Francis Graça
| Francis Graça | |
|---|---|
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| Nascimento | 7 de novembro de 1902 Lisboa |
| Morte | julho de 1980 |
| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | coreógrafo |
Francisco Florêncio Graça ou Francis Graça (Graça, Lisboa, 7 de Novembro de 1902 — Julho de 1980), foi um coreógrafo, bailarino e ator português.
Adquiriu grande notoriedade desde o final da década de 1920 e até aos anos de 1950, destacando-se a sua ação renovadora a nível do bailado e do teatro musicado nacional.
Biografia

Nasceu em Lisboa, na Rua da Voz do Operário (ao tempo, chamada Rua da Infância), no bairro da Graça. Foi o quarto de sete filhos de Adelaide Lopes Graça e de Francisco Graça, comerciante abastado, anarco-sindicalista, que chegou a ser empresário da Praça de Touros do Campo Pequeno. O pai quis que o filho fosse violinista. Estudou violino no Conservatório Nacional, onde fez amizade com Frederico de Freitas. Apesar de gostar de música, Francis preferia a dança e foi essencialmente um autodidata. Não teve formação convencional de bailado clássico, apenas uma breve aprendizagem com uma professora de nacionalidade russa.[1] Esteve três meses em Paris a estudar bailado, tendo assistido a espectáculos dos Ballets Russes.
Apresentou-se pela primeira vez em 1925 num espetáculo do Teatro Novo, de António Ferro, que decorreu no foyer do teatro Tivoli (decorado para o efeito por José Pacheko), com um misto de sucesso e escândalo.[2]
Depois de uma permanência em Paris, em Setembro de 1926 estreou-se na revista Cabaz de Morangos, no Cineteatro Éden, desta vez com grande êxito. A partir de então, coreografou e dançou em inúmeros espetáculos de revista, tendo trabalhado com as mais importantes vedetas da época, de Beatriz Costa a Hermínia Silva. Em 1927 participou na revista Água-Pé, grande sucesso da época, onde eram protagonistas Estêvão Amarante e Luísa Satanela. Ficou famosa a dupla que formou, a partir de 1931, com a bailarina alemã Ruth Walden.[3][4]
Ao longo da década de 1930 apresentou-se com sucesso em Paris (1933, 1934, 1936), Brasil (1930, 1934), Genebra (1935), Argentina e Brasil (1937-1938).[5]
Interessado na dança de temas portugueses e na estilização do folclore nacional e, por isso, desde muito cedo em sintonia com os ideais do Diretor do SPN, António Ferro, Francis foi um dos fundadores e o mais importante coreógrafo (e bailarino) da Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio. Foi a figura preponderante desse grupo de 1940 até 1960, embora com uma interrupção em 1946-48 quando partiu uma vez mais para o Brasil, seduzido por novos horizontes. Na década de 1950 atuou como ator em duas peças de teatro: Rei Édipo, de Sofocles, Teatro Apolo, 1952; e Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, Teatro D. Maria II, 1952. Em 1960 foi definitivamente afastado do Verde Gaio, cuja direção foi entregue a Margarida de Abreu e Fernando Lima.[6][7]
O afastamento do Verde Gaio deixou-o sem meios de sustento; seria depois integrado com a categoria de reformado nos quadros do Secretariado Nacional de Informação, auferindo de uma pequena reforma. Em 1963 aceitou dirigir a Academia do Parnaso, no Porto, onde era dada preparação a jovens do sexo feminino com o intuito de participarem em exibições e festas mundanas (uma tarefa que Francis sempre considerou humilhante). Data de 1968 a sua última criação, o bailado Encruzilhada, estreado no Teatro Politeama, para o Grupo Gulbenkian de Bailado (denominado Ballet Gulbenkian a partir de 1975), a convite de Madalena Perdigão. Faleceu em Julho de 1980, aos 77 anos, praticamente esquecido, num lar onde residia havia alguns anos, diminuído por uma arteriosclerose que lhe apagara por completo a memória.[8]
Espetáculos[3]
Alguns espetáculos em que Francis Graça participou enquanto coreógrafo e bailarino (exceto Encruzilhada, 1968).
- 1926 – Cabaz de Morangos (revista), Cineteatro Éden, Lisboa.
- 1926 – Foot-ball (revista), Coliseu dos Recreios, Lisboa.
- 1927 – Água-pé (revista), Coliseu dos Recreios, Lisboa.
- 1927-28 – Sete e Meio (revista), Teatro Apolo, Lisboa.
- 1929 – Chá de Parreira (revista), Teatro Variedades, Lisboa.
- 1930 – Feira da Luz (revista), Teatro da Trindade, Lisboa.
- 1930 – Deslocação ao Brasil com a Companhia de Revistas Hortense Luz.
- 1931 – Participação no filme A Severa, de Leitão de Barros – o único registo de imagem em movimento que resta de toda a carreira de Francis Graça.
- 1931 – Ai-ló (revista), Teatro Avenida, Lisboa.
- 1931 – Mexilhão (revista), Teatro Variedades, Lisboa.
- 1932 – Areias de Portugal (revista), Teatro Politeama, Lisboa.
- 1933 – De Capa e Batina (opereta).
- 1933 – O Timpanas (opereta).
- 1933 – Cantiga Nova (revista).
- 1933 – Apresentação no Théâtre de la Michodière, Paris (com a bailarina Ruth Walden e a cantora Corina Freire); espetáculo promovido pela Casa de Portugal associado à conferência de Henri Torrés).
- 1934 – Apresentação na Salle Gaveau, Paris (com a bailarina Ruth Walden e a cantora Corina Freire; espetáculo promovido pela Université des Annales associado à conferência de Gabrielle Réval).
- 1934 – Atuação com Ruth Walden integrada no Bal des Petits Lits Blancs, Opéra, Paris.
- 1934 – É cabeça de cartaz da tournée no Brasil da Companhia Luísa Santanela-Francis; atuações no Rio de Janeiro e S. Paulo.
- 1935 – Recital com Ruth Walden (bailado), Teatro Politeama, Lisboa.
- 1936 – Atuação com Ruth Walden integrada no espetáculo no Teatro Politeama, Lisboa, com a Orquestra da Emissora Nacional dirigida por Frederico de Freitas.
- 1936 – A minha Terra (revista), Coliseu dos Recreios, Lisboa.
- 1937 – Atuações com Ruth Walden no Gran Teatro Opera e no Cine Teatro Pueyrredon, Buenos Aires, Argentina.
- 1937-38 – Atuações com Ruth Walden no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro Municipal de São Paulo, Brasil; atuações em Petrópolis, Santos, Curitiba, Campinas, e outras cidades do Brasil.
- 1939 – Recital com Ruth Walden (bailado), Teatro da Trindade, Lisboa.
- 1940 – Bailados para a ópera D. João IV, Teatro Nacional de S. Carlos (música de Ruy Coelho, sobre libereto de Silva Tavares).[9]
- 1940 – A Feira das Mercês (revista).
- 1940 – Lenda das Amendoeiras, Inês de Castro, Muro do Derrete e Ribatejo (bailado), Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, Teatro da Trindade, Lisboa.
- 1941 – O Homem do Cravo na Boca e Dança da Menina Tonta (bailado), Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, Teatro Nacional de S. Carlos, Lisboa.
- 1941 – Passatempo(bailado), Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa.
- 1941 – Atuação com Ruth Walden (bailado), no espetáculo de Josephine Baker, Teatro da Trindade, Lisboa.
- 1941 – A Marcha de Lisboa (revista), Teatro Apolo, Lisboa.
- 1942 – O Padre Piedade (opereta).
- 1942 – Zé Povinho (revista).
- 1943 – D. Sebastião e Imagens da Terra e do Mar (bailado), Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, Teatro Nacional de S. Carlos, Lisboa.
- 1943 – Tournée em Espanha com a Companhia de Bailado Verde Gaio; apresentações no Gran Teatro del Liceo, Barcelona e no Coliseum, Madrid.
- 1944 – Atuação com Ruth Walden num espetáculo promovido pelo Círculo de Cultura Musical (bailado); música: Combate de Tancredo e Clorinda, de Claudio Monteverdi.
- 1946 – Travessa da Espera (revista), Teatro Maria Vitória, Lisboa.
- 1946-48 – Tournée no Brasil (bailado): revista Alvorada do Brasil; dança com as bailarinas Lydia Koprino e Lorna Kay; recital com a bailarina Madeleine Rosay, Teatro Municipal do Rio de Janeiro; etc..
- 1948 – Três Danças (bailado), Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio, Teatro Nacional de S. Carlos, Lisboa.
- 1949 – Atuação no Theatre des Champs-Elysées (bailado), Paris, com a Companhia Portuguesa de Bailado Verde Gaio.
- 1954 – Prelúdios (bailado clássico);coreografia, cenário e figurinos: Fancis Graça; música: Franz Liszt.
- 1968 – Coreografia e direção do bailado Encruzilhada (Teatro Politeama, Lisboa), com os bailarinos Isabel Santa Rosa e Carlos Trincheiras como protagonistas.
Referências
- ↑ Santos, Vítor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999, p. 16, 17. ISBN 972-776-016-3
- ↑ Santos, Vítor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999, p. 13.
- ↑ a b Santos, Vítor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999.
- ↑ Salvador Santos. «No palco da saudade: Francis Graça». Audiência. Consultado em 1 de março de 2016
- ↑ Santos, Vítor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999, p. 27-34.
- ↑ Santos, Vítor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999, p. 67, 69, 79, 81.
- ↑ Museu Nacional do Teatro. «Verde Gaio : uma companhia portuguesa de bailado : 1940-1950». Consultado em 23 de julho de 2013
- ↑ Santos, Vitor Pavão dos – Verde Gaio: Uma Companhia Portuguesa de Bailado (1940-1950). Lisboa: Museu Nacional do Teatro, 1999, p. 81, 82.
- ↑ A.A.V.V. – Os anos 40 na arte portuguesa (tomo 3). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1982, p. 20
Ligações externas
- Entrevista a Francisco Graça, por Igrejas Caeiro na RTP Arquivos
