||||
| Antecessor(a) | Miguel II Apafi | ||||
| Sucessor(a) | Título abolido (Anexação à Monarquia de Habsburgo) | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 27 de março de 1676 Borsi, Hungria | ||||
| Morte | 8 de abril de 1735 (59 anos) Tequirda, Império Otomano | ||||
| Sepultado em | Catedral de Santa Isabel, Košice, Eslováquia | ||||
| Esposa | Carlota Amália de Hesse-Wanfried | ||||
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| Casa | Rákóczi | ||||
| Pai | Francisco I Rákóczi | ||||
| Mãe | Helena Zrinska | ||||
| Religião | Catolicismo | ||||
| Assinatura | |||||
| Brasão | ![]() | ||||
Francisco II Rákóczi (em húngaro: Rákóczi Ferenc; Borsi, 27 de março de 1676 – Tequirda, 8 de abril de 1735) foi um nobre húngaro e líder da Guerra da Independência de Rákóczi contra o domínio austríaco. Ele foi eleito Príncipe da Transilvânia em 1704, sendo o último a exercer esse título. Após sua deposição, o principado foi anexado oficialmente à Monarquia de Habsburgo. Atualmente, é considerado um herói nacional na Hungria.[1]
Biografia
Nascido na nobre família húngara de Rákóczi, tanto seu pai quanto seu padrasto lideraram insurreições contra os Habsburgos, e Francisco cresceu em um ambiente de fervoroso patriotismo húngaro. Foi separado de sua mãe após a rendição de Mukachevo aos austríacos (1688) e levado a Viena, sendo posteriormente colocado em um colégio jesuíta na Boêmia, onde foi educado segundo os costumes austríacos.[2]
Francisco retornou à Hungria em 1694, tendo esquecido grande parte de sua herança cultural. No entanto, encorajado por outros nobres húngaros, passou a acreditar na causa nacional húngara e, às vésperas da Guerra da Sucessão Espanhola, ele e seus companheiros magnatas buscaram apoio de Luís XIV de França. No entanto, o intermediário encarregado da negociação traiu sua confiança, e Francisco foi preso, escapando da execução com a ajuda de sua esposa, ao fugir da cela disfarçado. Após dois anos na Polônia, retornou em 1703 para liderar a revolta camponesa conhecida como levante dos Kurucs. Foi o início da Guerra da Independência de Rákóczi. Obteve considerável sucesso inicial, mas a vitória anglo-austríaca na Batalha de Blenheim, em 1704, destruiu as esperanças de apoio francês e de êxito definitivo, embora os combates na Hungria tenham continuado até 1711.[2]
Enquanto isso, os transilvanos viam em Francisco a esperança de restaurar sua independência, elegendo-o príncipe em 6 de julho de 1704, fato que tornou impossível qualquer conciliação com o Sacro Imperador Leopoldo I, que também era rei da Hungria. A França não enviou ajuda efetiva, os esforços de Francisco para obter apoio do czar Pedro I da Rússia contra a Áustria fracassaram, seus exércitos camponeses sofreram novas derrotas significativas, e, por fim, ele deixou seu país para sempre em 21 de fevereiro de 1711, poucos meses antes da assinatura da Paz de Szatmár com a Áustria.[2]
Após buscar refúgio na Polônia e na França, Francisco seguiu para Constantinopla em 1717, a convite do sultão Ahmed III, com o intuito de ajudar na organização de um exército contra os austríacos. No entanto, a paz foi concluída antes de sua chegada, o sultão já não tinha interesse em seus serviços, e Francisco viveu o restante de seus dias no exílio, no Império Otomano.[2]
Seus restos mortais foram transferidos em 29 de outubro de 1906 para a Catedral de Santa Isabel em Košice, Hungria (atual Eslováquia), onde ele está enterrado ao lado da sua mãe e seu filho.[3]
Legado

| “ | Não tenho absolutamente medo de declarar diante de ti — ó, Verdade Eterna, a quem consagrei estas Memórias! — que o fim de todas as minhas ações foi exclusivamente o amor pela liberdade e o desejo de libertar minha pátria do jugo estrangeiro. Não fui impelido pelo desejo de vingança, tampouco quis obter uma coroa ou um principado, nem tinha inclinação para o governo: foi apenas a vaidosa glória de cumprir o meu dever para com a pátria — e a honra mundana, cuja fonte era a minha generosidade natural, agiu em mim de modo pecaminoso contra ti, ó meu Deus, pois, afinal, essas diferentes motivações se referiam a mim mesmo e terminavam em mim.
— Francisco II Rákóczi, "Memórias"[4] |
” |
Francisco II Rákóczi é uma figura histórica de destaque, amplamente reconhecido na Hungria como herói nacional. Sua liderança durante a Guerra de Independência contra a Monarquia dos Habsburgo teve impacto duradouro na memória coletiva e na cultura popular, influenciando inclusive a música folclórica húngara. Diversas canções do período da luta armada dos kuruc foram registradas, entre elas "A lamentação de Rákóczi" (Rákóczi kesergője),[5] "A Canção de Rákóczi" (Rákóczi-nóta)[6] e "Ah! Rákóczi! Bercsényi!" (Hahj! Rákóczi! Bercsényi!).[6][7] No entanto, sua imagem histórica é interpretada de forma variada fora da Hungria. Entre certos setores da sociedade eslovaca, especialmente em tempos recentes, sua figura passou a ser vista de forma mais crítica. Um dos episódios frequentemente mencionado nesse contexto é o ocorrido na Dieta de Ónod, onde o representante do condado de Turóc foi morto, fato que gerou tensões interpretativas na historiografia eslovaca.[8] Em 2013, esse contexto foi retomado por um arcebispo emérito de Košice, que defendeu a transferência dos restos mortais de Rákóczi da atual Eslováquia para a Hungria.[9]

Em reconhecimento à sua importância histórica, o Parlamento da Hungria declarou, em 2015, o dia 27 de março (data de seu nascimento) como o Dia de Memória de Francisco II Rákóczi.[10] Posteriormente, em 2018, também designou o ano de 2019 como o Ano Memorial de Francisco II Rákóczi, marcando os 315 anos desde sua eleição como Príncipe da Transilvânia, ocorrida em 8 de julho de 1704.[11]
Família
Francisco casou-se com a princesa Carlota Amália de Hesse-Wanfried, filha do Conde de Hesse-Wanfried. A cerimônia ocorreu no dia 26 de setembro de 1694, na Catedral de Colônia. O casal teve três filhos e uma filha:[12]
- Leopoldo Jorge Rákóczi (1696-1699), morreu na infância
- José Rákóczi (1700-1738), príncipe de Mukachevo. Não se casou, mas teve uma filha, Maria Isabel (fruto de um relacionamento com a francesa Marie de Contaciéra), que morreu em 1780 como freira em um convento de Paris
- Jorge Rákóczi (1701-1756), conde de Makovica, que morreu exilado na França. Da segunda esposa, Margarida Susana Pinthereau de Bois, ele teve um filho, Jorge, que não teve descendência; com sua morte, a linhagem masculina da família Rákóczi foi extinta[13]
- Carlota Rákóczi (1706), morreu na infância
Após o nascimento de seu terceiro filho, Jorge, Carlota Amália passou a levar uma vida dissoluta. Supõe-se que sua filha homônima, nascida em 1706, fosse provavelmente filha do chanceler tcheco Johann Wenzel Wratislaw von Mitrowitz, embora tenha sido reconhecida como filha de Francisco.[14]
Referências
- ↑ Szilágyi Sándorné (1898). A Magyar Nemzet Történelme VIII. FEJEZET. A békekisérletek meghiúsulása. (em húngaro). [S.l.]: Athenaeum Irodalmi és Nyomdai Részvénytársulat
- ↑ a b c d «Ferenc Rákóczi, II prince of Transylvania». Encyclopædia Britannica. Consultado em 1 de outubro de 2025
- ↑ Katalin Mária Kincses, "Without Special Ceremony: The Cult of Rákóczi – Bringing Home the Prince's Mortal Remains"
- ↑ Kézikönyvtár Szöveggyűjtemény A KURUC KOR IRODALMA II. RÁKÓCZI FERENC (1676 - 1735) EMLÉKIRATOK • részletek RÁKÓCZI FERENC FEJEDELEM EMLÉKIRATAI A MAGYARORSZÁGI HÁBORÚRÓL, 1703-TÓL ANNAK VÉGÉIG 1703. Consultado em 1 de outubro de 2025.
- ↑ «Rákóczi kesergő a Péderi vegyeskar előadásában». youtube.com. Consultado em 10 de setembro de 2013
- ↑ a b «Eredeti Rákóczi-nóta-Felvétel ideje és helye: 1908 körül, Budapest». youtube.com. Consultado em 10 de setembro de 2013
- ↑ «Kuruc énekek, kuruc dalok, kuruc nóták». tarpa.eu. 1 de fevereiro de 2013. Consultado em 10 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 24 de fevereiro de 2014
- ↑ Kovačka/ Augustíniová 2008: Memorialis – Historický spis slovenských stolíc. Martin.
- ↑ «Elvitetné Rákóczi hamvait Kassáról a szlovák érsek». tortenelemportal.hu. 1 de fevereiro de 2013. Consultado em 8 de setembro de 2013
- ↑ Ma van II. Rákóczi Ferenc emléknapja
- ↑ Magyar Közlöny 186. szám, Magyarország hivatalos lapja 2018. november 27., kedd. 32/2018. (XI. 27.) OGY határozat A 2019. év II. Rákóczi Ferenc-emlékévvé nyilvánításáról
- ↑ «Charlotte Amalie (Hessen-Rheinfels-Rotenburg) von Hessen-Rheinfels-Rotenburg zu Wanfried (1679 - 1722)». wikitree.com
- ↑ Rákóczy Cópia arquivada no Wayback Machine // A Pallas nagy lexikona.
- ↑ «Charlotte Amalie Reginar (Pépinnide-Caroling-Reginar) von Hessen-Wanfried-Eschwege». wladcy.myslenice.net.pl/

