José Pacheko
| José Pacheko | |
|---|---|
![]() | |
| Nascimento | 24 de abril de 1885 Lisboa |
| Morte | 28 de setembro de 1934 (49 anos) Lisboa |
| Cidadania | Portugal, Reino de Portugal |
| Ocupação | arquiteto, pintor, cenógrafo, designer gráfico, ilustrador, artista gráfico |

José Rosa dos Santos Pacheco (São Jorge de Arroios, Lisboa, 24 de abril de 1885 – Anjos, Lisboa, 28 de setembro de 1934), que assinava José Pacheko, foi um arquiteto, artista gráfico, cenógrafo e pintor português.[1]
Biografia
Era filho do comerciante e proprietário Francisco Rosa Pacheco, natural de Oeiras, e de Maria Carlota dos Santos Pacheco, doméstica, natural de Lisboa (freguesia do Campo Grande).[2]
A 15 de dezembro de 1913, casou civilmente em Lisboa com a pintora naturalista Maria Etelvina dos Santos e Silva (Santa Justa, Lisboa, c. 1880 – Anjos, Lisboa, 2 de agosto de 1921), filha do funcionário público Alfredo dos Santos e Silva e de Maria Júlia Botelho Lobo, doméstica, ambos naturais de Lisboa (ele da freguesia da Encarnação e ela da freguesia da Conceição Nova).[2][3][4] Desde novo que se revelaram as suas tendências artísticas, tendo terminado, com distinção, o curso de arquitectura na Escola de Belas-Artes de Lisboa.[4] Ingressou, em seguida, na Escola de Arquitectura de Paris, onde foi um aluno laureado, tendo exercido como professor auxiliar naquele estabelecimento.[4]
Foi aluno do curso livre do arquiteto Norte Junior. Residiu em Paris entre 1911 e 1913 e, de novo, em 1914, com sua esposa em casa de Amadeo de Souza-Cardoso; entre 1915 e 1917 colaborou no Ocidente com ilustrações; em 1915 participou na Exposição de Humoristas e Modernistas, Porto, e em 1920 na III Exposição dos Humoristas, Lisboa; em 1916 dirigiu artisticamente a revista monárquica A Ideia Nacional.[5]
Em 14 de Junho de 1915 participa talvez num evento de que ele, Almada Negreiros, Santa-Rita Pintor e Ruy Coelho eram os promotores. Nesse «grande congresso de artistas e escritores» — de que não existem notícias na imprensa e que poderá nunca ter ocorrido —, a nova geração levantava-se em protesto «contra a modorra a que os velhos a obrigam». Ainda nesse ano participa no primeiro número da revista Orpheu, desenhando a capa. Em 1917, no número único da revista Portugal Futurista, assina, juntamente com Almada Negreiros e Ruy Coelho um manifesto de apresentação dos Bailados Russos de Diaghilev.[6]
Em 1916 abre a Galeria das Artes no Salão Bobone, Lisboa (expondo, entre outros, ele próprio, Almada Negreiros, Jorge Barradas, Francisco Smith e António Soares). Em 1919 tenta fundar, em vão, uma Sociedade Portuguesa de Arte Moderna, com Manuel Jardim, Ruy Coelho e o poeta Acácio Leitão (será um dos sócios fundadores da Sociedade Portuguesa de Arte Contemporânea, fundada em 1930). Entre 1922 e 1926 dirige a revista Contemporânea (1915;1916-1926) uma publicação de "gosto algo mundano" e "tendência política de direita", de que foram publicados um total de treze números (a revista torna-se em "ponto de apoio dos «novos», que reproduziu profusamente"); devido à sua ligação a essa revista, em 1925 e 1926 José Pacheko tem um papel preponderante na escolha dos artistas convidados a decorar o café a A Brasileira (onde estará ele próprio representado com uma pintura), e o Bristol Club, Lisboa. Participa no I Salão de Outono (organizado por Eduardo Viana, SNBA, 1925) e organiza o II em 1926, em nome da Contemporânea. Participa no I Salão dos Independentes, SNBA, 1930.[7]
Também se conhece colaboração sua na revista Atlantida[8] (1915-1920).
Exerceu igualmente como arquitecto, tendo elaborado projectos para diversos edifícios particulares, e participado em vários concursos para monumentos, logrando elevadas classificações, destacando-se a sua maquete do Monumento aos Heróis da Guerra Peninsular, no Porto, que recebeu a medalha de honra.[4]
A 1ª Exposição dos Artistas Ilustradores Modernos, SPN, 1942, foi-lhe dedicada, em reconhecimento do seu papel pioneiro na renovação das artes gráficas em Portugal.[9]
A sua esposa, a pintora naturalista Maria Etelvina Lobo dos Santos e Silva, faleceu em 1931, tendo nessa altura José Pacheco começado a sofrer de uma neurastenia profunda, tendo-se virado para a religião, e procurado o isolamento social.[4] Em 1932, esteve internado numa casa de saúde, da qual fugiu, tendo-se reunido com a sua mãe e uma irmã, com quem esteve até à sua morte.[4]
Morreu vitimado pela tuberculose, a 28 de setembro de 1934, com apenas 49 anos, em sua casa, na Rua José Estêvão, n.º 10, 2.º direito, na freguesia dos Anjos, em Lisboa.[4] Foi sepultado em jazigo de família no Cemitério do Alto de São João.[4][3]
Referências
- ↑ Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian – José Pacheko
- ↑ a b «Livro de registo de casamentos da 2.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1913-10-23 - 1913-12-31)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 89 e 89v, assento 89
- ↑ a b «Livro de registo de óbitos da 8.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1934-08-30 - 1934-12-30)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 221v, assento 441
- ↑ a b c d e f g h «Os nossos mortos» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. 16 de Outubro de 1934. p. 531. Consultado em 26 de julho de 2019
- ↑ FRANÇA,José Augusto – A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 41, 45, 61, 63
- ↑ FRANÇA,José Augusto – A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 61, 69
- ↑ FRANÇA, José Augusto – A Arte em Portugal no Século XX: 1911-1961 [1974]. Lisboa: Bertrand Editora, 1991, p. 63, 97, 100, 101, 107-113, 197, 226, 546
- ↑ Rita Correia (19 de Fevereiro de 2008). «Ficha histórica: Atlantida: mensário artístico, literário e social para Portugal e Brasil» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Junho de 2014
- ↑ 1ª Exposição dos Artistas Ilustradores Modernos. Lisboa: Estúdio do SPN, 1942
.png)